Crônicas

Faxina

Existe jeito melhor de abrir setembro do que escrever sobre faxina?

Tudo bem, eu também consigo pensar em vários assuntos mais agradáveis. Mas é o que temos para hoje.

Devo começar admitindo com certa vergonha que a faxina passa longe de ser uma das minhas tarefas domésticas preferidas. E sim, eu sei que chega a ser no mínimo irônico uma pessoa que tem mania de limpeza não gostar de faxina; mas nem tudo na vida é da maneira que gostaríamos, não é mesmo?

Tenho meus motivos para isso, e explico: pensei bastante até descobrir que a primeira razão encontra-se no fato de eu gostar muito mais do resultado final da limpeza, que do processo em si. Sei que pode parecer uma coisa muito óbvia quando falada dessa maneira, mas venho percebendo que não é. Por exemplo, cozinhar pra mim é divertido tanto no percurso quanto no resultado. Não que eu seja uma expert ou coisa parecida, porque ainda não sou, mas sempre que cozinho sinto prazer em descobrir as coisas, me encanta o fato de um ingrediente ou tempero poder, sozinho, mudar todo o sabor de uma comida; e é justamente esse encantamento que me falta quanto ao processo de limpeza.

Explicado esse primeiro motivo, tenho outra razão muito legítima para nunca ter me esforçado demais nesse quesito: sou alérgica a quase todos os produtos de limpeza que já inventaram. O jeito mais fácil de me ver com o nariz vermelho e com falta de ar é passando por esse corredor específico de qualquer supermercado. Aí, pensa! Não é como se eu fosse alérgica a todos os produtos existente, mas a preguiça e o desgosto se encarregam de usar minha alergia como uma muleta. E usam muito, aliás.

Por último, e que ao meu ver pesa mais que todos os dois porquês citados anteriormente, conta o fato de eu ser lerda. E não sou um pouco lerda, sou muito lerda! Eu queria muito, de verdade, ser uma daquelas pessoas que conseguem limpar a casa toda em um dia; mas só pra poder limpar e arrumar dignamente o meu quarto levei exatamente uma semana. Uma semana! Um dia inteiro para limpar o nicho, organizar e ver o que podia jogar fora, outro dia só para repetir o mesmo processo em minha penteadeira; e depois as portas do guarda-roupa, outro dia para as gavetas… E ainda estou terminando de cuidar do criado-mudo hoje.

Semana passada eu estava assistindo ao Flash e vi uma cena em que o Flash Reverso bagunça, depois limpa e organiza toda uma casa em questão de poucos segundos. Segundos, e eu aqui precisando de uma semana para arrumar só o meu quarto! Consegue entender que meu preparo é, principalmente, psicológico para ter paciência de não parar tudo no meio do caminho? E sim, naquele momento, vendo aquela cena, eu o invejei.

Ainda assim, mesmo levando tanto tempo para fazer algo que não gosto muito, não pude deixar de perceber a bondade de Deus sobre minha vida. Bondade que primeiro se manifestou em me dar uma mãe que também é doida por limpeza, mas que gosta muito mais do ato em si do que eu, porque já percebi que vou acabar deixando a parte mais pesada da limpeza nas mãos de uma diarista assim que eu sair de casa. Bondade em me ensinar a importância de não desistir de fazer as coisas simplesmente porque não gosto, e também porque obter o resultado desejado sempre faz valer o meu esforço.

Na verdade, eu acho que é até engraçado. Semana passada eu estava pensando comigo “Nossa, quase nem tenho roupa mais, não acredito que vou ter de comprar tudo de novo!”, mas se tem algo que alegremente redescubro toda vez que me proponho a limpar e organizar qualquer coisa é que tenho muito mais do que me lembrava ter. Tenho o suficiente para mim, e ainda sobram coisas boas para quem precisa.

Aí me dei conta de que a vida não é muito diferente de um quarto bem limpo e arrumado, sabe? As coisas fazem muito mais sentido quando estão em seus devidos lugares, e tudo o que não for bom precisa ser jogado fora.

Dá trabalho sim, nos últimos dias me vi adotando vários hábitos que nunca cogitei para não desperdiçar todo o trabalho que tive. Mas não tem sido um peso, as coisas meio que vão fluindo da maneira que deveriam se nos dispomos a mudar o foco. E tem valido muito a pena.

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