Satisfação

Cristianismo, Reflexões

Saudações vulcanas!

Acho que acabei dando bem mais que uma semana para vocês absorverem o último conteúdo que compartilhei aqui, certo? Pois vim concluir aquele pensamento pendente. Só que hoje eu não vou usar tantas referências e textos feitos por outras pessoas como na última vez, porque o objetivo é justamente compartilhar aquilo que eu mesma já venho experimentando e sentindo com o Minimalismo.

Primeiro de tudo, acho que já deixei bem claro no texto anterior que procuro manter um pensamento equilibrado sobre tudo o quanto me é possível. Então, não é como se eu tivesse parado com qualquer forma de consumo desde a última vez que escrevi aqui, e se for esse o pensamento de alguém ao me ler, sinto por desapontá-los desde já. Inclusive, não sei se vocês repararam, mas às vezes aparece um calor bem intenso aqui em São Paulo – o que naturalmente significa que precisei comprar mais roupas que me ajudassem a não morrer de calor.

Aí é que está o ponto, perceberam? E é bem sutil: eu precisei comprar roupas mais frescas. Precisar é bem diferente de querer, e não é necessário fazer uma especialização em Marketing para compreender bem quão distintas são essas duas coisas.

Para tudo o que venho consumindo, antes de chegar a uma decisão tenho me feito essa simples pergunta: Será mesmo que eu preciso disso? Parece até bobo dizer uma coisa tão óbvia, mas pensar duas vezes faz mesmo a maior diferença!

Nesse aspecto eu acredito que Cristianismo e Minimalismo têm tudo a ver, sabe? A gente costuma ver tanta coisa estranha na televisão sobre o que supostamente deveria significar Igreja, e essa falsa Teologia da Prosperidade se espalhando por todos os cantos, que não é de se estranhar que incrédulos torçam o nariz ao ouvir qualquer coisa a respeito de Cristianismo. Contudo, como cristãos, é nosso dever fazer com que através de nossas próprias práticas de vida essas mesmas pessoas possam descobrir que nada daquilo que está na TV é verdade, que há uma Essência que há muito foi perdida, e que nós podemos traçar veredas antigas que nos levem de volta para o lugar onde tudo deveria de fato estar.

Essa essência é Jesus e os Seus ensinamentos sobre uma vida simples. O problema é que, como já cantou KT Tunstall, nós somos pássaros com os olhos voltados para qualquer coisa brilhante, e frequentemente precisamos nos lembrar de quem somos e para onde vamos. Se nada aqui é definitivamente duradouro, então qual o sentido de me deixar gastar por aquilo que não permanece?

Eu li nos Evangelhos o que Jesus diz sobre uma vida modesta, e até pensei que já tinha compreendido, assim como o que Paulo disse sobre saber lidar com todas as perdas ou ganhos tendo uma vida sustentada pela Graça. Mas sou humana, complicada, e fora do cotidiano é difícil, senão impossível, compreender plenamente qualquer coisa. Não é como se eu fosse capaz de aprender verdadeiramente isso sem antes sentir na minha própria pele.

Minha vida não é isenta de problemas, tampouco de correria. Na verdade, correria e pressão é o que mais sinto todos os dias, e tem sido mais do que aliviador relembrar que o meu lugar de paz independe de tudo isso.

Eu amo assistir Gilmore Girls, e nos períodos de stress que tive esse ano usei a série como calmante. Mas aí percebi que não queria precisar de uma série de vidas simples para me acalmar, e sim ter uma vida simples que naturalmente transbordasse calma. Seria mentira dizer que vez ou outra não bate um desassossego ou revolta com alguém ou alguma coisa, mas depois de posta a inquietação para fora me vem de volta a desejada calmaria.

Menos luxo significa mais tempo. Há aproximadamente dois meses abri mão do ônibus fretado, do meu travesseirinho de viagem, de um cobertor e de uma mochila grande e pesada. Voltei para o transporte público, para aquele calor humano sempre indesejado. E sabe o que eu encontrei? Paz. Paz para me contentar com um lugar vago no ônibus até a estação de metrô e quando muito uma hora de sono nesse trajeto, bem menos do que outrora eu costumava ter. Paz para aproveitar esse tempo gasto com a distância para pôr as minhas leituras em dia, descobrir músicas novas e desenterrar ideias que há muito estavam esquecidas. Paz para chegar mais cedo em casa, sair ou ficar por aqui mesmo, sair da rodinha do hamster e não apenas lembrar, mas realmente sentir, quão bela e simples a vida pode ser.

Talvez quem me acompanha pelo Instagram tenha percebido um pouco dessa mudança no meu Stories. Eu venho mostrando muita coisa boba do meu cotidiano ali ultimamente e alguns dos meus momentos em casa, não por que eu não goste de sair ou qualquer coisa assim, mas sim porque tenho me alegrado muito em desfrutar de cada um desses momentos singelos; e no mundo infestado de publicidade, na busca pelas melhores poses e ângulos que vemos em todas as nossas redes sociais, acho bom lembrar e mostrar ao mundo que a felicidade também reside, e principalmente reside, nos momentos simples que colecionamos, além da liberdade de ser quem somos.

É na junção dessas coisas bobinhas que venho encontrando mais qualidade de vida e satisfação, e sei que se você tentar pode encontrar também 😉

Até mais!

Eternidade em mim

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Insatisfeitos

Reflexões

Hey! E aí?

Vim compartilhar uns dedos de prosa com vocês.

Acredito que eu já tenha falado aqui sobre ter (finalmente) concluído a faculdade em Dezembro, e que por graça apenas já comecei a trabalhar em Janeiro, então vou pular essa parte. O fato é que depois disso muita coisa tem mudado em minha vida, e é justamente sobre isso que quero falar hoje.

Trabalhar é muito bom, em certos aspectos – acho mesmo muito difícil alguém ver a minha pessoa falando que acordar cedo é legal, assim como 99% da população mundial. Mas à medida que as responsabilidades aumentam, assim como as manobras para atender a todas as outras questões da vida, o amadurecimento e a recompen$a também crescem proporcionalmente.

Porém, também sabemos que nem tudo na vida são flores. Além de cansaço físico e mental, eu adquiri dois novos vícios: o capuccino e as compras. Pra ser sincera, eu ainda não sei se adquiri esse segundo vício ou só reacendi algo que julgava estar adormecido.

Me lembro que, quando peguei o meu primeiro salário, pensei algo mais ou menos como: “Tudo bem se eu comprar tudo o que eu quiser esse mês, afinal, já esperei tempo demais para fazer isso”, e quem me conhece de perto sabe que esperei mesmo. Só sei que de repente me vi comprando três bolsas e vários sapatos, tantos sapatos quanto fui capaz de imaginar. E isso sem contar o meu vício de consumo mais antigo: os livros, que foram muitos também.

Mas pensei que no segundo mês eu já estaria mais sóbria, afinal, há tempos tenho planos de economizar uma boa quantia e viajar, mas para a minha surpresa, o segundo mês não foi nada diferente do primeiro.

Já no terceiro mês a necessidade de trocar meu celular se sobressaiu aos meus desejos de trocar de teclado e comprar um ukulele. E mais roupas, e mais livros. O lado bom é que os presentes para os meus amigos se tornaram muito melhores.

Esse ciclo se repetiu por mais um tempo e depois foi evoluindo, eu já estava começando a ficar bem mais ligeira para encontrar os melhores lugares e os melhores preços. Só que essa informação não era tão útil assim, visto que só me capacitava a comprar ainda mais.

Em algum ponto desse processo todo, enquanto procurava o presente para um amigo e segurava o novo par de sapatos que tinha acabado de comprar, percebi que ao contrário do que eu imaginava que seria, aquele poder de compra não tinha aumentado a minha felicidade. Mas se agora eu tinha as coisas que sempre quis ter, de onde vinha tanta insatisfação?

Passei dias me questionando no íntimo sobre isso, e essa inquietação me tornou mais sensível às pessoas que vi à minha volta. Percebi que eu não era a única, e que essa mesma insatisfação também atingia outras pessoas que, com mais tempo e esforço, chegaram a níveis bem mais “elevados” que o meu. E presta atenção nisso porque eu não estou falando de gente pobre e sem esperança na vida não, me refiro à uma classe média bonita e aparentemente cheia de vida – cheia de rolês, popularidade e quase tudo que o status quo costuma desejar.

Em parte, eu meio que fiquei feliz por não ter precisado ir ainda mais longe antes de descobrir essa insatisfação. Eu até costumava pensar vagamente em como a nossa geração é bastante insatisfeita, porque queremos tudo e queremos logo, mas ainda assim não tinha experimentado isso com tanta intensidade.

Você já parou pra realmente se perguntar por que queremos as melhores faculdades e os melhores cursos? Será mesmo que estamos realmente preocupados com a qualidade do conhecimento, ou só com o nome bonito e a impressão que isso causa quando as pessoas nos perguntam? Porque, sinceramente, esse papo de “Conseguir um bom emprego” comigo já não cola mais: fui privilegiada com uma vaga em uma faculdade pública que é muito boa na minha área profissional, mas assim que comecei a trabalhar perdi a conta de quantos profissionais ótimos, e com bons cargos, formados em lugares que pessoas das mais variadas universidades públicas e particulares de renome costumam chamar desrespeitosamente de Uniesquina – e se por acaso você, leitor universitário estadual ou federal, filho da PUC ou Mackenzista, também caiu nesse mito, que é perpetuado até mesmo pelos nossos próprios mestres, sinto dizer que lhe enganaram.

Passei a questionar bastante as minhas escolhas pessoais desde então, e olha que eu sou uma pessoa bem exigente. Será mesmo que 7 ou 8/10 não pode ser bom o bastante algumas vezes, que perfeição inalcançável é essa que a gente tanto procura? Foi me fazendo essas perguntas que comecei a encontrar sentido e afinidade com algumas ideias minimalistas; e apesar desse post ser muito denso e precisar ser dividido em duas partes, quero começar a mostrar um pouco do que tenho pesquisado e pensado sobre isso com vocês.

Em um livro que estou lendo no momento sobre Minimalismo e Cristianismo, e em quê as duas coisas se relacionam, o autor sabiamente diz:

Vivemos no mundo dos excessos, tudo o que fazemos precisa ser grande e intenso. Queremos que tudo seja rápido, fácil e, se possível, em grande quantidade. A modernidade nos trouxe muitas facilidades; mas, com elas, vieram também os excessos.

Precisamos trabalhar mais, para poder ganhar mais dinheiro. Quanto dinheiro ainda precisamos? Não sabemos, mas sempre precisa ser um pouco mais. Precisamos crescer profissionalmente e expandir nossa rede de relacionamentos, se não quisermos ficar fora do mercado. Vivemos debaixo de uma tempestade de informações e interatividade e, para conseguir assimilar tudo o que está a nossa disposição, precisaremos ter aquele aparelho que é o último lançamento em tecnologia digital. Enquanto as opções de entretenimento se multiplicam diante de nós, tentamos encontrar espaço em nossa agenda para todas elas; enquanto isso, ainda comemos compulsivamente tentando conter a ansiedade que aumenta a cada dia.

No fim, já não sabemos mais quantas coisas são necessárias para que possamos nos sentir completos e realizados. Vivemos no que poderíamos chamar de um mundo completamente “over”. O mais interessante é que este estilo de vida caracterizado por intensidade e quantidade não nos trouxe realização. Nos sentimos ansiosos, estressados, com a sensação permanente de que estamos perdendo alguma coisa importante. O “muito” nos prometeu a felicidade, mas não conseguiu entregar. Estamos cada vez mais cansados e não sabemos o que fazer para mudar isso. ¹

¹ BOTELHO, André. Menos é mais – o que Jesus ensinou, mas insistimos em não entender. Lampejos Livreteria, 2017.

E Francine Jay, a Miss Minimalism, autora do best seller Menos é mais, resume a felicidade como querer aquilo que se tem. Ela também afirma que “A publicidade quer que acreditemos que mais coisas significam mais felicidade, mas, na verdade, mais coisas significam mais dor de cabeça e dívidas”.

Mas sabe o que eu acho mesmo engraçado? Tenho conversado sobre isso com os meus amigos mais próximos, e nós concordamos que agora está até na moda reclamar sobre os excessos de nossa sociedade, buscar uma vida mais simples, etc e etc. Inclusive, indico um documentário muito bom que encontrei na Netflix sobre o tema, Minimalism: a documentary about the important things.

Entretanto, enquanto refletia essa semana, me lembrei que todas essas mesmas questões que levantamos hoje já foram feitas há muito, mas muito mesmo, tempo atrás. Eu acredito na existência do Rei Salomão pela minha simples questão de fé no Cristianismo e pelos relatos históricos contados no Antigo Testamento, mas caso você possa ter alguma dúvida quanto a realidade desses fatos, acho válido apenas dizer que arqueólogos e pesquisadores têm encontrado fatos históricos que evidenciam algumas ocorrências que não contrariam o que foi dito na Bíblia (e nesse caso específico me refiro ao quinto item desse link).

Enfim, o que eu quero mesmo dizer é que o Rei Salomão já enfrentou esses mesmos dilemas que a nossa sociedade atual questiona hoje, há muito mais tempo. Tanto que, no livro de Eclesiates, é ele quem diz:

Eu disse a mim mesmo: Venha. Experimente a alegria. Descubra as coisas boas da vida! Mas isso também se revelou inútil. Concluí que o rir é loucura, e a alegria de nada vale. Decidi entregar-me ao vinho e à extravagância, mantendo, porém, a mente orientada pela sabedoria. Eu queria saber o que vale a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana.

Lancei-me a grandes projetos: construí casas e plantei vinhas para mim. Fiz jardins e pomares e neles plantei todo tipo de árvore frutífera. Construí também reservatórios para irrigar os meus bosques verdejantes. Comprei escravos e escravas, e tive escravos que nasceram em minha casa. Além disso, tive também mais bois e ovelhas do que todos os que viveram antes de mim em Jerusalém. Ajuntei para mim prata e ouro, tesouros de reis e províncias. Servi-me de cantores e cantoras, e também de um harém, as delícias dos homens. Tornei-me mais famoso e poderoso do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, conservando comigo a minha sabedoria.

Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. Na verdade, eu me alegrei em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço.

Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol.

Eclesiastes 2:1-11, NVI

Ou seja, não é só a nossa geração que está insatisfeita, o nosso problema é bem mais profundo que isso. E será possível que uma ideia, relativamente recente quando comparada ao problema, seja capaz de resolvê-lo?

Particularmente, acredito que o Minimalismo tem, sim, coisas muito úteis que podemos aplicar em nossa busca de uma vida com maior qualidade. Mas ainda assim, penso que ele por si só não seja o suficiente… Meio que sou uma daquelas pessoas que pesa em tudo aquilo que pode ser considerado, mas com equilíbrio, sabe?

Como assim? Bem, penso que o Minimalismo seja uma boa ideia de organização de espaço, tempo, assim como uma boa maneira de repensar o meu consumo; só que isso não significa que necessariamente que vou largar todas as minhas coisas e emprego agora, e me tornar uma nômade – até porque essa também é uma forma incorreta de interpretar o próprio minimalismo. E é a partir dessa óptica que venho encontrando mais satisfação de vida ao concordar com algumas propostas que essa simplicidade me apresenta, mas esse é um pensamento que eu só vou poder concluir na semana que vem.

Corre atrás do vento – Estêvão Queiroga

Manhãs de sábado

Cristianismo, Reflexões

E aí, tudo bom com vocês? Feliz ano atrasado! – mas muito atrasado mesmo.

Não, eu não desisti do blog. Mas comecei a trabalhar em janeiro, e isso tem interferido bastante em como o meu tempo é dividido. E neste exato momento o meu Notebook está com uns probleminhas de acesso, e cá estou eu tentando editar esse texto do meu celular, com essa formatação horrível, só porque sinto muita saudade de escrever… Uma hora as coisas vão se encaixando e tomando o seu jeito.

Além disso tudo, tem outra coisa que vocês vão perceber à medida que eu for postando os meus textos novos aqui: não me sinto mais a mesma de antes, e ainda estou aprendendo a lidar com isso. Não sei bem se é crise dos vinte, a correria da vida adulta, o fim da faculdade ou os meus gostos e planos que estão mudando – provavelmente a mistura de todas essas coisas ao mesmo tempo. Só sei que o meu jeito tem mudado, e eu me sinto um pouco menos doce que o comum e psicologicamente mais velha; e consequentemente isso tem alterado o meu modo de pensar, sentir, planejar, me mover e escrever. Algumas pessoas que andam mais perto de mim comentaram ter notado a diferença; e eu não sei se os que me acompanham aqui há mais tempo também vão perceber, mas se por acaso acharem algo meio estranho é porque esse excesso de mudanças tem me transformado mesmo.

Explicações dadas, vamos partir para o que de fato interessa: há alguns sábados acordei cedo, e desde então um pensamento não me saiu da cabeça.

Como já mencionei acima, estou trabalhando, e trabalhando bem longe de casa. Gosto muito do que faço, mas acordo muito cedo e de repente passei a dormir todos os dias no transporte, assim como tomar mais capuccinos do que jamais tomei. Exceto aos sábados, nunca aos sábados: meus sábados são a antítese de tudo o que falei.

Só que naquele sábado não foi bem assim que as coisas aconteceram. Na sexta anterior, saí pra comer com uma amiga após o expediente, e depois que cheguei em casa tentei mexer em algumas coisas antes de dormir. Era só meia-noite e quinze e eu já estava muito cansada; coisa que não acontecia até seis meses atrás. Então programei meu celular para despertar às 9:30 e dormi lindamente.

O que eu nunca iria imaginar é que, em vez de levantar às 9:30 como planejei, às seis da manhã já acordaria inquieta e ficaria me revirando na cama em uma tentativa mísera de dormir novamente como aconteceu. “Vai ver é minha posição”, pensei, “Vou mudar de lado e pronto!”. Só que nada!

Pra não dizer nada, dei alguns cochilos leves, mas nada que eu pudesse chamar de sono profundo porque toda hora eu ficava perdendo o sono de novo. E lá estava eu, me revirando mil vezes em baixo das cobertas com a esperança frustrada de dormir até mais tarde, mas ainda assim me recusando a me levantar cedo no meu único dia de descanso.

No entanto, Deus costuma me mostrar algumas coisas sempre que tento e não consigo dormir, tanto que 80% das minhas letras de músicas (contando as que vocês obviamente não conhecem) surgiram assim. Eu só nunca havia experimentado isso pela manhã.

Recentemente eu reli os quatro evangelhos, e eles ainda estavam fresquinhos em minha cabeça quando isso me aconteceu. Aí fiquei refletindo nas palavras que Jesus gravadas em João 8.36:

“Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres”.

E fiquei me perguntando: por que às vezes não conseguimos desfrutar plenamente de nossa liberdade se já somos livres?

O meu gatilho para esta reflexão foi uma manhã sem a minha liberdade de dormir  sendo exercida, mas quantas outras vezes já vi eu mesma e outros presos à coisas das quais Cristo já nos libertou? Já parou pra pensar nisso?

Desde esse dia passei a me policiar muito mais quando qualquer sentimento ou pensamento negativo tentam encontrar espaço em minha cabeça, e venho sentindo uma liberdade intensa como há tempos não sentia!

Passei a listar coisas onde essa liberdade já me alcançou, e vou compartilhar algumas delas com vocês:

  1. Cristo já me libertou de toda mágoa;
  2. Cristo já me libertou de todo orgulho;
  3. Cristo já me libertou de todo o medo;
  4. Cristo já me libertou de todo engano;
  5. Cristo já me libertou de toda defraudação emocional;
  6. Cristo já me libertou de todo o passado;
  7. Cristo já me libertou de toda condenação;
  8. Cristo já me libertou dos outros;
  9. Cristo já me libertou, principalmente, de mim mesma.

Eu ando lendo um livro muito bom do John Piper chamado Graça Futura, onde ele explica que só a fé na graça futura, e não a gratidão, pode nos manter perseverantes em Deus. Porém, neste mesmo livro ele também diz que a gratidão nos leva a reconhecer que o tanque das graças passadas é inesgotável e só aumenta a cada dia!

Quero encerrar este texto convidando vocês, caros leitores, a refletirem o quanto também foram cercados pela graça e pela liberdade de Cristo no passado, ainda que de início não tenham compreendido, o quanto isso impactou suas vidas de forma positiva hoje e o quanto mais Ele tem preparado para nós no futuro – obviamente não digo isso em termos de teologia da prosperidade, mas espero que vocês já saibam disso.

“‘Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, declara o Senhor, ‘e os trarei de volta do cativeiro'”.

Jeremias 29:11, NVI

Até a próxima!

Você é tão lindo!

Cristianismo, Reflexões

Sabe quando uma música não quer sair da sua cabeça? Quando você ouve, canta e toca a mesma coisa por dias e dias, ao ponto de sua irmã implorar que você pare porque ela não aguenta mais?

Pois é, eu sei. E há aproximadamente duas semanas Pulsante tem sido essa música para mim.

Sei que já têm textos em outros blogs falando sobre essa música (inclusive, até recomendo a leitura deste aqui), e não tenho a pretensão de copiar nenhum deles. Mas, considerando que meu coração vem sendo bastante confrontado em vários aspectos que se relacionam a essa letra ultimamente, sinto uma necessidade de compartilhar um pouco do que tem significado para mim.

Geralmente algumas pessoas me dizem coisas como “Nossa, você é uma mulher de Deus!”, “Você é uma verdadeira adoradora”, “Quero me parecer mais com você” etc, e eu não estou falando isso para me vangloriar nessas coisas, muito pelo contrário. Eu realmente quero ser tudo isso que acham que sou, mas não me enxergo dessa maneira, porque quando olho bem dentro de mim sei o quanto ainda falho e preciso melhorar – e melhorar muito! Isso é bom porque me dá cada vez mais a consciência de que eu preciso de Deus, e que se houver alguma coisa boa em mim é só por causa Dele.

Quando converso com pessoas na faculdade sobre cristianismo, ou em qualquer outro lugar, percebo que a visão delas sobre o assunto é muito distorcida. Em parte porque a televisão faz isso quando propaga uma teologia da prosperidade, onde Deus está mais para um mordomo subordinado às nossas vontades do que o Criador dos céus e da Terra; e também porque nós, cristãos (ou supostos cristãos), ainda não aprendemos a nos parecer plenamente com Cristo, e isso passa uma visão completamente equivocada de quem Ele é.

A verdade é que Ele é uma pessoa, e não uma religião, portanto o relacionamento com Ele deve constituir a base de nossa fé, e não ritos. E relacionamentos são bem mais complexos, demandam muito mais esforço que quaisquer ritos. É infinitamente mais fácil para qualquer um de nós nos reunirmos aos domingos, com sorrisos estampados nos rostos e vestidos de boas, do que ser de fato cristãos nos demais dias da semana, relembrando e seguindo os passos de Cristo nas mesmas situações que Ele também enfrentou – é claro que, quando digo isso, não me refiro à crucificação literal que nenhum de nós enfrentou (exceto alguns casos atuais em outros países, e outras épocas), mas às situações adversas pelas quais não passaríamos se tivéssemos a chance de escolher.

Perguntei a mim mesma o que significa cristianismo para mim, e apesar de saber que a origem da palavra cristão remete a parecer-se com Cristo, minha resposta pessoal também acrescentaria “paz para a minha alma”. Só que de uma forma bem paradoxal, compreende? Porque nem todos compreendem, e não posso culpá-los.

Paulo, o apóstolo, era um cara que manjava muito sobre muitas coisas. Se o tema fosse religião, então, era provavelmente mais zeloso no cumprimento da Lei que qualquer um de nós; e mesmo assim, um belo dia, seu mundo virou de cabeça para baixo. De repente, tudo aquilo que aprendeu ao longo de sua vida deixou de valer e ele precisou despojar-se disso para abraçar toda uma concepção nova de vida. Esse mesmo dilema vivido por Paulo foi também retratado por Bob Dylan (sim, ele mesmo!) em Gonna change my way of thinking, minha música preferida do primeiro álbum (Slow Train Coming) de sua aproximação com a fé cristã – como alguns sabem, depois de três álbuns ele acabou voltando às suas origens judaicas e desprezando as experiências que teve; mas isso seria um assunto muito longo para adentrar agora.

O fato é que Paulo chegou a brilhante conclusão que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes” (1Coríntios 6:27, NVI). E eu vejo nesse versículo muito mais que uma frase de efeito: vejo a essência de muitas coisas para as quais não existe uma resposta pronta.

É comum que, ao começar a acreditar em Deus, as pessoas subentendam que, por Ele ser dono de toda a misericórdia e bondade, nunca mais encontrarão problemas na vida. Ou que se fizerem as coisas do jeito certo, e pedirem do jeito certo, Deus é obrigado a cumprir todas as suas vontades – porque afinal de contas, Ele é poderoso para fazer com que qualquer coisa aconteça e “Olha como eu sou um filho bom, cumprindo todas as minhas obrigações religiosas. Por que Deus não me abençoaria?”.

Eu acho que a única pessoa que realmente poderia usar esse discurso com propriedade é Jesus, e mesmo para Ele as coisas não funcionaram desse jeito. Jesus, o Cordeiro Santo que tira o pecado do mundo, orou para que, caso fosse possível, Deus afastasse Dele o sofrimento vindouro; e teve Seu pedido recusado. Porém, no mesmo versículo em que Jesus ora pedindo para não ser crucificado, Ele também abre mão da Sua própria vontade e se rende ao propósito para o qual veio ao mundo (Mt 26:39); e Ele é o mesmo Jesus que disse que aqueles que O quisessem seguir deveriam também negar-se a si mesmos e tomar suas próprias cruzes (Mt 16:24).

Nenhum de nós gosta de tomar a sua própria cruz, porque é desagradável. Porque dói, incomoda e pesa. E é justamente aí que se encontra o paradoxo, é surpreendente que à medida que passo a me render à dor dos pregos de minha própria cruz, encontro paz. O amor não diminui quando sou confrontada, ele cresce; e indo ainda mais adiante, o momento em que mais cresço é quando diminuo – é onde as coisas loucas e fracas que Paulo descreveu começam a fazer algum sentido.

É quando nenhuma lágrima, perda, peso ou dor se comparam à beleza e à paz que não encontro em nenhum lugar fora Dele.

Minha justiça não vale nada

Cristianismo, Reflexões

Oi! Preciso avisar vocês que esse blog passará por algumas mudanças.

Acontece que, apesar de já ter postado alguns estudos bíblicos e coisas semelhantes aqui, por ser um blog pessoal, eles nunca foram muito constantes – e isso vai mudar um pouco a partir de agora.

Na verdade, até pensei em criar um outro blog, para as coisas não ficarem muito misturadas e confusas. Mas, embora não pareça, criar um blog dá trabalho, sabia? É preciso pensar em nomes novos e tantos outros detalhes que não surgem simplesmente de uma hora pra outra, além de conciliar dois blogs com as matérias restantes da faculdade, estágio, cursos, projetos pessoais etc. Se eu fosse levar todas essas coisas em conta e criar um novo endereço mesmo assim, precisaria no mínimo de uns dois meses para me organizar, e isso atrapalharia a urgência que eu venho sentindo em compartilhar algumas coisas.

Isso não quer dizer, entretanto, que vou parar de escrever crônicas e textos sobre assuntos diversos. Só que num primeiro momento isso se tornará secundário, mas com um tempo as coisas vão acabar se alinhando. Pelo menos é essa a minha expectativa.

Ainda não sei bem como definir a categoria desse texto que estou escrevendo, mas pode-se dizer que ele serve como uma introdução para todos os temas semelhantes que serão tratados daqui para frente. E acho que chega de avisos por enquanto.

Indo direto ao assunto, nessa semana estive pensando bastante em umas coisas que costumo ouvir, e é justamente sobre isso que quero falar. Acredito que já falei aqui um pouco sobre minha vida em alguns textos, sobre a minha experiência de ter nascido em um lar cristão, ter me desviado aos quatorze anos e só ter me fixado novamente em uma igreja local quando já tinha dezessete (falei, não?).

O que eu não contei ainda é que nesse período que andei afastada minha vida não era tão interessante quanto as pessoas costumam imaginar, nada que fosse do tipo ‘sexo, drogas e rock’n’roll’, ou parecido com isso. Na verdade, eu sempre tive fama ser a “certinha” dentre as minhas amigas, nerd, a mais ajuizada, decidida, pé no chão etc. Tanto que quando me converti várias pessoas me disseram “Por que? Você nem precisa” e outros discursos semelhantes.

Domingo agora, conversando com uma de minhas melhores amigas, voltei a ouvir esse mesmo discurso, coisa que há anos não acontecia. E durante toda a semana isso não me saiu da cabeça.

Acontece que eu, que me conheço melhor que todas essas pessoas queridas, não penso que eu era TÃO boa assim como eles tendem a acreditar. Eu era rancorosa, não sabia perdoar. Orgulhosa. Infeliz. E vingativa também. Às vezes ficava meio difícil de distinguir o que fazia parte da minha imaginação e o que era realmente verdade, e outras vezes eu era meio estressada, quase grossa; e obviamente estava sempre certa também, as outras pessoas nunca tinham razão… Sinceramente, acho que se fosse para cavar todas as qualidades ruins que eu tinha e as outras pessoas não viam, me faltariam palavras para descrever com exatidão.

Sendo mais sincera ainda, continuo descobrindo coisas em que eu preciso melhorar quase todos os dias – e digo quase não porque nos outros dias eu me julgue perfeita, mas sim porque muito provavelmente deixo algum defeito passar batido. Sabe como é, a gente tende a ser muito compassivo conosco, o problema está sempre nos outros…

O que quero dizer é que, há aproximadamente sete anos, descobri que minha justiça não valia muita coisa; e mesmo hoje não continua valendo. A verdade é que muito me choca quando vejo pessoas supostamente cristãs se autoproclamando “merecedoras” da salvação em um mundo onde todas as demais pessoas têm todos os motivos para arder eternamente no inferno, porque a mensagem da cruz me mostra claramente que ninguém merece coisa alguma, exceto arder eternamente no inferno (TODOS, sem exceção); e aí surge uma coisa inexplicável, incompreensível, chamada Graça, que oferece à todas as pessoas justamente o contrário do que elas mereciam receber.

É de se dar um nó na cabeça, não?

Eu sei que é sim. Mas é fundamental, é a base de tudo o que vivo e acredito. E as demais coisas vou explicando depois.