Varreduras

Crônicas

2017 foi um ano bom para mim, atípico. O ano passado foi um daqueles casos onde tudo o que poderia dar errado deu, e experimentar algo completamente novo depois disso foi como um sopro de orvalho desses que a gente sente vez ou outra.

Eu nem posso contar tudo o que me aconteceu, em parte porque não é necessário, e outra parte porque ainda não é hora – tenho optado por algumas mudanças, e à medida que elas forem tomando a forma que quero vão acabar transparecendo, também, por aqui.

O que eu achei mais engraçado no meio disso tudo é que exatamente tudo acabou saindo ao contrário do que havia sido planejado por mim, mas não de uma forma ruim, no final acabou saindo melhor que a encomenda. E isso me ensinou a ver, em prática e não mera frase de efeito, que os planos de Deus são maiores e melhores do que tudo que pedimos ou imaginamos.

Consegui rápido um emprego bom em minha área de formação, e aprendi a tomar café – sabe como é, no começo do ano só um Matte ou capuccino, mas lá pelo meio já estava rendida às duas canecas grandes e diárias de café. Comprei camisetas legais, e comecei a me programar para gastar menos. Não escrevi tanto quanto desejava, e precisei de muito tempo comigo para assimilar cada pedaço de mudança que em mim surgia; pedaços que foram maiores que a minha capacidade de os numerar.

Vi gente pobre achando ter muito, e vi gente rica que já entendeu que nem todo o dinheiro do mundo é suficiente. Atrasei minhas séries, deixei um rastro de livros inacabados e troquei os Cheetos de requeijão por chips de inhame. Percebi que gosto de doces mais do que eu mesma sabia, e depois troquei o excesso desses doces por potinhos de cranberries. Descobri que alguns erros são mais difíceis de reparar do que outros, mas nem por isso impossíveis, e que algumas coisas ainda resistem à ideia de partirem por completo. E em nenhuma dessas descobertas me senti só.

Conheci gente nova, alguns agradáveis e outros nem tanto. Quebrei minha mala no carnaval, e ontem comprei uma nova. Arrebentei pelo menos três necessaires, e ganhei outras. Fiz hematomas de origem desconhecida, e ganhei dois outros sendo espancada e espremida em um dia chuvoso como outro qualquer na linha 12. Planejei uma viagem, e desisti dela algum tempo depois. Mudei meus planos, quase todos eles, e aprendi que algumas vezes aceitar e esperar é mais útil do que gastar os dias lutando contra.

E aí vem outro ano, com todas as descobertas e reviravoltas que a vida é especialista em dar, pensar nele é como abrir um livro do Conan Doyle ansiosa pelas respostas que serão dadas aos mistérios. Mas passado esse instante, a ansiedade se vai e dá lugar à calma e a certeza de que as coisas serão exatamente do jeito que devem ser.

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