Sobre ceticismo e A Dustland Fairytale

Cristianismo

Há alguns meses, em uma segunda-feira aparentemente normal, mil coisas aconteceram até que eu pudesse chegar em meu trabalho – não foi só uma pedra no caminho, Drummond poderia ter contado pelo menos umas dez.

Foi dentre uma dessas pedras que o fretado quebrou, nos deixando parados na Celso Garcia por um bom tempo. E, como dormir deixou de ser uma opção naquele momento, tirei meu celular da mochila e comecei a ouvir uma de minhas playlists aleatórias no Spotify. Aí fiquei matutando algumas coisas com os meus botões.

Há já alguns anos que fui perdendo o contato com grande parte das pessoas que me conheciam durante a infância e a adolescência, exceto por uns poucos (e bons) amigos e alguns encontros ocasionais. E quem me conhece hoje, me vendo entre um vestido florido e outro, mal consegue imaginar que em alguma outra fase de minha vida o meu guarda-roupa era praticamente todo preto e eu só ouvia rock – e continuo ouvindo, rs.

Dentre as diversas músicas que marcaram essa fase de minha vida, se tem uma que eu nunca me esqueço é A Dustland Fairytale. Quando me perguntavam por que eu era tão fascinada por essa música, nunca sabia responder se era por conta do videoclipe cinematográfico, da performance do Brandon Flowers, ou devido a sua letra digna de mil tramas supostamente não-clichês que eu mesma bolava em minha mente. Acredito que, até ficar desenterrando esses pensamentos enquanto travada aquele dia no trânsito de SP, passei anos me convencendo que era o conjunto da obra.

Só que não era bem assim. Conforme o tempo foi passando, percebi que nenhuma dessas coisas seria um motivo suficientemente forte para que eu me identificasse com essa ou qualquer outra música. Mas o meu ceticismo sim, esse era um motivo por si só mais que suficiente.

Sim, ceticismo. É isso mesmo que você acabou de ler.

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Sabe, eu concordo muito com o Cortella quando ele afirma que não nascemos prontos, e as intempéries da vida tendem a nos levar para um lado ou para o outro; quanto mais se a idade é pouca, a experiência ainda falta, e não se sabe administrar as emoções em seu devido lugar. Não penso, entretanto, que nenhuma dessas intempéries sirva como justificativa para falha alguma, tanto minha quanto alheia, mas reconheço sua capacidade de nos moldar – tanto beneficamente quanto o contrário.

Durante muito tempo essas intempéries me moldaram: nasci em um lar Batista, protestante. Experimentei uma sequência de fatos desagradáveis, aí levei uns baques. Passei alguns anos questionando tudo e todos, até enfim poder me reencontrar de novo – o que só aconteceu quando eu pude, enfim, encontrar Deus no meio de tudo isso.

Acho que foi assim que eu acabei pensando em todas essas coisas, aliás: tudo começou com Deus, o tempo, e as reviravoltas que a vida dá. É engraçado como os anos passam e as coisas nunca ficam no mesmo lugar! Já dizia o poeta: “Sei lá, sei lá; a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá; eu só sei que ela está com a razão”.

Nunca que naqueles anos longínquos eu imaginaria com o que a vida me surpreenderia mais tarde: de cessacionista, e depois cética, eu passaria a ser continuísta – e entenda que, quando me declaro continuísta, não estou nem por um segundo concordando com as bizarrices que vemos no meio gospel atualmente, ou ignorando que todo sinal e maravilha deva ser analisado à luz da Palavra (Sola Scriptura!). A esse respeito, li há alguns dias um texto que ilustra bem o meu pensamento, e quem sabe um dia eu ainda me atreva a escrever sobre isso.

As mudanças não pararam por aí, foram inúmeras até que eu me tornasse quem sou hoje, e continuam outras tantas até que pouco a pouco eu descubra o que me espera amanhã.

Atualmente eu ando me identificando com outras coisas, outras letras e melodias. Nesses últimos meses, não consigo pensar em uma letra com que eu me identifique mais do que essa:

  • Ele me deu esperança – Rm 5:3-5

  • Ele fez tudo novo outra vez – 2Co 5:17

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