Medo de avião

Cristianismo, Devocionais

Quarta-feira passada estudei o modal aéreo na faculdade. Comecei anotando tudo o que pude, prestei atenção nos cálculos e fiz os exercícios; mas depois de um certo tempo minha cabeça começou a viajar.

Quando pequena, eu costumava ter muito medo de avião. Não era só um medinho bobo, sabe? Era pavor, e tudo começou com o 11 de setembro: me lembro de ter oito anos quando os aviões se chocaram contra as torres, e logo minha cabecinha infantil começou a pensar que o Brasil seria o próximo da lista.

Devo ainda dizer que minha casa na época não ficava exatamente longe do aeroporto de Guarulhos… Eu via os aviões ficando cada vez mais altos nos céus e escutava os seus barulhos todos os dias; então obviamente seríamos um alvo em potencial – uma pequena vila no bairro de São Miguel Paulista, veja só!

A gente meio que subestima as paranoias das crianças, mas não é como se tivesse muito tempo que perdi o medo de avião, acho que no máximo uns dois anos.

O curioso é que, não bastava ser uma menina com medo de avião, desde muito cedo quis viajar para vários lugares do mundo, e saca só: não me sinto confortável com a ideia de entrar em navios também! Pra que tanta complicação de vida, não é mesmo? – eu realmente continuo esperando que alguém consiga inventar e popularizar o teletransporte.

Acontece que, à medida que fui crescendo, descobri que o meu medo não era essencialmente de aviões e nem de navios. Sendo bem sincera, não consegui descobrir o nome disso até hoje… Eu basicamente tenho medo de qualquer coisa que literalmente me tire do chão, entende?

Não é medo de altura, acho até bacana a ideia de subir em um prédio alto e ficar observando a vista; mas nunca, jamais, em hipótese alguma, cogitaria fazer bungee jumping, tirolesa, rapel e qualquer outra coisa que me passe a impressão de estar pendurada, flutuando e afins.

Acredito que pisar no chão é uma das melhores sensações da vida! Gosto de caminhar, saber bem onde estou pisando e ter a certeza, ou pelo menos a expectativa, de que as coisas não vão sair desmoronando de repente.

Sem perceber acabei levando esse gosto pra tudo o mais que envolve a minha vida, de formas que aquela garotinha com medo de avião jamais poderia imaginar. Acabei desenvolvendo um instinto de proteção pra todas as minhas decisões cotidianas, onde acabo abandonando tudo em que não sinto firmeza.

É triste pensar que, em tempos de pós-modernidade, a solidez passa a se tornar cada vez mais rara. Eu não sei muito sobre Sociologia, o pouco que sei é por causa do Bauman, e é dele a famosa frase: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”.

Resumindo de maneira bem simples, Bauman reclama sobre a liquidez de nossos tempos. Ele denuncia nossa geração dizendo que estamos cada vez mais modernos, mais submersos em nossos smartphones, redes sociais e tablets onde “conversamos” com mil pessoas ao mesmo tempo, mas estamos perdendo a habilidade de olhar no olho e conversar com uma só. Zygmunt também diz que estamos nos tornando descartáveis, dada a facilidade com que trocamos de amizades e relacionamentos no primeiro conflito de interesses – como dica, eu diria que vale a pena separar um tempo para considerar o que ele diz.

Sabe onde mais eu já encontrei essa liquidez sendo descrita? Na Bíblia! Lá está escrito que com o aumento da maldade o amor de muitos se esfriaria (Mt 12:12), e que nem mesmo aos laços sanguíneos seria dado o valor esperado (Lc 12:53). É só ligar a TV no jornal pra perceber que não é nada distante daquilo que vemos quase todos os dias.

Amélie Poulain é um de meus filmes preferidos, e “São tempos difíceis para os sonhadores” é sua citação mais conhecida e repetida. O problema é que, se a coisa já parece difícil pra quem quer sonhar, também não está fácil para quem prefere colocar os dois pés no chão.

Eu costumava me preocupar demais sempre que me pegava pensando nessas questões, mas enquanto fazia uma de minhas devocionais esse mês encontrei descanso:

“De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos.
Malaquias 3:6, NVI

Ele não muda, Suas misericórdias continuam se renovando a cada manhã (Lm 3:22-23) e só por isso continuo em pé. Só nEle eu encontro mais solidez do que jamais poderia imaginar.

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May the force be with you

Cristianismo, Devocionais

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: amo filmes e séries que narram aventuras em outros planetas, viagens no tempo, ficções científicas etc. E como muitos de vocês de já devem ter percebido (bom, pelo menos eu imagino que sim), a Netflix liberou a maioria dos filmes da saga Star Wars – que apesar de eu considerar muito mais fantasia que ficção científica, o enredo é tão cativante que simplesmente não pude resistir.

Não, eu não maratonei. Porque a gente cresce e arranja um monte de coisas sérias pra fazer, e de repente não dá mais pra maratonar filmes e séries como antes. Mas sim, saí assistindo loucamente, e assim continuo, tudo o quanto posso. E também gosto de fazer associações estranhas para ilustrar meus pensamentos, acho bom vocês começarem a se acostumar com isso.

Enfim, enquanto assistia Uma Nova Esperança, e mesmo agora bem depois, uma coisa que Obi Wan Kenobi disse ficou ecoando em minha cabeça. Acho bom já deixar claro que eu não estou querendo comparar o Cristianismo com magia, com a Força e nem nada do tipo; mas achei essa parte muito interessante mesmo!

Nessa cena em questão, Luke Skywalker e Obi Wan Kenobi contrataram Han Solo para os levar até Alderaan, o planeta da princesa Leia, em socorro à Aliança Rebelde. Enquanto Obi Wan está treinando Luke para enfrentar o Império Galáctico na nave, Han Solo faz piadinhas sobre a Força e os exercícios com o sabre de luz. Aí o Kenobi resolve colocar uma viseira antes que Luke tente outra vez, ao passo que este responde:

— Com a viseira abaixada, não consigo ver. Como posso lutar?

— Seus olhos podem enganá-lo. Não confie neles.

A partir daí uma série de outras coisas interessantes acontecem, e eu não vou narrar porque não costumo ser aquela conhecida por soltar spoilers (pelo menos não intencionalmente, porque às vezes meio que escapa, sabe?). Para quem ainda não tiver assistido, recomendo que assista, porque vale muito a pena.

Sabe o que eu achei curioso? Os Cavaleiros Jedi podem ser diferentes dos cristãos em vários aspectos, mas na fé não. E embora a carta aos Hebreus ainda hoje não tenha um senso comum sobre a sua autoria (eu, particularmente, faço coro com aqueles que acreditam que foi escrita por Apolo após a morte de Paulo; mas não posso afirmar isso com convicção), essa fala do Obi Wan me lembrou em muito um versículo bem conhecido:

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
Hebreus 11:1, NVI

Em todo o capítulo 11 de Hebreus podemos ver uma sequência de nomes que lemos no Antigo Testamento, além de outros desconhecidos após a ressurreição de Cristo, como exemplo de pessoas que fizeram coisas incríveis, ou receberam promessas de igual significância e em alguns casos sofreram; mas que devido a fé puderam viver experiências que não imaginavam, e até hoje são lembrados por isso. Pensa num legado!

E eu venho pensando bastante sobre isso ultimamente, sabe? Porque acredito que fé não é uma coisa que dá para explicar racionalmente, tem muito mais a ver com aquela voz que a gente sente como a mais pura verdade bem no íntimo do nosso ser, mesmo quando os nossos olhos insistem em nos mostrar uma coisa totalmente contrária. Afinal de contas, eu concordo com o Kenobi: nossos olhos não são lá muito confiáveis.

Queria saber colocar melhor em palavras o tamanho do papel que a fé exerce em minha vida, mas sinceramente não acho que tenho esse dom, porque vai muito além da minha compreensão humana que é limitada. Só sei que é real, e é justamente a fé que me ajuda ver sentido onde naturalmente me seria possível enxergar qualquer lógica. A fé me liberta das minhas próprias barreiras e de lutar apenas na minha própria força, me torna alguém melhor do que de mim mesma eu jamais poderia ser.

Semana passada eu estava lendo textos e comentários aleatórios na internet sobre coisas variadas, e lendo alguns comentários sobre um vídeo recentemente postado em um canal cristão percebi com ainda mais clareza o quanto a falta de fé pode alterar toda a visão de mundo na vida de uma pessoa. Até tentei responder e explicar como algumas coisas são tão nítidas pra mim e de maneira alguma se contradizem, mas em certo ponto percebi que minhas explicações seriam completamente inúteis para quem não tem um pingo de fé.

Eu nunca tinha visto Hebreus 11:6 tão claro na vida de alguém, e ver isso me tocou de uma forma que ainda não sei definir. Me fez perceber o quanto mesmo tendo visto por tantas vezes Deus me proteger, me guardar e fazer coisas que antes eu sequer conseguiria imaginar, ainda assim a minha fé é tão pequena perto do que realmente poderia ser.

Que bom que o próprio Jesus nos deixou um ótimo exemplo de como é possível solucionar esse nosso problema:

Perguntou Jesus: “O que vocês estão discutindo?”
Um homem, no meio da multidão, respondeu: “Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar.
Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram”.
Respondeu Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino”.
Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo ele está assim? ”
“Desde a infância”, respondeu ele.
“Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”.
“Se podes?”, disse Jesus. “Tudo é possível àquele que crê”.
Imediatamente o pai do menino exclamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! ”
Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele”.
O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: “Ele morreu”.
Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.
Marcos 9:16-27, NVI

Até mesmo para crer melhor eu preciso dEle!

E eu vou ficando por aqui, até semana que vem.