Satisfação

Cristianismo, Reflexões

Saudações vulcanas!

Acho que acabei dando bem mais que uma semana para vocês absorverem o último conteúdo que compartilhei aqui, certo? Pois vim concluir aquele pensamento pendente. Só que hoje eu não vou usar tantas referências e textos feitos por outras pessoas como na última vez, porque o objetivo é justamente compartilhar aquilo que eu mesma já venho experimentando e sentindo com o Minimalismo.

Primeiro de tudo, acho que já deixei bem claro no texto anterior que procuro manter um pensamento equilibrado sobre tudo o quanto me é possível. Então, não é como se eu tivesse parado com qualquer forma de consumo desde a última vez que escrevi aqui, e se for esse o pensamento de alguém ao me ler, sinto por desapontá-los desde já. Inclusive, não sei se vocês repararam, mas às vezes aparece um calor bem intenso aqui em São Paulo – o que naturalmente significa que precisei comprar mais roupas que me ajudassem a não morrer de calor.

Aí é que está o ponto, perceberam? E é bem sutil: eu precisei comprar roupas mais frescas. Precisar é bem diferente de querer, e não é necessário fazer uma especialização em Marketing para compreender bem quão distintas são essas duas coisas.

Para tudo o que venho consumindo, antes de chegar a uma decisão tenho me feito essa simples pergunta: Será mesmo que eu preciso disso? Parece até bobo dizer uma coisa tão óbvia, mas pensar duas vezes faz mesmo a maior diferença!

Nesse aspecto eu acredito que Cristianismo e Minimalismo têm tudo a ver, sabe? A gente costuma ver tanta coisa estranha na televisão sobre o que supostamente deveria significar Igreja, e essa falsa Teologia da Prosperidade se espalhando por todos os cantos, que não é de se estranhar que incrédulos torçam o nariz ao ouvir qualquer coisa a respeito de Cristianismo. Contudo, como cristãos, é nosso dever fazer com que através de nossas próprias práticas de vida essas mesmas pessoas possam descobrir que nada daquilo que está na TV é verdade, que há uma Essência que há muito foi perdida, e que nós podemos traçar veredas antigas que nos levem de volta para o lugar onde tudo deveria de fato estar.

Essa essência é Jesus e os Seus ensinamentos sobre uma vida simples. O problema é que, como já cantou KT Tunstall, nós somos pássaros com os olhos voltados para qualquer coisa brilhante, e frequentemente precisamos nos lembrar de quem somos e para onde vamos. Se nada aqui é definitivamente duradouro, então qual o sentido de me deixar gastar por aquilo que não permanece?

Eu li nos Evangelhos o que Jesus diz sobre uma vida modesta, e até pensei que já tinha compreendido, assim como o que Paulo disse sobre saber lidar com todas as perdas ou ganhos tendo uma vida sustentada pela Graça. Mas sou humana, complicada, e fora do cotidiano é difícil, senão impossível, compreender plenamente qualquer coisa. Não é como se eu fosse capaz de aprender verdadeiramente isso sem antes sentir na minha própria pele.

Minha vida não é isenta de problemas, tampouco de correria. Na verdade, correria e pressão é o que mais sinto todos os dias, e tem sido mais do que aliviador relembrar que o meu lugar de paz independe de tudo isso.

Eu amo assistir Gilmore Girls, e nos períodos de stress que tive esse ano usei a série como calmante. Mas aí percebi que não queria precisar de uma série de vidas simples para me acalmar, e sim ter uma vida simples que naturalmente transbordasse calma. Seria mentira dizer que vez ou outra não bate um desassossego ou revolta com alguém ou alguma coisa, mas depois de posta a inquietação para fora me vem de volta a desejada calmaria.

Menos luxo significa mais tempo. Há aproximadamente dois meses abri mão do ônibus fretado, do meu travesseirinho de viagem, de um cobertor e de uma mochila grande e pesada. Voltei para o transporte público, para aquele calor humano sempre indesejado. E sabe o que eu encontrei? Paz. Paz para me contentar com um lugar vago no ônibus até a estação de metrô e quando muito uma hora de sono nesse trajeto, bem menos do que outrora eu costumava ter. Paz para aproveitar esse tempo gasto com a distância para pôr as minhas leituras em dia, descobrir músicas novas e desenterrar ideias que há muito estavam esquecidas. Paz para chegar mais cedo em casa, sair ou ficar por aqui mesmo, sair da rodinha do hamster e não apenas lembrar, mas realmente sentir, quão bela e simples a vida pode ser.

Talvez quem me acompanha pelo Instagram tenha percebido um pouco dessa mudança no meu Stories. Eu venho mostrando muita coisa boba do meu cotidiano ali ultimamente e alguns dos meus momentos em casa, não por que eu não goste de sair ou qualquer coisa assim, mas sim porque tenho me alegrado muito em desfrutar de cada um desses momentos singelos; e no mundo infestado de publicidade, na busca pelas melhores poses e ângulos que vemos em todas as nossas redes sociais, acho bom lembrar e mostrar ao mundo que a felicidade também reside, e principalmente reside, nos momentos simples que colecionamos, além da liberdade de ser quem somos.

É na junção dessas coisas bobinhas que venho encontrando mais qualidade de vida e satisfação, e sei que se você tentar pode encontrar também 😉

Até mais!

Eternidade em mim

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Sobre ceticismo e A Dustland Fairytale

Cristianismo

Há alguns meses, em uma segunda-feira aparentemente normal, mil coisas aconteceram até que eu pudesse chegar em meu trabalho – não foi só uma pedra no caminho, Drummond poderia ter contado pelo menos umas dez.

Foi dentre uma dessas pedras que o fretado quebrou, nos deixando parados na Celso Garcia por um bom tempo. E, como dormir deixou de ser uma opção naquele momento, tirei meu celular da mochila e comecei a ouvir uma de minhas playlists aleatórias no Spotify. Aí fiquei matutando algumas coisas com os meus botões.

Há já alguns anos que fui perdendo o contato com grande parte das pessoas que me conheciam durante a infância e a adolescência, exceto por uns poucos (e bons) amigos e alguns encontros ocasionais. E quem me conhece hoje, me vendo entre um vestido florido e outro, mal consegue imaginar que em alguma outra fase de minha vida o meu guarda-roupa era praticamente todo preto e eu só ouvia rock – e continuo ouvindo, rs.

Dentre as diversas músicas que marcaram essa fase de minha vida, se tem uma que eu nunca me esqueço é A Dustland Fairytale. Quando me perguntavam por que eu era tão fascinada por essa música, nunca sabia responder se era por conta do videoclipe cinematográfico, da performance do Brandon Flowers, ou devido a sua letra digna de mil tramas supostamente não-clichês que eu mesma bolava em minha mente. Acredito que, até ficar desenterrando esses pensamentos enquanto travada aquele dia no trânsito de SP, passei anos me convencendo que era o conjunto da obra.

Só que não era bem assim. Conforme o tempo foi passando, percebi que nenhuma dessas coisas seria um motivo suficientemente forte para que eu me identificasse com essa ou qualquer outra música. Mas o meu ceticismo sim, esse era um motivo por si só mais que suficiente.

Sim, ceticismo. É isso mesmo que você acabou de ler.

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Sabe, eu concordo muito com o Cortella quando ele afirma que não nascemos prontos, e as intempéries da vida tendem a nos levar para um lado ou para o outro; quanto mais se a idade é pouca, a experiência ainda falta, e não se sabe administrar as emoções em seu devido lugar. Não penso, entretanto, que nenhuma dessas intempéries sirva como justificativa para falha alguma, tanto minha quanto alheia, mas reconheço sua capacidade de nos moldar – tanto beneficamente quanto o contrário.

Durante muito tempo essas intempéries me moldaram: nasci em um lar Batista, protestante. Experimentei uma sequência de fatos desagradáveis, aí levei uns baques. Passei alguns anos questionando tudo e todos, até enfim poder me reencontrar de novo – o que só aconteceu quando eu pude, enfim, encontrar Deus no meio de tudo isso.

Acho que foi assim que eu acabei pensando em todas essas coisas, aliás: tudo começou com Deus, o tempo, e as reviravoltas que a vida dá. É engraçado como os anos passam e as coisas nunca ficam no mesmo lugar! Já dizia o poeta: “Sei lá, sei lá; a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá; eu só sei que ela está com a razão”.

Nunca que naqueles anos longínquos eu imaginaria com o que a vida me surpreenderia mais tarde: de cessacionista, e depois cética, eu passaria a ser continuísta – e entenda que, quando me declaro continuísta, não estou nem por um segundo concordando com as bizarrices que vemos no meio gospel atualmente, ou ignorando que todo sinal e maravilha deva ser analisado à luz da Palavra (Sola Scriptura!). A esse respeito, li há alguns dias um texto que ilustra bem o meu pensamento, e quem sabe um dia eu ainda me atreva a escrever sobre isso.

As mudanças não pararam por aí, foram inúmeras até que eu me tornasse quem sou hoje, e continuam outras tantas até que pouco a pouco eu descubra o que me espera amanhã.

Atualmente eu ando me identificando com outras coisas, outras letras e melodias. Nesses últimos meses, não consigo pensar em uma letra com que eu me identifique mais do que essa:

  • Ele me deu esperança – Rm 5:3-5

  • Ele fez tudo novo outra vez – 2Co 5:17

Manhãs de sábado

Cristianismo, Reflexões

E aí, tudo bom com vocês? Feliz ano atrasado! – mas muito atrasado mesmo.

Não, eu não desisti do blog. Mas comecei a trabalhar em janeiro, e isso tem interferido bastante em como o meu tempo é dividido. E neste exato momento o meu Notebook está com uns probleminhas de acesso, e cá estou eu tentando editar esse texto do meu celular, com essa formatação horrível, só porque sinto muita saudade de escrever… Uma hora as coisas vão se encaixando e tomando o seu jeito.

Além disso tudo, tem outra coisa que vocês vão perceber à medida que eu for postando os meus textos novos aqui: não me sinto mais a mesma de antes, e ainda estou aprendendo a lidar com isso. Não sei bem se é crise dos vinte, a correria da vida adulta, o fim da faculdade ou os meus gostos e planos que estão mudando – provavelmente a mistura de todas essas coisas ao mesmo tempo. Só sei que o meu jeito tem mudado, e eu me sinto um pouco menos doce que o comum e psicologicamente mais velha; e consequentemente isso tem alterado o meu modo de pensar, sentir, planejar, me mover e escrever. Algumas pessoas que andam mais perto de mim comentaram ter notado a diferença; e eu não sei se os que me acompanham aqui há mais tempo também vão perceber, mas se por acaso acharem algo meio estranho é porque esse excesso de mudanças tem me transformado mesmo.

Explicações dadas, vamos partir para o que de fato interessa: há alguns sábados acordei cedo, e desde então um pensamento não me saiu da cabeça.

Como já mencionei acima, estou trabalhando, e trabalhando bem longe de casa. Gosto muito do que faço, mas acordo muito cedo e de repente passei a dormir todos os dias no transporte, assim como tomar mais capuccinos do que jamais tomei. Exceto aos sábados, nunca aos sábados: meus sábados são a antítese de tudo o que falei.

Só que naquele sábado não foi bem assim que as coisas aconteceram. Na sexta anterior, saí pra comer com uma amiga após o expediente, e depois que cheguei em casa tentei mexer em algumas coisas antes de dormir. Era só meia-noite e quinze e eu já estava muito cansada; coisa que não acontecia até seis meses atrás. Então programei meu celular para despertar às 9:30 e dormi lindamente.

O que eu nunca iria imaginar é que, em vez de levantar às 9:30 como planejei, às seis da manhã já acordaria inquieta e ficaria me revirando na cama em uma tentativa mísera de dormir novamente como aconteceu. “Vai ver é minha posição”, pensei, “Vou mudar de lado e pronto!”. Só que nada!

Pra não dizer nada, dei alguns cochilos leves, mas nada que eu pudesse chamar de sono profundo porque toda hora eu ficava perdendo o sono de novo. E lá estava eu, me revirando mil vezes em baixo das cobertas com a esperança frustrada de dormir até mais tarde, mas ainda assim me recusando a me levantar cedo no meu único dia de descanso.

No entanto, Deus costuma me mostrar algumas coisas sempre que tento e não consigo dormir, tanto que 80% das minhas letras de músicas (contando as que vocês obviamente não conhecem) surgiram assim. Eu só nunca havia experimentado isso pela manhã.

Recentemente eu reli os quatro evangelhos, e eles ainda estavam fresquinhos em minha cabeça quando isso me aconteceu. Aí fiquei refletindo nas palavras que Jesus gravadas em João 8.36:

“Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres”.

E fiquei me perguntando: por que às vezes não conseguimos desfrutar plenamente de nossa liberdade se já somos livres?

O meu gatilho para esta reflexão foi uma manhã sem a minha liberdade de dormir  sendo exercida, mas quantas outras vezes já vi eu mesma e outros presos à coisas das quais Cristo já nos libertou? Já parou pra pensar nisso?

Desde esse dia passei a me policiar muito mais quando qualquer sentimento ou pensamento negativo tentam encontrar espaço em minha cabeça, e venho sentindo uma liberdade intensa como há tempos não sentia!

Passei a listar coisas onde essa liberdade já me alcançou, e vou compartilhar algumas delas com vocês:

  1. Cristo já me libertou de toda mágoa;
  2. Cristo já me libertou de todo orgulho;
  3. Cristo já me libertou de todo o medo;
  4. Cristo já me libertou de todo engano;
  5. Cristo já me libertou de toda defraudação emocional;
  6. Cristo já me libertou de todo o passado;
  7. Cristo já me libertou de toda condenação;
  8. Cristo já me libertou dos outros;
  9. Cristo já me libertou, principalmente, de mim mesma.

Eu ando lendo um livro muito bom do John Piper chamado Graça Futura, onde ele explica que só a fé na graça futura, e não a gratidão, pode nos manter perseverantes em Deus. Porém, neste mesmo livro ele também diz que a gratidão nos leva a reconhecer que o tanque das graças passadas é inesgotável e só aumenta a cada dia!

Quero encerrar este texto convidando vocês, caros leitores, a refletirem o quanto também foram cercados pela graça e pela liberdade de Cristo no passado, ainda que de início não tenham compreendido, o quanto isso impactou suas vidas de forma positiva hoje e o quanto mais Ele tem preparado para nós no futuro – obviamente não digo isso em termos de teologia da prosperidade, mas espero que vocês já saibam disso.

“‘Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, declara o Senhor, ‘e os trarei de volta do cativeiro'”.

Jeremias 29:11, NVI

Até a próxima!

Cartas vivas

Cristianismo, Devocionais

Desde os meus seis anos, que eu me lembre, sempre gostei muito de fazer e receber cartas. Mantive esse costume por muitos e muitos anos, ainda que nem sempre enviadas por meios oficiais como o correio; mas guardo em uma lata todas as cartas e bilhetes que já recebi das pessoas que são ou já foram importantes na minha vida.

Existe uma coisa mágica nas cartas e bilhetes que nenhum e-mail, SMS ou mensagem de whatsapp consegue substituir. Gosto principalmente das cartas manuscritas porque elas carregam a ideia de que a pessoa que escreveu parou e gastou um tempo específico pensando no que queria dizer e em como faria isso, o que é bem contrário à urgência dos modelos de mensagens que costumamos enviar.

Eu sinceramente acho que deveríamos voltar a escrever mais cartas. É claro que reconheço que elas não são nada mais que um veículo, um meio de transmitir uma mensagem; mas ainda assim são um dos meios que mais gosto.

Há alguns dias, enquanto estava fazendo minha devocional, achei na Bíblia uma analogia muito interessante que fala, justamente, sobre cartas. Na segunda carta de Paulo aos coríntios, o apóstolo diz:

Vocês mesmos são a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos. Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos.
2 Coríntios 3:2-3, NVI

Gosto das cartas porque elas me servem de lembretes, assim como as dedicatórias. Cada palavra, traço ou vírgula escrita revela uma porção do quanto significamos para quem as escreve; e Paulo nos compara a cartas vivas! Ou seja, cada pensamento e ação nossa devem transmitir a mensagem de Cristo, não com palavras vazias de sentido, e sim como prática de vida.

Não sei explicar o quão lisonjeada me senti quando li isso. Deus, que é grande e poderoso, que poderia escolher quaisquer outros meios mais eficazes se assim quisesse, escolheu um ser tão pequenino e falho quanto eu para viver e só então transmitir o Seu recado. E eu não consigo imaginar nenhuma mensagem mais importante.

Você é tão lindo!

Cristianismo, Reflexões

Sabe quando uma música não quer sair da sua cabeça? Quando você ouve, canta e toca a mesma coisa por dias e dias, ao ponto de sua irmã implorar que você pare porque ela não aguenta mais?

Pois é, eu sei. E há aproximadamente duas semanas Pulsante tem sido essa música para mim.

Sei que já têm textos em outros blogs falando sobre essa música (inclusive, até recomendo a leitura deste aqui), e não tenho a pretensão de copiar nenhum deles. Mas, considerando que meu coração vem sendo bastante confrontado em vários aspectos que se relacionam a essa letra ultimamente, sinto uma necessidade de compartilhar um pouco do que tem significado para mim.

Geralmente algumas pessoas me dizem coisas como “Nossa, você é uma mulher de Deus!”, “Você é uma verdadeira adoradora”, “Quero me parecer mais com você” etc, e eu não estou falando isso para me vangloriar nessas coisas, muito pelo contrário. Eu realmente quero ser tudo isso que acham que sou, mas não me enxergo dessa maneira, porque quando olho bem dentro de mim sei o quanto ainda falho e preciso melhorar – e melhorar muito! Isso é bom porque me dá cada vez mais a consciência de que eu preciso de Deus, e que se houver alguma coisa boa em mim é só por causa Dele.

Quando converso com pessoas na faculdade sobre cristianismo, ou em qualquer outro lugar, percebo que a visão delas sobre o assunto é muito distorcida. Em parte porque a televisão faz isso quando propaga uma teologia da prosperidade, onde Deus está mais para um mordomo subordinado às nossas vontades do que o Criador dos céus e da Terra; e também porque nós, cristãos (ou supostos cristãos), ainda não aprendemos a nos parecer plenamente com Cristo, e isso passa uma visão completamente equivocada de quem Ele é.

A verdade é que Ele é uma pessoa, e não uma religião, portanto o relacionamento com Ele deve constituir a base de nossa fé, e não ritos. E relacionamentos são bem mais complexos, demandam muito mais esforço que quaisquer ritos. É infinitamente mais fácil para qualquer um de nós nos reunirmos aos domingos, com sorrisos estampados nos rostos e vestidos de boas, do que ser de fato cristãos nos demais dias da semana, relembrando e seguindo os passos de Cristo nas mesmas situações que Ele também enfrentou – é claro que, quando digo isso, não me refiro à crucificação literal que nenhum de nós enfrentou (exceto alguns casos atuais em outros países, e outras épocas), mas às situações adversas pelas quais não passaríamos se tivéssemos a chance de escolher.

Perguntei a mim mesma o que significa cristianismo para mim, e apesar de saber que a origem da palavra cristão remete a parecer-se com Cristo, minha resposta pessoal também acrescentaria “paz para a minha alma”. Só que de uma forma bem paradoxal, compreende? Porque nem todos compreendem, e não posso culpá-los.

Paulo, o apóstolo, era um cara que manjava muito sobre muitas coisas. Se o tema fosse religião, então, era provavelmente mais zeloso no cumprimento da Lei que qualquer um de nós; e mesmo assim, um belo dia, seu mundo virou de cabeça para baixo. De repente, tudo aquilo que aprendeu ao longo de sua vida deixou de valer e ele precisou despojar-se disso para abraçar toda uma concepção nova de vida. Esse mesmo dilema vivido por Paulo foi também retratado por Bob Dylan (sim, ele mesmo!) em Gonna change my way of thinking, minha música preferida do primeiro álbum (Slow Train Coming) de sua aproximação com a fé cristã – como alguns sabem, depois de três álbuns ele acabou voltando às suas origens judaicas e desprezando as experiências que teve; mas isso seria um assunto muito longo para adentrar agora.

O fato é que Paulo chegou a brilhante conclusão que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes” (1Coríntios 6:27, NVI). E eu vejo nesse versículo muito mais que uma frase de efeito: vejo a essência de muitas coisas para as quais não existe uma resposta pronta.

É comum que, ao começar a acreditar em Deus, as pessoas subentendam que, por Ele ser dono de toda a misericórdia e bondade, nunca mais encontrarão problemas na vida. Ou que se fizerem as coisas do jeito certo, e pedirem do jeito certo, Deus é obrigado a cumprir todas as suas vontades – porque afinal de contas, Ele é poderoso para fazer com que qualquer coisa aconteça e “Olha como eu sou um filho bom, cumprindo todas as minhas obrigações religiosas. Por que Deus não me abençoaria?”.

Eu acho que a única pessoa que realmente poderia usar esse discurso com propriedade é Jesus, e mesmo para Ele as coisas não funcionaram desse jeito. Jesus, o Cordeiro Santo que tira o pecado do mundo, orou para que, caso fosse possível, Deus afastasse Dele o sofrimento vindouro; e teve Seu pedido recusado. Porém, no mesmo versículo em que Jesus ora pedindo para não ser crucificado, Ele também abre mão da Sua própria vontade e se rende ao propósito para o qual veio ao mundo (Mt 26:39); e Ele é o mesmo Jesus que disse que aqueles que O quisessem seguir deveriam também negar-se a si mesmos e tomar suas próprias cruzes (Mt 16:24).

Nenhum de nós gosta de tomar a sua própria cruz, porque é desagradável. Porque dói, incomoda e pesa. E é justamente aí que se encontra o paradoxo, é surpreendente que à medida que passo a me render à dor dos pregos de minha própria cruz, encontro paz. O amor não diminui quando sou confrontada, ele cresce; e indo ainda mais adiante, o momento em que mais cresço é quando diminuo – é onde as coisas loucas e fracas que Paulo descreveu começam a fazer algum sentido.

É quando nenhuma lágrima, perda, peso ou dor se comparam à beleza e à paz que não encontro em nenhum lugar fora Dele.

Medo de avião

Cristianismo, Devocionais

Quarta-feira passada estudei o modal aéreo na faculdade. Comecei anotando tudo o que pude, prestei atenção nos cálculos e fiz os exercícios; mas depois de um certo tempo minha cabeça começou a viajar.

Quando pequena, eu costumava ter muito medo de avião. Não era só um medinho bobo, sabe? Era pavor, e tudo começou com o 11 de setembro: me lembro de ter oito anos quando os aviões se chocaram contra as torres, e logo minha cabecinha infantil começou a pensar que o Brasil seria o próximo da lista.

Devo ainda dizer que minha casa na época não ficava exatamente longe do aeroporto de Guarulhos… Eu via os aviões ficando cada vez mais altos nos céus e escutava os seus barulhos todos os dias; então obviamente seríamos um alvo em potencial – uma pequena vila no bairro de São Miguel Paulista, veja só!

A gente meio que subestima as paranoias das crianças, mas não é como se tivesse muito tempo que perdi o medo de avião, acho que no máximo uns dois anos.

O curioso é que, não bastava ser uma menina com medo de avião, desde muito cedo quis viajar para vários lugares do mundo, e saca só: não me sinto confortável com a ideia de entrar em navios também! Pra que tanta complicação de vida, não é mesmo? – eu realmente continuo esperando que alguém consiga inventar e popularizar o teletransporte.

Acontece que, à medida que fui crescendo, descobri que o meu medo não era essencialmente de aviões e nem de navios. Sendo bem sincera, não consegui descobrir o nome disso até hoje… Eu basicamente tenho medo de qualquer coisa que literalmente me tire do chão, entende?

Não é medo de altura, acho até bacana a ideia de subir em um prédio alto e ficar observando a vista; mas nunca, jamais, em hipótese alguma, cogitaria fazer bungee jumping, tirolesa, rapel e qualquer outra coisa que me passe a impressão de estar pendurada, flutuando e afins.

Acredito que pisar no chão é uma das melhores sensações da vida! Gosto de caminhar, saber bem onde estou pisando e ter a certeza, ou pelo menos a expectativa, de que as coisas não vão sair desmoronando de repente.

Sem perceber acabei levando esse gosto pra tudo o mais que envolve a minha vida, de formas que aquela garotinha com medo de avião jamais poderia imaginar. Acabei desenvolvendo um instinto de proteção pra todas as minhas decisões cotidianas, onde acabo abandonando tudo em que não sinto firmeza.

É triste pensar que, em tempos de pós-modernidade, a solidez passa a se tornar cada vez mais rara. Eu não sei muito sobre Sociologia, o pouco que sei é por causa do Bauman, e é dele a famosa frase: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”.

Resumindo de maneira bem simples, Bauman reclama sobre a liquidez de nossos tempos. Ele denuncia nossa geração dizendo que estamos cada vez mais modernos, mais submersos em nossos smartphones, redes sociais e tablets onde “conversamos” com mil pessoas ao mesmo tempo, mas estamos perdendo a habilidade de olhar no olho e conversar com uma só. Zygmunt também diz que estamos nos tornando descartáveis, dada a facilidade com que trocamos de amizades e relacionamentos no primeiro conflito de interesses – como dica, eu diria que vale a pena separar um tempo para considerar o que ele diz.

Sabe onde mais eu já encontrei essa liquidez sendo descrita? Na Bíblia! Lá está escrito que com o aumento da maldade o amor de muitos se esfriaria (Mt 12:12), e que nem mesmo aos laços sanguíneos seria dado o valor esperado (Lc 12:53). É só ligar a TV no jornal pra perceber que não é nada distante daquilo que vemos quase todos os dias.

Amélie Poulain é um de meus filmes preferidos, e “São tempos difíceis para os sonhadores” é sua citação mais conhecida e repetida. O problema é que, se a coisa já parece difícil pra quem quer sonhar, também não está fácil para quem prefere colocar os dois pés no chão.

Eu costumava me preocupar demais sempre que me pegava pensando nessas questões, mas enquanto fazia uma de minhas devocionais esse mês encontrei descanso:

“De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos.
Malaquias 3:6, NVI

Ele não muda, Suas misericórdias continuam se renovando a cada manhã (Lm 3:22-23) e só por isso continuo em pé. Só nEle eu encontro mais solidez do que jamais poderia imaginar.

May the force be with you

Cristianismo, Devocionais

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: amo filmes e séries que narram aventuras em outros planetas, viagens no tempo, ficções científicas etc. E como muitos de vocês de já devem ter percebido (bom, pelo menos eu imagino que sim), a Netflix liberou a maioria dos filmes da saga Star Wars – que apesar de eu considerar muito mais fantasia que ficção científica, o enredo é tão cativante que simplesmente não pude resistir.

Não, eu não maratonei. Porque a gente cresce e arranja um monte de coisas sérias pra fazer, e de repente não dá mais pra maratonar filmes e séries como antes. Mas sim, saí assistindo loucamente, e assim continuo, tudo o quanto posso. E também gosto de fazer associações estranhas para ilustrar meus pensamentos, acho bom vocês começarem a se acostumar com isso.

Enfim, enquanto assistia Uma Nova Esperança, e mesmo agora bem depois, uma coisa que Obi Wan Kenobi disse ficou ecoando em minha cabeça. Acho bom já deixar claro que eu não estou querendo comparar o Cristianismo com magia, com a Força e nem nada do tipo; mas achei essa parte muito interessante mesmo!

Nessa cena em questão, Luke Skywalker e Obi Wan Kenobi contrataram Han Solo para os levar até Alderaan, o planeta da princesa Leia, em socorro à Aliança Rebelde. Enquanto Obi Wan está treinando Luke para enfrentar o Império Galáctico na nave, Han Solo faz piadinhas sobre a Força e os exercícios com o sabre de luz. Aí o Kenobi resolve colocar uma viseira antes que Luke tente outra vez, ao passo que este responde:

— Com a viseira abaixada, não consigo ver. Como posso lutar?

— Seus olhos podem enganá-lo. Não confie neles.

A partir daí uma série de outras coisas interessantes acontecem, e eu não vou narrar porque não costumo ser aquela conhecida por soltar spoilers (pelo menos não intencionalmente, porque às vezes meio que escapa, sabe?). Para quem ainda não tiver assistido, recomendo que assista, porque vale muito a pena.

Sabe o que eu achei curioso? Os Cavaleiros Jedi podem ser diferentes dos cristãos em vários aspectos, mas na fé não. E embora a carta aos Hebreus ainda hoje não tenha um senso comum sobre a sua autoria (eu, particularmente, faço coro com aqueles que acreditam que foi escrita por Apolo após a morte de Paulo; mas não posso afirmar isso com convicção), essa fala do Obi Wan me lembrou em muito um versículo bem conhecido:

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
Hebreus 11:1, NVI

Em todo o capítulo 11 de Hebreus podemos ver uma sequência de nomes que lemos no Antigo Testamento, além de outros desconhecidos após a ressurreição de Cristo, como exemplo de pessoas que fizeram coisas incríveis, ou receberam promessas de igual significância e em alguns casos sofreram; mas que devido a fé puderam viver experiências que não imaginavam, e até hoje são lembrados por isso. Pensa num legado!

E eu venho pensando bastante sobre isso ultimamente, sabe? Porque acredito que fé não é uma coisa que dá para explicar racionalmente, tem muito mais a ver com aquela voz que a gente sente como a mais pura verdade bem no íntimo do nosso ser, mesmo quando os nossos olhos insistem em nos mostrar uma coisa totalmente contrária. Afinal de contas, eu concordo com o Kenobi: nossos olhos não são lá muito confiáveis.

Queria saber colocar melhor em palavras o tamanho do papel que a fé exerce em minha vida, mas sinceramente não acho que tenho esse dom, porque vai muito além da minha compreensão humana que é limitada. Só sei que é real, e é justamente a fé que me ajuda ver sentido onde naturalmente me seria possível enxergar qualquer lógica. A fé me liberta das minhas próprias barreiras e de lutar apenas na minha própria força, me torna alguém melhor do que de mim mesma eu jamais poderia ser.

Semana passada eu estava lendo textos e comentários aleatórios na internet sobre coisas variadas, e lendo alguns comentários sobre um vídeo recentemente postado em um canal cristão percebi com ainda mais clareza o quanto a falta de fé pode alterar toda a visão de mundo na vida de uma pessoa. Até tentei responder e explicar como algumas coisas são tão nítidas pra mim e de maneira alguma se contradizem, mas em certo ponto percebi que minhas explicações seriam completamente inúteis para quem não tem um pingo de fé.

Eu nunca tinha visto Hebreus 11:6 tão claro na vida de alguém, e ver isso me tocou de uma forma que ainda não sei definir. Me fez perceber o quanto mesmo tendo visto por tantas vezes Deus me proteger, me guardar e fazer coisas que antes eu sequer conseguiria imaginar, ainda assim a minha fé é tão pequena perto do que realmente poderia ser.

Que bom que o próprio Jesus nos deixou um ótimo exemplo de como é possível solucionar esse nosso problema:

Perguntou Jesus: “O que vocês estão discutindo?”
Um homem, no meio da multidão, respondeu: “Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar.
Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram”.
Respondeu Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino”.
Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo ele está assim? ”
“Desde a infância”, respondeu ele.
“Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”.
“Se podes?”, disse Jesus. “Tudo é possível àquele que crê”.
Imediatamente o pai do menino exclamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! ”
Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele”.
O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: “Ele morreu”.
Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.
Marcos 9:16-27, NVI

Até mesmo para crer melhor eu preciso dEle!

E eu vou ficando por aqui, até semana que vem.

Seja flor!

Cristianismo, Devocionais

Enfim primavera, minha estação preferida chegou! E sim, eu amo o frio, mas gosto muito mais da primavera e do outono que das outras estações. Tenho meus motivos para isso, e também não sou uma pessoa muito normal. Ainda mais assim, nesse comecinho, longe daquele calor todo exagerado do verão…

Eu sinceramente acho que essa ideia de alternar as estações climáticas durante o ano foi uma das ações mais brilhantes de Deus na criação. Porque, sinceramente, às vezes tenho a mania de enjoar das coisas, mesmo coisas que eu gosto, muito rápido; e sei que não sou a única. Alternar as estações em seu tempo apropriado é uma ótima maneira de fazer com que aproveitemos bem o melhor que cada uma delas pode oferecer.

Um dos motivos, claramente o mais óbvio e clichê possível, para eu amar a primavera, se encontra justamente nas flores. Eu amo flores, de verdade! Desde muito pequena me acostumei a ver minhas avós e tias podando, regando e cuidando de flores das mais variadas; e por mais que as pessoas digam que morar em apartamento é ruim, é apertado etc, a única coisa que realmente me incomoda é não ter espaço pra montar um jardim bem colorido, pequenininho mesmo, só de flores – mas as brancas são minhas preferidas.

Nessa semana eu andei pensando bastante sobre isso, de primavera e tudo o mais. Percebi que mesmo as flores, com toda sua fragilidade, têm muito a nos ensinar; e foi o próprio Jesus quem me mostrou isso:

“Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios dos campos. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘que vamos beber?’ ou ‘que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.
Mateus 6:28-34, NVI

Há uma infinidade de coisas que podem e devem ser observadas nesse trecho, e não só nessa parte como em todo esse contexto dentro do Sermão do Monte: o amor a Deus e ao Reino sobre todas as coisas, o materialismo, a incredulidade e a ansiedade; mas o que me chama a atenção mesmo é o modo simples que Jesus escolheu para nos dizer isso.

Nós todos somos criados de maneira a sempre querer e buscar as melhores coisas: as melhores escolas, os melhores livros, os melhores cursos, os melhores cursinhos, as melhores faculdades, os melhores bairros, e por aí segue-se uma lista bem extensa. Chega a ser automático, instintivo, de tão impregnado que isso está na gente. Não é como se fizéssemos isso por mal, é uma questão cultural.

Aí, pensa! Jesus está ali falando sobre um monte de coisa variada e tem um bocado de gente o ouvindo, achando tudo muito e maravilhoso, até que Ele vai e solta uma dessas. Aquelas pessoas devem ter sido criadas sob essa mesma perspectiva que nós, e sabendo que a maioria das pessoas que seguiam Jesus era feita de pobres, imagino que provavelmente eles fossem frustrados por saber que não conseguiriam ter nenhuma dessas coisas. Talvez eles pensassem que deviam trabalhar mais para consegui-las, ou talvez alguns deles achassem válido usar de meios duvidosos para tê-las, a exemplo de Zaqueu e dos judeus que anteriormente haviam sido advertidos no AT para não enriquecer a custa dos outros.

E é justamente nesse contexto que Jesus vai e fala algo que soa mais ou menos como “Por que vocês se preocupam tanto com essas coisas, que na verdade são supérfluas? Pera um pouco! Tão vendo aqueles passarinhos e flores ali? Eles não têm e nem se preocupam com coisa alguma, é meu Pai quem cuida deles. E vocês são mais importantes que flores e pássaros! Ou acham que Deus não é suficientemente poderoso para cuidar de vocês também?”

Eu imagino que a cabeça deles bugou, porque a minha cabeça também bugou na primeira vez que li isso. E continua bugando até hoje! Como assim, o Deus que criou todas as coisas e tem mais coisas para fazer que o Barack Obama tem tempo para cuidar de cada detalhe da minha vida? Logo eu, que sou tão pequena! E, se mesmo assim Ele cuida de mim, de que adianta eu querer correr atrás de alguma coisa?

Entenda que o texto não está falando especificamente pra ninguém estudar, parar de trabalhar ou coisa do tipo; mas eu sei que vocês são suficientemente maduros para compreenderem isso. Ser comparado a um pássaro, ou a uma flor, fala principalmente de dependência – não dependência emocional ou qualquer coisa do tipo, mas sim de ter a consciência que é o próprio Deus quem me sustenta.

Nem Salomão, que foi um rei riquíssimo, se vestiu com o esplendor de uma flor. Tá, mas o que isso significa? O que você pensa quando vê uma flor, qual a primeira coisa que lhe vem à mente?

Eu penso em beleza, leveza. Perfume, alegria… Na vivacidade das cores que transformam o ambiente.

E o que as pessoas pensam quando lhe veem? Já se fez essa pergunta?

Eu sinceramente não acredito que todo mundo deva necessariamente ser o mais extrovertido possível, até porque eu mesma não sou. Mas também não acredito que acanhamento seja uma desculpa plausível para “poluir” o ambiente. Será que você enche a sua volta de cor e alegria, ou por onde passa tudo continua preto e branco?

Acho muito interessante essa questão da alegria, é algo que tenho não só procurado pra minha vida como também venho pesquisando muito e lendo sobre ultimamente. A Bíblia nos diz que a alegria do Senhor é nossa força (Ne 8:10), e isso tem falado muito comigo ultimamente.

De alguma forma que ainda não sei definir, venho me sentindo mais leve e menos séria (não no sentido de ser negligente, mas sim de saber não me prender tanto as coisas ou a mim mesma, rir e brincar mais), e imagino eu que Deus deseje isso de nós. A Palavra também nos diz que na Presença dEle há plenitude de alegria e prazeres (Sl 16:11), e como é que eu poderia transmitir as pessoas a alegria que é ter Jesus em minha vida se eu mesma não viver essa alegria? Se eu só andar reclamando em vez de florir?

Existem flores de todo tipo, cores e cheiros, o que prova mais uma vez o quanto o Senhor gosta de variedade. Elas são breves, coisa que por vezes nos esquecemos também o ser; simples e dependentes como também devemos ser.

Minha justiça não vale nada

Cristianismo, Reflexões

Oi! Preciso avisar vocês que esse blog passará por algumas mudanças.

Acontece que, apesar de já ter postado alguns estudos bíblicos e coisas semelhantes aqui, por ser um blog pessoal, eles nunca foram muito constantes – e isso vai mudar um pouco a partir de agora.

Na verdade, até pensei em criar um outro blog, para as coisas não ficarem muito misturadas e confusas. Mas, embora não pareça, criar um blog dá trabalho, sabia? É preciso pensar em nomes novos e tantos outros detalhes que não surgem simplesmente de uma hora pra outra, além de conciliar dois blogs com as matérias restantes da faculdade, estágio, cursos, projetos pessoais etc. Se eu fosse levar todas essas coisas em conta e criar um novo endereço mesmo assim, precisaria no mínimo de uns dois meses para me organizar, e isso atrapalharia a urgência que eu venho sentindo em compartilhar algumas coisas.

Isso não quer dizer, entretanto, que vou parar de escrever crônicas e textos sobre assuntos diversos. Só que num primeiro momento isso se tornará secundário, mas com um tempo as coisas vão acabar se alinhando. Pelo menos é essa a minha expectativa.

Ainda não sei bem como definir a categoria desse texto que estou escrevendo, mas pode-se dizer que ele serve como uma introdução para todos os temas semelhantes que serão tratados daqui para frente. E acho que chega de avisos por enquanto.

Indo direto ao assunto, nessa semana estive pensando bastante em umas coisas que costumo ouvir, e é justamente sobre isso que quero falar. Acredito que já falei aqui um pouco sobre minha vida em alguns textos, sobre a minha experiência de ter nascido em um lar cristão, ter me desviado aos quatorze anos e só ter me fixado novamente em uma igreja local quando já tinha dezessete (falei, não?).

O que eu não contei ainda é que nesse período que andei afastada minha vida não era tão interessante quanto as pessoas costumam imaginar, nada que fosse do tipo ‘sexo, drogas e rock’n’roll’, ou parecido com isso. Na verdade, eu sempre tive fama ser a “certinha” dentre as minhas amigas, nerd, a mais ajuizada, decidida, pé no chão etc. Tanto que quando me converti várias pessoas me disseram “Por que? Você nem precisa” e outros discursos semelhantes.

Domingo agora, conversando com uma de minhas melhores amigas, voltei a ouvir esse mesmo discurso, coisa que há anos não acontecia. E durante toda a semana isso não me saiu da cabeça.

Acontece que eu, que me conheço melhor que todas essas pessoas queridas, não penso que eu era TÃO boa assim como eles tendem a acreditar. Eu era rancorosa, não sabia perdoar. Orgulhosa. Infeliz. E vingativa também. Às vezes ficava meio difícil de distinguir o que fazia parte da minha imaginação e o que era realmente verdade, e outras vezes eu era meio estressada, quase grossa; e obviamente estava sempre certa também, as outras pessoas nunca tinham razão… Sinceramente, acho que se fosse para cavar todas as qualidades ruins que eu tinha e as outras pessoas não viam, me faltariam palavras para descrever com exatidão.

Sendo mais sincera ainda, continuo descobrindo coisas em que eu preciso melhorar quase todos os dias – e digo quase não porque nos outros dias eu me julgue perfeita, mas sim porque muito provavelmente deixo algum defeito passar batido. Sabe como é, a gente tende a ser muito compassivo conosco, o problema está sempre nos outros…

O que quero dizer é que, há aproximadamente sete anos, descobri que minha justiça não valia muita coisa; e mesmo hoje não continua valendo. A verdade é que muito me choca quando vejo pessoas supostamente cristãs se autoproclamando “merecedoras” da salvação em um mundo onde todas as demais pessoas têm todos os motivos para arder eternamente no inferno, porque a mensagem da cruz me mostra claramente que ninguém merece coisa alguma, exceto arder eternamente no inferno (TODOS, sem exceção); e aí surge uma coisa inexplicável, incompreensível, chamada Graça, que oferece à todas as pessoas justamente o contrário do que elas mereciam receber.

É de se dar um nó na cabeça, não?

Eu sei que é sim. Mas é fundamental, é a base de tudo o que vivo e acredito. E as demais coisas vou explicando depois.

A primeira pedra

Cristianismo

No finalzinho da tarde de ontem minha mãe veio conversar comigo, bastante chocada, me perguntando se eu já sabia sobre o que haviam feito nesta edição da Parada do Orgulho LGBT aqui em São Paulo, no último domingo. A partir daí tivemos uma conversa um tanto quanto longa em cima desse tema.

Antes de continuar escrevendo, pois sei que este é um tema bem delicado e polêmico, preciso dizer algumas coisas, ainda que isto signifique correr o risco de ser mal compreendida – mas não há outro modo de explicar tudo o que penso sobre o tema, então sim, é necessário. Eu sou cristã, e por isso entendo o porquê de as pessoas se sentirem ofendidas. Não me sinto homofóbica em dizer isso, pelo contrário, tenho vários amigos gays e nenhum deles nunca me criticou de tê-los tratado de alguma maneira ofensiva por causa da minha fé. Cristianismo não é sinônimo de homofobia, ainda que a culpa desse mal entendido seja, em grande parte, de alguns cristãos que têm uma postura muito diferente daquela recomendada na Bíblia; mas sei que esse é um assunto vasto demais para ser demasiadamente explicado aqui, e talvez ainda leve tempo até que as pessoas compreendam, tanto a sociedade em geral quanto os próprios cristãos.

Vi, pelo facebook, várias pessoas dizendo não entenderem o porquê de tanta ofensa utilizando uma imagem que reúne uma encenação de A Paixão de Cristo, a revista Placar com o Neymar crucificado e por último Viviany Bebeloni, a atriz transexual que protestou crucificada contra a violência que a comunidade LGBT é exposta, perguntando a diferença entre os três. Respondo que a primeira é uma encenação representando literalmente a própria cruz de Cristo e por isso não foi ofensiva, a segunda foi uma piada infeliz, e a terceira um protesto incompreendido. Se Viviany disse que não teve a intenção de atacar a Igreja com o seu ato e apenas quis protestar, eu acredito nela. Algumas outras fotografias que vi, como a que envolve um crucifixo, por exemplo, já ficam mais difíceis de compreender, mas não quero entrar neste quesito.

Não penso que a questão toda pare por aí, eu dizia à minha mãe ontem que às vezes a gente peca por ver tudo de uma maneira muito superficial. São dias de muita intolerância estes que vivemos, em todo canto, e infelizmente a Igreja não está isenta disso. Como cristã, sei muito bem o que a cruz de Cristo significa para mim. Mas as outras pessoas não sabem, e como poderia eu esperar que compreendessem perfeitamente algo onde elas não enxergam o mesmo valor que vejo? Seria insanidade minha nutrir uma expectativa dessas.

Um outro exemplo dessa intolerância pôde ser visto em um fato ocorrido no começo deste ano, quando todo mundo ficou chocado com a barbárie contra os cartunistas da revista Charlie Hebdo, e nunca na minha vida eu tinha visto tantas pessoas falando francês, mesmo que só para dizer “Je suis Charlie”.

Neste mesmo tempo, vi inúmeras reclamações sobre toda a atenção que foi dada ao assunto, dizendo coisas como “Deveriam prestar mais atenção na África e nas favelas, isso sim. Chega de tanto ‘Je suis Charlie’!”. E, francamente? Não sou alheia ao que está acontecendo no mundo, ando muito triste pelas pessoas que morrem no caminho para a Europa enquanto fogem da guerra civil na Síria e das 150 pessoas que morreram num posto de gasolina em Gana buscando proteção contra as enchentes, e quanto mais na periferia onde a coisa é ainda mais visível pela proximidade. Mas não consegui ficar menos chocada com o que aconteceu na França por saber de todas essas coisas, e nem achar que só porque eles eram de primeiro mundo a gente devia só se preocupar com coisa mais importante. Pessoas são a “coisa mais importante”, eles eram seres humanos como todos os outros que citei e não mereciam morrer daquele jeito.

Da mesma maneira que fui contrária aos ataques contra Charlie Hebdo, sou contrária ao jeito que tenho visto alguns cristãos ofenderem pessoas que estavam na 19ª edição da Parada do Orgulho LGBT neste domingo. Não me lembro de Jesus como alguém que deu uma lista de princípios moralistas a serem seguidos pela humanidade, mas sim como alguém que impactava as pessoas com Seu amor e, só por isso, por própria vontade elas mudavam suas crenças e, consequentemente, os seus hábitos por amor a Ele.

Aliás, também me lembro de Jesus como aquele que estendeu a mão, e não a primeira pedra (João 8:1-11). Se Ele agiu assim, por que querer fazer algo completamente diferente?

Está mesmo faltando amor nesse mundo.