Ninguém me vê como Ele me vê

Estudos Bíblicos, Textos

E aí, tudo bem com vocês?

Eu tinha planos de tentar escrever ao menos um texto por semana esse ano, mas por enquanto a minha rotina corrida ainda não está me permitindo. Espero que isso mude e talvez em pouco tempo tenhamos novidades, mas por enquanto nada definido.

Correrias a parte, hoje quero falar sobre um assunto que vem queimando em mim há dias. E olha que eu não sei nem por onde começar!

Eu tenho conversado com algumas pessoas recentemente, e quanto mais dessas conversas tenho percebo como posso contar nos dedos quantas pessoas me conhecem de verdade, E não falo isso como forma de culpá-las ou coisa assim, porque nos últimos dois anos tenho mudado tantos conceitos que para mim pareciam definitivos, que até mesmo eu ainda estou (re)aprendendo a me conhecer de verdade.

E aí que me choca a ideia de que, quando nem eu mesma acho que me conheço o suficiente, saber que existe um Deus que me conhece íntima e profundamente, de um jeito que nenhum outro ser respirante é capaz de me conhecer. Parece meio louco quando tentamos racionalizar isso, não? Mas venho experimentando isso recentemente de tantas maneiras, que não consigo sequer contá-las sem me perder – espaço livre para inserir aqui sua piada sobre a pessoa ser de humanas e blá blá blá.

Não posso contar tudo o que vem acontecendo aqui dentro porque não quero atrapalhar a ordem natural (ou sobrenatural, melhor dizendo) dos acontecimentos, mas lhes asseguro que não é coisa pouca. Minhas certezas têm mudado bastante, os meus planos são quase que completamente outros agora; e mesmo sobre outras coisas que eu pensava já não querer, não posso mais afirmar que ainda me sinto tão resistente como outrora.

No meio de todo esse processo, mais que uma vez já me peguei dando explicações sobre coisas que achavam que eu queria ou então que eu era, situações muito desconexas da minha realidade. E por incrível que pareça, eu não me incomodei em fazer esses esclarecimentos simplesmente porque me apetece a ideia de que as pessoas à minha volta saibam como sou: carne, osso e alguns probleminhas. Gente como a gente, não sou nenhuma personagem de romance de época, a mocinha da novela das seis ou qualquer coisa do tipo.

Há algum tempo eu estava lendo o livro de Gênesis, e encontrei algo que me chamou a atenção:

1 Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar, 2 disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.

3 Quando isso aconteceu, já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, entregou sua serva egípcia Hagar. 4 Ele possuiu Hagar, e ela engravidou.

5 Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora. Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços e, agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
6 Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.

7 O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur, 8 e perguntou-lhe: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai?”
Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.
9 Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Volte à sua senhora e sujeite-se a ela”. 10 Disse mais o anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.
11 Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: “Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento. 12 Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos”.

13 Este foi o nome que ela deu ao Senhor que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê? “

Gênesis 16:1-13, NVI

Vou tentar fazer um resumo para quem não conhece essa história. Basicamente, foi o seguinte:

Deus tinha prometido a Abraão que ele seria pai de multidões e que os seus descendentes seriam tantos quanto as areias do mar, impossíveis de se contar, o que sabemos que, a julgar pelo tanto de judeus que existem, de fato a promessa se cumpriu. Só que, antes que isso acontecesse, a mulher dele, que na época ainda se chamava Sarai, era estéril. E aí que parece meio difícil ser pai de multidões quando não se consegue ter nem mesmo um único filho, não?

Essa história me chama a atenção de muitas maneiras. Primeiro porque, diante da impossibilidade de gerar um filho, Sara ofereceu a sua empregada ao marido para que ele pudesse gerar um filho através da empregada. Acontece que eu não conheço nenhuma mulher tão abnegada assim, tão pronta a usar a uma barriga de aluguel sem nem recorrer a uma inseminação artificial nem nada… Definitivamente não é o tipo de coisa que eu faria. Mas, considerando o contexto histórico-cultural daquela época, a desonra de não poder gerar filhos era tão grande que ela preferiu permitir que o marido engravidasse outra mulher – e não vou nem comentar sobre a facilidade com que Abrão teve em aceitar o plano da esposa tão prontamente.

E é aí que surge Hagar, uma mulher tão curiosa que até então nem sequer havia sido mencionada. Apesar de ser descrita como serva, e mesmo sem saber se minha teoria é válida ou não, eu costumo imaginar Hagar como sendo uma escrava. Porque tanto Sarai como Abrão se referem a ela como a um objeto sujeito a qualquer uma de suas decisões, logo não consigo enxergar nela qualquer grau mínimo de autonomia. Hagar era uma posse de sua senhora, e quem sabe tenha visto nesse plano a chance de alcançar a sua tão sonhada liberdade. Afinal, se ela gerasse um herdeiro, por que não poderia ela mesmo se tornar a senhora? A humilhada seria exaltada, e seus dias de luta teriam um fim.

Outra coisa que eu imagino quando leio esse trecho é que, apesar de ser escrava ou qualquer coisa perto disso, prática que infelizmente era comum naquela época, Hagar não devia ter tanta coisa assim para reclamar. Primeiro porque, para bolar um plano tão maluco assim, Sarai devia no mínimo ter muita confiança nela; por si só o plano já era arriscado demais (tão arriscado que nesse trecho já mostrou não ter dado muito certo, o que só se confirmou mais pra frente e até os dias de hoje, não é mesmo?), tanto mais seria dando tamanha ousadia a uma louca que não fosse de sua confiança. E segundo porque, Sara foi queixar-se da serva até que o marido lhe desse permissão para atormentá-la e se vingar; o que me leva a concluir que até então as duas não tinham nenhum grave problema de relacionamento – tantos anos lendo romances policiais me deixaram com mania de escrever assim, quase uma Xeroque Rolmes da vida.

Ou seja, o quadro de Hagar era o seguinte: duas vezes traidora de sua senhora. Duas vezes, sim. Alguém poderia dizer “Mas foi Sarai quem teve essa ideia idiota”, porque sim, foi uma ideia muito idiota mesmo; mas em momento algum há aqui se vê aqui o menor traço de intenção da serva em contrariá-la, certo? Hagar se aproveitou do desespero da esposa para se beneficiar. E não satisfeita com todos os benefícios que já receberia por ser mãe de um herdeiro, ainda virou-se contra aquela que foi a primeira a ajudá-la. Se isso não é traição dupla, não sei o que mais seria.

Acontece que eu vejo em Hagar um sinal que mesmo no princípio já começava a apontar para a Graça. Reparem que o anjo não aprovou em nada a sua conduta, mas ainda assim se preocupou com ela, com sua jornada e seu destino. Ele a aconselhou, lhe apontou uma direção e ainda fez uma promessa que alcançaria a sua posteridade; promessa esta que se cumpriu e deu origem ao povo árabe. Alguém pode até argumentar que nem tudo na promessa eram flores, mas ainda assim me parece bem mais do que ela merecia.

Hagar conhecia melhor que ninguém as suas mazelas, talvez ela tenha fugido no primeiro sinal de pressão por ver-se como indigna diante dos meios que tinha usado para atingir os seus objetivos. E qual de nós também já não se sentiu indigno por conta de seus atos, das nossas vergonhas escondidas que a maioria das pessoas não conhece? Pelo menos nesse aspecto, Hagar não me parece muito diferente de nenhum de nós. Ela foi descoberta, em um instante deparou-se com quem era capaz de desnudar sua alma por completo (v. 13). E obviamente esse encontro a deixou com vários pontos de interrogação, não tinha jeito de passar despercebido.

Sabe, na última vez que eu li esse texto me senti um pouco como Hagar. Não me vejo concordando com um plano tão maluco quanto o delas, mas acho que a Graça desperta esse estado em qualquer ser humano, essa total nudez de alma seguida por favor imerecido. Porque ainda que poucos me conheçam direito, Ele me vê: Ele sabe quantas vezes já me peguei lutando contra o orgulho, e quantas nem sequer tentei lutar. Sabe o que me enfurece, o que me entristece e o que me move, assim como o que faz meus olhos brilharem. Ele me enxerga muito além da minha cara de boazinha, sabe bem o que há de pior em mim; conhece todos os meus medos, e não satisfeito em apenas me tirar aos poucos cada um deles, todos os dias me concede uma chance de melhorar. E olha que melhorar não é coisa fácil, exige paciência – Ele só pode ter mesmo muita paciência para não me largar.

Para finalizar esse texto antes de dormir, quero compartilhar uma coisa que descobri no ano passado quando uma amiga e eu decidimos participar da conferência Pink Punch. O Rodolfo Abrantes é um dos caras que eu mais admiro hoje, e ele faz parte da minha vida praticamente desde que eu tinha uns seis pra sete anos de idade e não fazia a menor ideia do que as letras dos Raimundos significavam. Enfim, ele estava lá nessa conferência para jovens moças, e logo no primeiro dia já falou que nem sabia direito o que dizer porque nunca tinha pregado para tanta mulher junta; mas aí, no dia seguinte, sua esposa lhe lembrou que aquela já era a segunda vez que isso acontecia, e na primeira vez que ele estava ministrando para mulheres surgiu o espontâneo de Isaías 9: em uma penitenciária feminina.

“Ninguém me toca como Você,
Ninguém me vê como Você me vê;
Faz brilhar Teu rosto sobre mim.”

E tá que mesmo antes de saber isso essas palavras já tinham um significado muito forte para mim, mas hoje eu não consigo pensar nelas sem meus olhos lacrimejarem ao imaginar a história de vida daquelas mulheres que ouviram a melodia pela primeira vez, a bagagem que elas devem ter e como se sentiram ao ouvir isso.

É uma sensação tão intensa que eu não me sinto minimamente capaz de descrever. É graça sobre graça, e eu não tenho mais nada a dizer.

Caso não conheçam a música que falei:

Até!

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Dentro

Textos

Quando você me olha, o que vê?

Semana passada me fiz vários questionamentos. Vi algumas coisas que não gostaria de ter visto, e não sei se é assim com todo mundo, mas quando vejo determinados tipos de erro tendo a compará-los com minhas próprias experiências negativas. Não é algo que eu queira, intencionalmente, fazer; tudo ocorre de uma maneira bem automática.

 Quando adolescente, eu costumava me cobrar muito, me comparar com o padrão de beleza imposto pelas mídias, sempre me sentir inferior naquilo que eu não me assemelhava. É uma mania que, graças ao bom Deus, vai diminuindo progressivamente com o passar dos anos, mas continuo vendo esse mesmo reflexo no comportamento de meninas mais novas.

Existem basicamente duas maneiras de lidar com isso: a primeira, que eu preferi e recomendo, é ficar feliz com os pontos de beleza que gradualmente se descobre ter, aceitar o que não pode ser mudado e bola pra frente, focar em outras coisas. E o segundo jeito é se adaptar, render-se às exigências cada vez mais incessantes, tanto externas quanto internas; perder a própria essência em busca de qualquer coisa que lhe parecer melhor.

Não quero ser mal interpretada ou com isso dizer para todas as mulheres saírem bagunçadas por aí, até porque isso seria muita hipocrisia de minha parte: só minha mãe sabe quanto tempo e dinheiro já gastei com meu cabelo, escolhendo roupas ou cores de batom que me agradaram. Mas quero estender a questão um pouco mais além disso.

Quando me arrumo, assim o faço porque me sentiria mal caso não fizesse, não pelas expectativas que outras pessoas possam ou não ter, mas pela minha própria forma de cuidar de mim mesma. É esse o pensamento que norteia o seu jeito de se vestir, de se fotografar, ou mesmo se enxergar como mulher?

Também não quero que esse texto seja lido meramente como mais um ato de defender a moral e os bons costumes, porque sinceramente acredito que todo mundo tem o direito de pensar, agir e se vestir como quiser; e é justamente em posse desse direito que a convido a refletir: quando alguém te olha, o que vê?

Eu procurei pelos significados de olhar e ver antes de começar a escrever aqui, mas não vou copiá-los em forma de verbete porque seria muito clichê. Resumindo, na maioria das vezes ver pode ser compreendido como um simples ato biológico, enquanto o olhar requer mais cuidado e atenção. Disse na maioria das vezes porque linguistas, artistas, filósofos, psicólogos e antropólogos parecem um pouco confusos quanto ao sentido que atribuem a um e outro verbo – e se até eles ainda se confundem, quanto mais eu! Mas não quero criar nenhuma outra confusão, por isso me retenho ao sentido da percepção em ambas as palavras, podendo esta ser superficial ou não.

Já reparou que tanto a oferta quanto a demanda por conteúdos ligados à estética são mais expressivas? São milhares de revistas, programas e canais inteiros, no Youtube ou na TV a cabo, blogs, tutoriais etc. E sim, por mais que em vários casos eu ache mais coisas fúteis que úteis, reconheço que essas coisas têm sim o seu lugar; mas que nem por isso devem se tornar obsessão.

Por outro lado, o mesmo não pode ser dito quanto a pauta em questão é a beleza interior. Frequentemente o caráter não é retratado como a máxima das virtudes, nem na vida real e menos ainda na ficção. Por exemplo, uma das séries que venho acompanhando mais agora que entrei de férias e o roteiro me impressiona demais é House of Cards. Entretanto, uma coisa que me desanima na série, e me desanima principalmente porque sei que não é de todo distante da realidade, é que as poucas personagens que apresentam uma conduta correta, uma postura diferenciada e inconformada com todas as mentiras e injustiças que os mais poderosos cometem, cedo ou tarde são sucumbidas por ameaças ou pelo próprio sistema. Passa a impressão de que ter um bom caráter não é prioridade para a nossa sociedade, e sabemos que em muitos casos infelizmente não é mesmo.

E esse é justamente o ponto onde eu queria chegar, porque a beleza que mais me impressiona não pode ser comparada a poses, ângulos, roupas e afins. Não que eu ignore completamente o aspecto físico, porque isso também não seria verdade, apenas não considero a parte mais importante. Não é o que mais priorizo quando conheço alguém, tampouco é o que quero como fator mais marcante em mim. E é muito bom sim quando alguém diz que a gente é bonita, faz bem para a autoconfiança e alma, alimenta o ego etc mas sempre que recebi esse tipo de elogio fiquei me perguntando se é só isso que quem me fala consegue ver.

Não é vontade de ser feia, porque não acho que ninguém sinta isso. Eu só não quero, e sendo mais sincera não aceito, ser só um rosto, um pedaço de carne, uma roupa ou a maquiagem que uso; nem consigo entender como qualquer ser humano, independente de sexo, aceita. E ser algo que dê de fato gosto de ser é muito mais trabalhoso que tentar parecer qualquer coisa, é um esforço diário que dia após dia apresenta um desafio diferente e nunca acaba; é reconhecer que alguns progressos consideráveis foram feitos, mas nem por isso dar-se por satisfeito.

Aí eu repito: quando você me olha, o que vê? Porque eu não quero ser uma imagem idealizada, se for pra ser reconhecida como alguma coisa, que seja como uma pessoa normal, de carne osso, que só procura acertar, mas que ainda assim erra pra caramba. Uma pessoa que continua aprendendo como se livrar de um medo, antigo ou não, por dia. Que prefere sorrir e ver coisas engraçadas a filmes e livros que fazem chorar; que gosta demais de comida gorda pra tentar fazer academia ou dieta, entre tantas outras coisas: outros detalhes que só poderiam ser percebidos com tempo e atenção, coisas que pra mim são as mais importantes de saber.

E você, já parou pra pensar o que as pessoas olham quando te veem?

Tá todo mundo louco!

Textos

Ando sem postar nada aqui por um tempo porque preciso escrever um artigo científico, colocar o inglês em dia, colocar o Netflix em dia etc; até tenho algumas ideias em desenvolvimento, mas a tendência é que eles fiquem cada vez mais escassos durante esse semestre.

E aí que, justamente por isso, e por outras razões pessoais a.k.a. vergonha alheia, procurei me manter calada quanto a minha opinião sobre os últimos acontecimentos políticos. O problema é que eu nunca consigo fazer isso por muito tempo.

Na verdade, o que tenho mais ou menos em mente é passar a minha visão sobre algumas das falas repetidas que venho ouvindo. Eu sei que, em alguns pontos pode parecer que eu pendo mais pra um lado que pra outro, o que é inevitável, mas vou dizer apenas poucas palavras sobre a minha visão política: não me sinto capitalista porque não acho justo 1% da população reter a maior parte da riqueza mundial, ou sempre citar a meritocracia desconsiderando que não é verdadeiro afirmar que todos têm as mesmas chances sabendo das desigualdades existentes no nosso sistema educacional; mas também não me sinto socialista/comunista porque não concordo com nenhum regime autocrático, e nem com a frequente ausência de lógica propagada nos discursos esquerdistas. Escrevi mais detalhadamente sobre isso há alguns anos em outro post e não vou repetir tudo o que falei, mas até agora não mudei de opinião e continuo me considerando centrista.

As pessoas insistem em dizer que estar no centro é se omitir e blá blá blá, mas lhe digo porque até hoje não consegui me encaixar em nenhuma outra posição: porque eu gosto de observar meticulosamente, e quase sempre imparcialmente (visto que sou humana e a imparcialidade ainda é algo a se trabalhar) antes de formar uma opinião concreta. Além disso, estando no centro me sinto apta a identificar as vantagens e desvantagens de ambos os lados sem nenhum idealismo político, coisa que creio parecer cada vez mais em extinção nos dias de hoje.

Acho que já falei o bastante sobre como penso, agora vou dizer o que penso.

#ForaDilma          

Sabe por que no início fui contra as manifestações pró impeachment? Eu não votei na Dilma porque, além de não ter afinidade ideológica, já sabia da possibilidade de uma crise econômica, que hoje é realidade, ainda no seu primeiro mandato e pensava que em seu governo faltou uma gestão eficiente (e continuo pensando). E também porque, independentemente da minha vontade, ela foi democraticamente eleita (apesar de já ter ouvido teorias questionando a rapidez com que os votos não-eletrônicos foram computados, coisa que não acontecia antigamente e nem acontece nos países onde a nossa urna não foi adotada).

O outro motivo para eu ter descordado é que, sempre que ouvia alguém que paga o quebra, falsifica carteirinha de estudante, rouba lugar nas filas de casa lotérica, acelera o carro quando o semáforo aponta a vez para o senhorzinho de terceira idade atravessar a rua, cola nas provas sem o menor remorso (e continua, porque a lista é extensa) reclamar da corrupção alheia, quase senti nojo ao ponto de vomitar.

Mas nessa semana mudei de opinião e passei a torcer por um impeachment/renúncia. Essa mudança não se deu devido aos áudios vazados porque, infelizmente, já ouvi entrevistas com o próprio Lula que nunca demonstraram nada contrário aquilo que foi descoberto; mudei de opinião porque não acredito que uma presidente capaz de empossar alguém que está sendo investigado zombando da cara de toda uma nação respeite suficientemente a democracia para por esta ser respeitada. Pesquise quanto o Collor roubou antes de sofrer o impeachment e faça uma comparação.

“Mas se tirar a Dilma, vai colocar quem? Não tem nenhum limpo lá!”

Concordo que a linha de sucessão da Dilma tá bem feia mesmo, e contra fatos não há argumentos. Mas prefiro uma mudança mesmo assim.

Hoje, na faculdade, estava conversando com uma amiga sobre isso. Ela me disse algo como “Mas só estão fazendo esse escândalo todo porque é o PT, os outros também roubavam e ninguém falava nada”. Acontece que eu não sou nem um pouco partidária, de verdade. Sou a favor de tirar o PT e trocar, se o PMDB assumir e fazer mais cagada (do que já fez, né…), acho válido protestar de novo e trocar votar conscientemente em alguma sigla distinta das duas anteriores; e se quem for eleito também aprontar continuar fazendo a mesma coisa até eles perceberem que em uma verdadeira democracia nós somos os patrões, que o nosso dinheiro está sendo jogado no lixo e não dá pra assistir tudo inerte.

“Não vai ter golpe, EM DEFESA DA DEMOCRACIA”

Me conte mais sobre o regime democrático idealizado por Marx, e como se concretizou com Mao Tsé-Tung, Stalin, os irmãos Castro e Hugo Chávez.

Sempre que ouço alguém dizendo isso penso: a) essa pessoa não conhece a fundo a bandeira que está levantando; ou b) conhece sim e está de pilantragem fingindo que não.

“Ptralhas bandidos” versus “Tucanos só representam gente de bem”

Eu realmente detesto essa dicotomia. Mas detesto muito mesmo.

PRESTA ATENÇÃO NO QUE ESTÁ ACONTECENDO ENQUANTO A GENTE SÓ SE PREOCUPA COM ISSO

O Alckmin acabou de aprovar um reajuste em seu salário e dos seus assessores em plena crise. Tem ainda mais coisas sujas acontecendo, e eu quero muitas petições para assinar.

“Globo golpista”

Concordo, e a Veja também. Mas não adianta reclamar da alienação alheia enquanto lê Carta Capital, a Socialista Morena, Pragmatismo Político e o DCM.

Entre a sonegadora de impostos e os assessores de imprensa, vulgo jornalistas patrocinados pelo governo, eu prefiro os Teletubies.

“INTERVENÇÃO MILITAR!!!”

Cara… Essa é a parte onde eu começo a questionar se só a esquerda carece de lógica.

“Ir contra o PT é coisa de quem precisa estudar História”

E você já estudou Economia? Prestou mesmo atenção em vez de ficar matando aula pra fumar um baseado? Porque em pelo menos 70% das vezes que ouço alguém vir com essa retórica, a resposta é não.

“Só descobrem tanta corrupção porque nunca se investigou tanto”

Eu cresci ouvindo os discursos oposicionistas do Lula, e pode-se alegar quase tudo contra ele, exceto o fato dele ter uma excelente retórica. O cara era tão bom em reclamar, que mais de uma vez pensei “Esse PSDB como oposição e nada é a mesma coisa”.

Mas depois de um tempo comecei a pensar: como assim nunca se investigou tanto? Onde estava o PT oposicionista pressionando para investigar? Eles não sabiam que estava tendo corrupção? Se sabiam, por que reclamam mais disso agora do que antes? Se beneficiaram da corrupção alheia? Por que não cutucaram ainda mais? Até hoje não entendi.

#ForaMoro

Quando todo mundo estiver errado, eu sempre vou preferir aquele que revela em vez do que luta pelo direito de se esconder.

Artistas-intelectuais

Eu não consigo compreender como tanta gente inteligente não procura analisar as coisas de uma maneira racional (os supostamente inteligentes também), ou então como se fazem de inocentes enquanto concordam com toda essa lama.

Lei Rouanet

Você sabia que, no meio de toda essa inflação e desemprego resultantes da crise econômica, a Cláudia Leitte captou R$ 356 mil para publicar sua biografia? (!!)

“Lula, o maior ícone da política brasileira”

Sinceramente? Acredito que Getúlio Vargas fez bem mais.

“Tudo isso porque não querem ver a filha negra da empregada na Universidade Federal, nem o pobre no avião”

E-U N-Ã-O S-O-U R-I-C-A, sei muito bem o que é estudar em uma escola pública com ensino de PÉSSIMA qualidade, e quero ver todo mundo estudando e viajando SIM!

Tem mais coisas que eu gostaria de dizer, mas também tem mais coisas que eu preciso fazer.

Não deixe o fanatismo ideológico te cegar não, partido nenhum tem o direito de sugar seu cérebro.

Menas

Textos

Quando eu estudava Comunicação Visual, nenhum movimento artístico conseguiu me cativar tanto quanto o minimalismo. E não falo isso pelos resultados em si, pois admito que tiveram outras coisas visualmente muito mais interessantes; mas é o conceito por trás do minimalismo que me encanta.

Também me lembro que, quando começamos a desenhar, editar ou vetorizar qualquer coisa, ainda não tínhamos muito essa pegada minimalista, porque quando tudo nos parecia novidade ficava muito fácil criar qualquer coisa com excesso de informação. Nessas mesmas horas, sempre aparecia alguma professora para dizer “Menos é mais” e nos fazer mudar de opinião.

Depois que me familiarizei com a ideia minimalista, descobri que há muito tempo nós, garotas, já lidávamos com o seu conceito sem perceber. É mais ou menos como quando está muito calor e, decidindo vestir um short, acabamos escolhendo uma camiseta, bata ou qualquer coisa mais larga para evitar muita atenção. Ou quando o batom é vermelho ou escuro, e deixamos a maquiagem mais leve na área dos olhos para não parecermos o Ronald McDonald. Porque menos sempre vai continuar sendo mais.

Nessa última semana venho pensando bastante sobre como a sociedade seria um lugar diferente se fossemos mais minimalistas em alguns aspectos. Hoje, na DP que venho fazendo durante algumas tardes desse semestre, estávamos conversando sobre os relatos de como alguns refugiados imaginavam o Brasil antes de chegarem aqui, como outros estrangeiros nos veem e como nós mesmos vemos as demais regiões nacionais. Eu nem sei imaginar direito como é a vida nesses lugares, porque nunca sequer consegui me imaginar fora daqui – e quem é de SP sabe bem do que estou falando.

SP é o lugar mais hype do Brasil, e eu amo minha cidade. Nós temos informação, lazer, opções em excesso, e as coisas não ficam muito diferentes se tratando de tudo o mais. Sendo bem sincera, ainda não descobri algo que não tenha em excesso aqui.

O problema é que, com todo esse excesso de tudo, às vezes fica difícil nos esquecermos de como é ser simples. De um jeito ou de outro, é raro encontrar alguém que não esteja excessivamente focado em sua própria lista de afazeres, ou nos planos que fazemos, ao ponto de não conseguir enxergar o que se passa do lado de fora.

Quando não isso, corremos o risco de nos perdermos naquilo que os outros esperam de nós. Aquilo que o mercado de trabalho espera de nós, para ser mais exata. E não estou dizendo com isso que é errado ter qualificações, acho que já escrevi uma vez aqui que pelo menos um mestrado tenho planos de fazer. Só que, apesar disso, outras vezes me pego pensando se essa busca constante por títulos não nos tira a essência que nos define como humanos à medida que nos apegamos a eles.

Seje menas. Menos mimimis, menos nhénhénhéns, coisinhas sem o menor sentido e medo do que os outros podem ou não pensar. Vá direto ao ponto, sem rodeios. Já perdi as contas de quantas coisas boas eu podia ter feito, e assim devia, mas preferi ficar pensando, maquinando infindas vezes, e nada fiz. E eu sei que nem tudo está em minhas mãos, mas não existe nada que me isente daquilo que está.

A gente é que tem mania de complicar as coisas, mas a verdade é que muito pouco além do que é essencial importa.

TAG: Bloggers Recognition Award

Textos

Então, esse post estava planejado para sair há mais ou menos uma semana, mas… Imprevistos, compromissos, trabalhos e listas de exercício da faculdade, feriado para aproveitar com os amigos etc. Aí não deu, sabe?

Enfim, eu fui indicada pela Claudine Bernardes, que escreve coisas interessantes no blog A Caixa de Imaginação. E devo confessar que, antes de aceitar o desafio, ponderei bastante se era algo que eu realmente queria fazer ou não. Aceitei porque, quando estava perto de completar um ano com esse blog, pensei em escrever algo relacionado ao ato de blogar em si, responder coisas que já me perguntaram e afins, mas acabei deixando a ideia de lado. A TAG não só me relembrou como veio a calhar.

Pelo que entendi, o objetivo deste post é:

  1. Contar o porquê desse blog;
  2. Dar dicas a blogueiros novatos.

Prometo que vou tentar seguir o script.

Porquê: quando disse que tentaria, quis dizer que a história pode ser um tanto quanto longa. Vou tentar dar uma resumida.

Eu sou blogueira há muito tempo. Mesmo. Descontando as pausas, que não foram poucas, escrevo em blogs há uns onze ou doze anos. Estava na quinta ou sexta série, não me lembro ao certo – mas faz muito tempo.

Chuto que foi na quinta série, porque foi quando comecei a ter aulas de redação e descobri que gostava de escrever poesia. Não estou querendo dizer, com isso, que desde o início os meus blogs tinham um conteúdo de que eu me orgulhe hoje (5ª série, olá!). Pra ser sincera, nesse começo, na época do weblogger (Terra), blogger (Globo.com) e outros dinossauros da blogosfera, minha principal função na internet era trocar de templates e escolher uns cursores estranhos. E meus posts eram do tipo “Hoje fui ao shopping com minha amiga e ganhei um carimbo da Hello Kitty no McLanche Feliz”, coisa bonita de se ver não mesmo.

Dá pra ver que não consegui perder o hábito com o passar dos anos. Mas os assuntos foram evoluindo, graças a Deus.

Antes de sossegar aqui experimentei vários outros endereços, em vários outros hosts, por motivos variados também. Porque vire e mexe tenho uma ideia diferente de título URL, aí troco. Porque até então não tinha encontrado um host que me agradasse completamente. Ou porque eu esquecia a minha senha, coisa que aconteceu muitas vezes aliás. Mas gosto daqui, e cansei de mudar. Pretendo que as coisas continuem assim.

Mas a principal razão para manter-me aqui é, sem nenhuma sombra de dúvida, a minha paixão pela escrita. Quando queria ser jornalista, sempre que eu dizia algo sobre esta minha vontade, pessoas me perguntavam se eu queria apresentar o JN ou algum semelhante. E não, nunca quis: eu gosto mesmo é de escrever, me sinto muito bem fazendo isso. Gosto de editar, reler e me encanto com o modo como as ideias se organizam em um texto. Na verdade, esta é uma das coisas que mais gosto de fazer, e eu certamente não estaria aqui se não fosse isso.

Dicas: entenda que a minha experiência não diz respeito a nada que tenha sido criado com algum intuito profissional, e por isso as minhas dicas são bem relativas. Cabe analisar se são mesmo válidas ou não.

1. Goste. A internet é uma das coisas incríveis que já inventaram, mas é também o maior palco já visto para bizarrices que não acontecem off-line espero que não mesmo. Se a sua ideia, ao criar um blog, for simplesmente visibilidade ou qualquer coisa semelhante, eu pessoalmente acho melhor nem tentar. Porque dá trabalho, que não é pouco, e se a sua recompensa não for a satisfação pessoal em fazer algo que gosta, muito dificilmente o esforço vai valer a pena.

2. Escreva com sinceridade. Não consigo escrever sobre algo que não acredito. Sei que muita gente até faz isso, mas eu não conseguiria deitar a minha cabeça no travesseiro depois de fazer uma coisa dessas. E não queira escrever para agradar os outros também. Sei bem que, às vezes, já basta um título especial para trazer muitos leitores em um post, isso acontece mesmo e não é a isso que me refiro; falo sobre querer escrever tudo o que as pessoas querem ler, sabe? A menos que a sua pessoa realmente agrade todo mundo, o que acho muito difícil, não recomendo querer fazer isso em um blog.

3. Leia bastante. Quanto mais lemos, melhor escrevemos. Coisas que poderiam ser apreendidas lentamente em todas as gramáticas da língua portuguesa são melhor compreendidas quando lemos no dia-a-dia. A longo prazo, o efeito pode surpreender. De verdade.

4. Mas estude um pouco também. Não tô falando de perfeição, porque se fosse assim não faríamos nada, mas é bom sim. E isso em dois sentidos: estude sobre o que quer escrever, para poder falar com segurança; e estude pelo menos o básico de concordância e coesão da língua portuguesa. Repito que não estou falando de perfeição, mas sei que, no íntimo, ninguém quer escrever para passar vergonha. Eu continuo estudando até hoje, é coisa comum sentir dúvida ou me esquecer alguma regra básica e correr pro Google.

5. Compreenda a diferença entre blogs e diários. É verdade que, quando publicamos algo, compartilhamos muito de nós com quem tem paciência para nos ver. Mas também não precisa compartilhar demais! Encontre o limite entre compartilhar ideias, ou experiências úteis, e se expor.

6. Seja uma pessoa interessante. Outro dos malefícios da internet é que as pessoas se sentem muito livres para querer mostrar algo que não são. Não caia nessa! Se você for uma pessoa interessante, que tem conversas interessantes, posts interessantes serão uma consequência direta. Não precisa forçar a barra.

Não vou marcar ninguém porque estou meio desatualizada, ultimamente ando tendo dificuldade para acompanhar blogs assiduamente.

Diferentes

Textos

Tem muita coisa sobre o que ando querendo escrever, mas minhas provas acabaram essa semana praticamente e eu ainda não consegui colocar tudo no note/papel. Confesso que, a princípio, minha ideia nem era escrever sobre isso exatamente, mas… É uma das coisas que mais vem me incomodando há alguns dias, e principalmente hoje, então não sei se conseguiria falar sobre outra coisa.

Existe uma coisa muito estranha no comportamento humano, entre várias outras que também não poderiam ser normais. Mas o que muito me intriga, e não poucas vezes vejo, é uma certa incapacidade de não saber fugir das comparações pejorativas com aquilo que costumamos admirar. E isso é uma coisa que eu mesma demorei para aprender, e ainda hoje tomo cuidado para não fazer.

Quando mais nova, até os dezesseis anos mais ou menos, eu costumava muito me comparar com várias pessoas, conhecidas ou celebridades, e sempre me achava inferior de todas as formas formas. Não estou dizendo que hoje me acho muito melhor do que eu era antes, só um pouco menos maluca.

Uma coisa que nem todo mundo que me conhece hoje sabe sobre mim é que, durante a minha adolescência, eu era bem mais gorda do que hoje. E quando digo gorda, falo de uns 68 kg. Considerando que não sou uma pessoa alta, o meu IMC diferia em muito daquilo que era recomendado.

E aí que eu não me sentia nada bem com isso. Não gostava de usar roupas mais largas, me sentia feia perto das minhas amigas etc. Até que nas primeiras férias, de 2009 se não me engano, eu perdi uns 20 kg. E não perdi de uma forma saudável, fitness como agora está na moda chamar. Até hoje não sei se a fase de crescimento me ajudou nisso, mas nunca pensei muito nessa hipótese porque, sinceramente, não sinto que cresci muito ou qualquer coisa desde então. Analisando a forma como emagreci, sem regime nem nada, e passando horas sem comer, foi mesmo um milagre não ter desenvolvido nenhum distúrbio alimentar mais grave.

Me lembro que, quando emagreci, pensei que os meus problemas tinham acabado. Eu nunca mais me sentiria gorda ou diminuída por causa do meu peso, nunca mais ouviria nenhuma piadinha ou nada do tipo. Mas não deu nem muito tempo e as mesmas pessoas que me chamavam de gorda começaram a reclamar da minha magreza. E não estou dizendo que elas estivessem de todo erradas, porque até hoje, com minha massa oscilando entre os 50 e 54 kg, ouço coisas do tipo.

Só que na primeira vez que isso aconteceu, aos meus dezesseis anos, percebi que não interessava muito se eu estivesse gorda ou magra, porque alguém sempre apresentaria queixas. E assim que descobri isso passei a me sentir livre pra comer, emagrecer ou engordar sem me importar com o que as pessoas dizem a respeito do meu peso – exceto quando o médico reclama pra monitorar a anemia.

É estranho pensar que, com mais de 7 bilhões de pessoas no mundo (não sei quantas pessoas a mais, sou de humanas), a gente ainda procure um padrão para o que não existe. Como se houvesse uma cor de pele, um tipo de cabelo, tamanho ou qualquer tipo de formato de corpo mais certo que todos os outros. Nesse sentido, exceto quanto aos cuidados com a saúde e tal, não existe nada que se assemelhe a um “jeito certo”.

Apesar disso se tornar muito mais visível com essas questões físicas, não é a única forma como acontece. Não me lembro bem o site onde li sobre, mas há algum tempo, acho que no ano passado, vi um de meus professores postar um link falando sobre um dos problemas que descobrimos com o boom das redes sociais: o texto mostrava os índices crescentes de depressão na geração Y e apontava a comparação com o “sucesso” alheio em sites de relacionamento, como o Facebook e o Instagram, como uma de suas causas.

Eu, particularmente, acho essa uma questão muito interessante. Ultimamente, eu ando até que meio enjoada do facebook em si, mas há muito tempo acho curiosa a relação das pessoas com o site. Porque, quando tenho paciência pra ler o meu feed, encontro de tudo. Tudo mesmo. Gente descolada, páginas engraçadas, e gente que reclama. Gente que reclama de tudo o tempo todo, pra falar a verdade – como se postar grandes queixas em textos de dez linhas fosse a solução para todos os problemas do mundo.

Mas também vejo pessoas como eu. Eu não gosto de compartilhar um milhão de coisas, mas posto aquilo que julgo interessante. E gosto muito de tirar fotos, mas nunca tive paciência praquelas fotos com legendas do tipo “Saí feia mesmo” e essas carências semelhantes. Não que eu não tenha problemas, tenho vários inclusive. Mas não sinto a necessidade de expô-los dessa forma, como se o meu perfil online fosse uma vitrine panorâmica da minha vida, coisa que muitas pessoas dizem que de fato ser.

Também não sou do tipo que fica querendo esconder os meus defeitos, sabe? Nunca tive saco pra isso, porque ainda que vagamente, me abomina a ideia de passar para alguém qualquer imagem minha que seja mais idealizada do que real – mas acredito que esses defeitos devam ser descobertos off-line, nas pequenas coisas do dia-a-dia.

Essa é a minha visão, pelo menos. Não sei dizer se está certa ou errada, mas continua me parecendo a mais sensata. Insensata, no meu ponto de vista, é a crença de que a vida de outras pessoas é melhor pelo simples fato de não colecionarem reclamações ou críticas em lugares que não foram criados com esse intuito. Nunca vi uma pessoa que teve melhoras significativas de vida por ser rabugenta na internet – ou em qualquer outro lugar.

Um dos resultados disso, tanto em um caso como outro, é gente que “muda” para fingir, ou se auto convencer de, algum tipo de superioridade, ou mesmo um simples avanço e coisas assim. E eu não sou uma pessoa totalmente contrária a mudanças, pelo contrário, acho que muitas vezes elas podem ser sadias; mas só quando são internas, racionais e profundas. Se uma pessoa emagrece porque está preocupada com os comentários alheios e não consigo mesma, como eu fiz, não é o tipo de mudança que valha muito a pena.

Sei que, às vezes, algumas dessas mudanças são benéficas. Mas não consigo acreditar que durem. Porque se eu deixar de fazer algo só por me preocupar com a opinião de fulano ou ciclano, e não por acreditar que realmente é o melhor para a minha vida, o que me impede de voltar a fazer se eu brigar, me decepcionar, ou simplesmente deixar de me importar com essas opiniões? Acredito que mudanças reais precisam de um fundamento mais firme que isso.

Além disso, também acredito que nem sempre mudanças são necessárias. Vai muito da nossa consciência de compreender que as pessoas são diferentes, e sempre vão ser. E é bom assim, o mundo seria um tédio se todo mundo fosse igual.

Só que nem sempre isso fica muito claro na cabeça das pessoas, e em algumas coisas isso consegue ser bem mais evidente. Eu nunca escrevi sobre isso porque tenho medo de ser mal interpretada ou vista como metida, mas já comentei com amigos próximos o quanto isso me surpreende tanto quanto me incomoda, e agora vou me arriscar a escrever aqui.

Se tem uma coisa que me chateia, e muito, é quando às vezes uma pessoa nem fala comigo direito, e até me trata mal, mas de repente começa a me achar “habilidosa” em algo e passa a me tratar melhor  por causa disso. Isso já aconteceu comigo algumas vezes porque acharam que eu escrevia bem, ou então por acharem que canto bem. E não quero ficar aqui concordando ou discordando, mas sei que sendo ou não sendo não sendo verdade, nenhum tipo de habilidade é motivo para me tratar diferente de qualquer pessoa – principalmente se a pessoa em questão for eu, quando desconhecidas essas supostas habilidades.

Eu até entendo, em parte, que isso acontece porque algumas habilidades parecem mais interessantes que outras. Não estou falando que estas habilidades sejam as minhas, que fique bem claro, porque o gosto é muito relativo de uma pessoa pra outra. Eu, por exemplo, se pudesse escolher, gostaria de ser flexível no ballet e saber inventar coisas. Não o conceito das coisas, mas as coisas em si. Engrenagens, funcionamento, toda a parte prática mesmo. Queria inventar coisas úteis que facilitassem e melhorassem a vida das pessoas.

Mas não sou assim, e não acho que um dia vou ser. Nem vou me descabelar tentando ser. Não me sinto mal sendo como sou porque sei que, mesmo sem compreender perfeitamente, fui criada assim com algum propósito específico que não conseguirei cumprir se gastar meu tempo tentando ser de um jeito que não sou. E essa, ao meu ver, é a maior beleza de todas nas diferenças: o propósito da singularidade.

À moda antiga

Textos

Sei que já falei dos livros e da música, mas tem outra coisa que gosto muito de fazer e, infelizmente, desde que decidi que passaria a tomar vergonha na cara e assistir séries assiduamente, não venho fazendo com tanta frequência. E, quando falo isso, por mais vergonhoso que possa ser, preciso confessar que nem é tanto o ato de ir ao cinema em si que me encanta… Pelo contrário, eu gosto mesmo é de pegar o notebook, me jogar na cama e caçar algo no Netflix; ou mesmo deitar no sofá e zapear até encontrar algo interessante na TV a cabo bem coisa de gente sem vida social mesmo, nas palavras de minha irmã.

Até o ano passado, perdi a conta de quantos filmes assisti; e dos tipos mais variados. Admito que tenho um afeto particular pelo cinema independente e/ou europeu, mas de maneira bem geral mesmo a regra presente em 85% das vezes que gosto de um filme é justamente a oposta que me atrai em séries: finais loucos, surpreendentes e até mesmo incompreensíveis; se um enredo passar por uma dessas linhas é praticamente certeza que vou gostar. Porque, sabe, eu não ligo de passar duas horas assistindo um filme e deitar a cabeça no travesseiro ainda tentando compreender – mas finais igualmente loucos ou infelizes são abomináveis em séries, porque existe uma diferença muito clara entre duas horas e meses ou anos.

E aí que desde o começo do ano concluí duas séries e, o número de filmes que assisti dá para contar nos dedos. Nenhum novo. Les Misérables foi uma surpresa, porque tinha medo de que o filme não capturasse aquela magia que encontrei lendo o livro, mas obviamente eu estava totalmente enganada. Fora que ainda não consegui pensar em uma palavra para descrever a Anne Hathaway como Fantine e menos ainda para ela cantando, coisa que fico chocada só de me lembrar.

Ainda assim, o filme que mais me encantou nesse ano é um pouco mais antigo que Les Misérables, do ano de 2011: Midnight in Paris (ou Meia Noite em Paris, em português). Antes de continuar com o por quê da minha escolha, preciso esclarecer que, quando coloco o nome original de algumas coisas não é querendo me exibir ou nada parecido não. É só porque, na maioria das vezes, tenho a impressão de que o título das coisas soa muito melhor em seu idioma original, mesmo quando se tratando de uma tradução literal como nesse caso – é mania de gente louca mesmo, coisa difícil de se explicar.

É estranho pensar que pessoas distintas tinham me recomendado esse filme várias outras vezes, mas sempre que eu pesquisava algo sobre na internet e olhava a foto-capa do filme* pensava: “Nah, acho que ando meio cansada dessas comédias românticas por um tempo”, e deixava o filme de lado outra vez. Mesmo quando finalmente comecei a assisti-lo, eu não estava muito certa de que queria terminar.

midnight in paris 2*Esta foto aqui.

            Se me é possível mencionar apenas uma coisa sobre o enredo do filme, diria que a forma como Woody Allen coloca em tela essa mania do ser humano de sentir saudades daquilo que não conhece, sempre acreditando ingenuamente que tempos passados eram realmente muito melhores que aquele seu momento contemporâneo é a chave do encanto filme. Já vi quadrinistas retratarem esse sentimento de várias formas, mas acho que o diretor conseguiu dar um toque muito particular e especial.

Assim como Gil Pender, o personagem principal do filme, eu também tinha uma década que gostaria de ter vivido, ou pelo menos conhecido melhor: 1920. Porque eu gostaria muito de ter sido contemporânea de Chaplin e viver em uma época onde praticamente todas as mulheres vestiam Chanel e sem necessariamente pagar uma fortuna para isso. Queria ter visto a reação imediata das pessoas ao conhecerem o trabalho de Duchamp, e saber como ele e Dalí era vistos em seu próprio tempo. Sem contar que sempre achei as músicas e as danças dessa década fantásticas também.

Essa mania estranha e nada saudável do ser humano achar que era muito melhor de se viver em alguma época muito distante, passada ou futura da sua, não é nenhuma novidade. Outra pessoa que retratou muito bem essa sensação foi o Renato Russo. Durante a minha adolescência, em uma fase que escutei muito o Legião Urbana, Índios era a minha música favorita deles. E coincidentemente, seu refrão diz “(…) Meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi”. E eu acho que, nesse sentido, ele conseguiu ir até mais além da ideia que o filme traz – porque a questão não é simplesmente julgar o passado melhor; mas achar aquilo que não viveu melhor, seja no passado quanto no futuro.

O problema aparece quando a gente romantiza tanto essa outra época a ponto de desprezar completamente a nossa, pensamento que se revela ilógico em dois aspectos (principalmente, mas sei que é possível encontrar outros também): 1. O nosso tempo não é tão ruim assim. Talvez possa não ser o melhor de todos, confesso, mas tem lá suas qualidades; e qualidades estas que nunca vamos perceber enquanto supervalorizarmos os defeitos. 2. As pessoas que viviam as épocas que costumamos admirar provavelmente comparavam os seus dias com outros acontecimentos, pessoas, mentalidades etc. Se analisarmos a fundo descobriremos que o problema está mais na constante insatisfação humana do que nos anos em si. É claro que, sim, os dias são maus. Mas sempre foram e sempre serão, então…

E fiquei aqui pensando: por que o ser humano é assim, tão complicado? Porque ando concluindo que a felicidade de uma pessoa é diretamente proporcional à sua habilidade em ser simples. Não que eu seja a pessoa mais simples do mundo para dizer isso com toda a propriedade, mas venho tentando me descomplicar sim – e sim, abrir mão de tanta complicação tem me tornado mais feliz. E sei que prestarmos atenção direito, descobriremos coisas boas em nossos dias sim.

Cricri

Textos

Hoje procurei, na internet, um texto que se encaixasse com algumas coisas que venho percebendo há algum tempo. Como não encontrei, resolvi eu mesma escrever.

Antes que começassem as últimas férias, fiz uma lista dos cursos e matérias que queria estudar, livros que queria ler, séries pendentes e etc. Não consegui concluir nenhuma dessas listas coisa desagradável para se dizer.

Das três listas, a mais negligenciada foi a dos cursos e matérias que eu queria me aprofundar, pesquisar e etc. “Por que não já começar a estudar Estatística agora nas férias?”, pensei. Ou aprender a mexer na HP12C, aquela calculadora cara que os professores costumam pedir para uma prova e depois disso a gente nunca mais encontra uma utilidade na vida (porque não sabe mexer mesmo, mas na verdade ela é muito útil sim). Ou já começar a ler alguma coisa sobre RI, revisar alguns livros da faculdade e esse tipo de coisa. Em minha defesa, posso alegar que o espanhol eu realmente estudei sim e um item da lista já é melhor que nada.

Quando fiz essa última lista, obviamente estava pensando em tudo o que planejo para minha carreira. Na faculdade é mais que comum ouvir um ou outro professor dizer “Nessa área, as exigências não cessam. Vocês nunca poderão parar de estudar, precisam ter uma especialização. E não basta parar no inglês, precisa saber falar o espanhol e já ter outra língua em mente. Vocês precisam ter um diferencial…”, e blá blá blá. Sempre existe uma continuação para esse discurso, e na maioria das vezes ela costuma ser longa.

Não estou com isso dizendo que não compreendo essas exigências todas, porque sei bem que de algumas coisas não dá para fugir. Mas me impressiono sempre que redescubro que isso não é uma exclusividade da minha área, porque tenho amizade com pessoas que estudam cursos completamente diferentes do meu e não raramente esse mesmo discurso se repete.

Me lembro que há alguns anos, quando eu ainda estudava para o vestibular e, não sei se isso é ilusão minha provavelmente sim, mas não me recordo de ter essas preocupações tão variadas. Acho que, de alguma maneira bem simplista, eu fantasiava que só precisava entrar em uma universidade e pegar o diploma, sem nenhuma dependência, o mais rápido possível e que isso bastasse – só isso, fantasiava mesmo. Mas isso não basta para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, e quando percebi isso comecei a me perguntar o que a sociedade aceitaria como “o suficiente”.

Também não estou querendo dizer com isso que as pessoas não devem procurar uma especialização nem nada do tipo, muito pelo contrário, falei aqui em algum outro texto que agora não me lembro que eu mesma tinha um longo planejamento nesse sentido. Tá que agora eu ando repensando alguns destes tópicos e já nem sei mais se quero fazer mestrado ou não, mas tenho certeza que após concluir meus três anos de tecnóloga ou três anos e meio, talvez 😦 no ano que vem vou me tornar bacharel e me organizar para fazer pelo menos uma pós graduação, que ainda não consegui decidir se quero Economia ou Marketing – mas aí já é outra história.

O que quero dizer é que… É como se tudo aquilo que a sociedade exigisse de mim eu acabasse transferindo também, primeiro para as minhas próprias exigências pessoais e depois para as pessoas que me cercam. Não sei bem se esse é um problema só meu ou geral, mas me sinto muito cricri cada vez que me pego pensando nisso.

Porque analisando bem, é fácil perceber que os meus amigos mais íntimos e as pessoas com quem mais convivo não são muito diferentes de mim. Não que eu só converse com quem estuda as mesmas coisas que eu, é claro que as coisas não funcionam assim. Mas também não é como se as opiniões fossem muito distintas, considerando que até mesmo as esquisitices que mais gosto de ver nos outros são aquelas parecidas com as minhas.

Desde que botei a cabeça no travesseiro ontem comecei a me perguntar se tudo isso não seria exigência demais da minha parte. Sei que é perfeitamente compreensível a afinidade por gostos comuns, ou os mesmos livros lidos e interesses parecidos, mas estou tentando repensar a linha até onde isso fica em um limite aceitável  e o ponto onde me torna exigente além do necessário; e por enquanto essa linha está me parecendo mais tênue que a linha entre o sustenido e o bemol quando um afinador eletrônico não consegue reconhecer a nota certa.

Fico me lembrando da voz de Caetano dizendo que “Narciso acha feio o que não é espelho” sempre que penso isso, porque não sei se estou muito certa de que é exatamente assim que as coisas devam ser.

Na contramão

Teologia Cristã, Textos

Há uns dias eu estava pensando na lista de coisas que preciso concluir e não estou conseguindo e aí resolvi escrever um texto, porque é claro que isso me ajuda a organizar melhor o meu tempo, quando me veio um pensamento à mente. Pensei na estranheza, mas ao mesmo tempo certeza, que pode ser a decisão de levar uma vida contrária ao senso comum.  É meio que uma daquelas ideias simples que se tornam confusas quando tentamos explicá-las, sabe? Há quem pense que ter uma vida diferente do típico como uma forma de elevar-se acima das outras pessoas, mas eu abomino essa ideia. Na verdade, abomino a arrogância em todos os seus disfarces, e não penso que este seja diferente. A coisa é um tanto mais complexa que isso.

Sabe aquela sensação de sentar no sofá, zapear a TV aberta e não encontrar nada que faça sentido? Mas aí, quando no ouvindo conversas paralelas de pessoas desconhecidas que eu preferiria não saber no ônibus, percebo que aquilo parece fazer sentido para alguém; às vezes até para muitos alguéns. Ou quando um carro com um volume estridente passa fazendo alvoroço na rua e, quero que fique bem claro que não estou falando isso apenas porque nunca vi um carro desses tocando uma música que eu gostasse, mas prestando atenção em qualquer dessas letras por dois míseros segundos surgem perguntas como “por quê?” e “para que ficar surdo com isso?”. E então o mesmo sentimento de vazio se repete em relação aos livros best-sellers, às roupas, aos discursos de essência repetitiva – e aos clichês de em todos os outros formatos, imagináveis ou não.

O ponto em questão não é uma simples mania de querer ser culta, ou mesmo uma tentativa forçada de sempre contrariar propositalmente. É um cansaço natural, intrínseco quando cai a ficha de que desde que o mundo é mundo este mesmo conteúdo vem sempre se repetindo com uma embalagem mais chamativa, “moderna” e contemporânea; mas depois de uma segunda olhada torna-se mais que perceptível que nenhuma destas coisas é tão nova assim. Inclusive, Cazuza descreveu bem essa sensação que procuro, sem muito sucesso, definir quando cantou “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades…”. E aí fiquei aqui pensando comigo que, esse já não era um pensamento novo na época de Cazuza, e menos ainda para Salomão (Ec 1:2-9), há muito mais tempo atrás.

Há não sei quantos anos, ou quantas outras vezes, incontáveis outras pessoas de distintos lugares pensaram isso e se fizeram as mesmas perguntas que eu. Às vezes a gente cai no erro de pensar que outras épocas eram melhores e que os antigos não deviam ser tão problemáticos quanto nossa própria geração nos parece ser, mas eu acho meio difícil e outro tanto improvável até mesmo de se imaginar que todo mundo vivia sempre satisfeito e facilmente se encaixava no padrão adotado pela sociedade. Pra falar a verdade, acredito que cada geração apresentava vários grupos de pessoas insatisfeitas e inconformadas.

Existem duas maneiras de se lidar com a coisa. A primeira, francamente, muito desagrada. É muito comum usar esse termo para referir-se de algum modo ao cristianismo e, de fato, sendo eu mesma cristã, acho um tanto impossível escrever sobre isso sem desvencilhar as minhas próprias percepções acerca da vida que são totalmente influenciadas pelas lentes do cristianismo; mas, não acredito que esse cansaço seja sentido por cristãos apenas, penso na coisa toda mais como um mal geral. Tendo explicado isso, volto ao exemplo bíblico de Salomão. Costumo pensar em Salomão como um rei que teve tudo o que alguém poderia imaginar ter e mais um pouco: sabedoria, riquezas, fama, reconhecimento e mil mulheres. Tá que eu, sendo mulher e conhecendo toda a complicação que deve ser para manter uma só, às vezes não consigo nem entender como alguém consegue querer uma só, quanto mais setecentas princesas e trezentas concubinas… Mas ok. O que me chama a atenção é que às vezes, e muitas vezes, aliás, vejo pessoas dizendo que se tivessem isso ou aquilo que desejam não seriam tão insatisfeitas. Passei a descartar totalmente essa alternativa depois de conhecer a história de Salomão. Imagino que ter tudo na vida e nem com assim sentir-se satisfeito pode deixar alguém bem ranzinza, e isso explicaria muito do que li no livro de Eclesiastes.  – Sei que alguém pode dizer “Mas Salomão é só um personagem bíblico e não existem evidências de sua existência…”, mas acho que já devo ter dito isso aqui antes e, sinceramente? Não existem provas de que o pensamento de Darwin seja o correto, e ele próprio admitiu não ter provas concretas sobre a sua teoria.

Já a segunda forma, que é a minha preferida, me traz paz, ainda que de uma maneira confusa. Confusa porque sei que estou em um lugar ao qual não pertenço, e por si só várias outras confusões e conflitos existenciais podem surgir a partir disso. Porém, quando me lembro que não pertenço a este lugar torna-se mais que compreensível a dificuldade de adaptação. Não é como se eu precisasse encucar demais sobre não conseguir me adaptar às concepções e distintos valores presentes na sociedade. Eles não são meus, não podem me influenciar demasiadamente ou me afetar exigindo sua total aceitação, porque eu não sou obrigada A NADA. E, não sendo obrigada, encontro paz que excede todo entendimento, uma descrita em canção da Lorena Chaves homônima ao título que tem se tornado uma das minhas favoritas de um ano para cá, sabe? E a graça que encontro nessa paz me basta.

Panelaço, impeachment, coisa e tal

Textos

Era para esse texto ter saído na sexta-feira passada, mas eu estava tão doida com uma pesquisa de Sistemática que não tive cabeça para concluir o que estava escrevendo a respeito. Já expliquei qual a minha preferência política aqui em um outro post e, como minha visão não mudou desde então, não vejo necessidade de repetir tudo o que foi dito; resumo dizendo que sou uma espécie de centro-direita que insiste em sonhar com a concretização de uma terceira via.

Não escondo que fui e continuo sendo oposição ao atual governo, no primeiro turno do ano passado escolhi a Marina e no segundo o Aécio. Eu poderia fazer uma lista extensa explicando detalhadamente os motivos pelos quais discordo das diretrizes do PT em vários aspectos; mas vou me ater à diferença entre o discurso que eles pregam em contraste com suas práticas, os escândalos de corrupção e as falácias do Lula que, além de já ter declarado em entrevistas mentir sem o menor pudor para ganhar votos, também disse em entrevista à RTP (emissora portuguesa) que o mensalão nunca existiu (!) Ou então poderia citar a falta de gestão e planejamento econômico, mas o principal motivo de eu não ter votado na Dilma foi porque já sabia que haveria toda essa confusão tributária e econômica pós eleição, e não me sinto nada feliz em dizer isso. E não, não acho que se outro candidato tivesse sido eleito as coisas se desenrolariam de uma maneira diferente porque, sinceramente? A coisa já estava muito feia antes e prontinha para estourar a qualquer momento, só esperando embaixo do tapete uma hora mais propícia para a caca aparecer.

E, se admito que o resultado não seria dos melhores independente do candidato que fosse eleito, há de se perceber que, mesmo sendo coxinha assumida, sou contra o impeachment pelo simples motivo de que tenho horror a golpes e ditaduras, seja ditadura do proletariado, golpe militar ou o que for. Eu não votei, e nem votaria na Dilma porque não gosto de ser enganada. É claro que, quando digo isso às pessoas que convivem comigo, geralmente falam que é muito idealismo de minha parte esperar honestidade em campanhas de eleições; e eu fico aqui me perguntando que espécie de sociedade é esta a nossa onde esperar o mínimo de realismo das pessoas e situações é ideal. Não sei se é excentricidade minha, mas à medida que vou ficando mais íntima das pessoas, vou revelando a minha lista de defeitos espontaneamente. Não porque eu goste desses defeitos gostaria que todos fossem texto para que eu pudesse editá-los ou apagá-los de uma vez ou ache que as pessoas com quem convivo sejam incapazes de descobri-los por si sós, porque o estado de cegueira inicial de quando nos conhecemos vai sumindo quando surge a intimidade; mas acho que não custa nada avisar e evitar eventuais choques, sabe? E não consigo esperar nada diferente de qualquer pessoa que queira exercer um grande cargo, seja político ou não. Quero uma boa dose de realidade, e não números falsos ou frases de efeito dizendo aquilo que eu gostaria de ouvir.

Porque quadros lindos e cor-de-rosa não costumam ficar assim para sempre. Uma hora a sujeira aparece, e quando aparece, fazer o quê? Acho que esse é o tipo de pergunta que todo brasileiro deveria se fazer nessas horas. As reivindicações, exceto aquelas pedindo impeachment e intervenção militar, são legítimas e tudo o mais, mas… Sinceramente? Em junho de 2013, quando as pessoas começaram a ir às ruas para reclamar, pensei “Finalmente o pensamento das pessoas deste país está começando a mudar!”, mas quando vi vários dos nomes eleitos em outubro passado, eu meio que me desiludi. E, vendo muitas das reclamações dos que aderiram aos últimos protestos, tanto os contra o PT quanto aqueles em defesa da Petrobrás que não consegui compreender totalmente até agora, inclusive percebi que, infelizmente, ainda parecemos estar longe de desenvolver uma consciência política coletiva e mais concisa; e enquanto a mentalidade geral não mudar, não sei se consigo ter esperança de alguma melhoria.