Seja flor!

Cristianismo, Devocionais

Enfim primavera, minha estação preferida chegou! E sim, eu amo o frio, mas gosto muito mais da primavera e do outono que das outras estações. Tenho meus motivos para isso, e também não sou uma pessoa muito normal. Ainda mais assim, nesse comecinho, longe daquele calor todo exagerado do verão…

Eu sinceramente acho que essa ideia de alternar as estações climáticas durante o ano foi uma das ações mais brilhantes de Deus na criação. Porque, sinceramente, às vezes tenho a mania de enjoar das coisas, mesmo coisas que eu gosto, muito rápido; e sei que não sou a única. Alternar as estações em seu tempo apropriado é uma ótima maneira de fazer com que aproveitemos bem o melhor que cada uma delas pode oferecer.

Um dos motivos, claramente o mais óbvio e clichê possível, para eu amar a primavera, se encontra justamente nas flores. Eu amo flores, de verdade! Desde muito pequena me acostumei a ver minhas avós e tias podando, regando e cuidando de flores das mais variadas; e por mais que as pessoas digam que morar em apartamento é ruim, é apertado etc, a única coisa que realmente me incomoda é não ter espaço pra montar um jardim bem colorido, pequenininho mesmo, só de flores – mas as brancas são minhas preferidas.

Nessa semana eu andei pensando bastante sobre isso, de primavera e tudo o mais. Percebi que mesmo as flores, com toda sua fragilidade, têm muito a nos ensinar; e foi o próprio Jesus quem me mostrou isso:

“Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios dos campos. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘que vamos beber?’ ou ‘que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.
Mateus 6:28-34, NVI

Há uma infinidade de coisas que podem e devem ser observadas nesse trecho, e não só nessa parte como em todo esse contexto dentro do Sermão do Monte: o amor a Deus e ao Reino sobre todas as coisas, o materialismo, a incredulidade e a ansiedade; mas o que me chama a atenção mesmo é o modo simples que Jesus escolheu para nos dizer isso.

Nós todos somos criados de maneira a sempre querer e buscar as melhores coisas: as melhores escolas, os melhores livros, os melhores cursos, os melhores cursinhos, as melhores faculdades, os melhores bairros, e por aí segue-se uma lista bem extensa. Chega a ser automático, instintivo, de tão impregnado que isso está na gente. Não é como se fizéssemos isso por mal, é uma questão cultural.

Aí, pensa! Jesus está ali falando sobre um monte de coisa variada e tem um bocado de gente o ouvindo, achando tudo muito e maravilhoso, até que Ele vai e solta uma dessas. Aquelas pessoas devem ter sido criadas sob essa mesma perspectiva que nós, e sabendo que a maioria das pessoas que seguiam Jesus era feita de pobres, imagino que provavelmente eles fossem frustrados por saber que não conseguiriam ter nenhuma dessas coisas. Talvez eles pensassem que deviam trabalhar mais para consegui-las, ou talvez alguns deles achassem válido usar de meios duvidosos para tê-las, a exemplo de Zaqueu e dos judeus que anteriormente haviam sido advertidos no AT para não enriquecer a custa dos outros.

E é justamente nesse contexto que Jesus vai e fala algo que soa mais ou menos como “Por que vocês se preocupam tanto com essas coisas, que na verdade são supérfluas? Pera um pouco! Tão vendo aqueles passarinhos e flores ali? Eles não têm e nem se preocupam com coisa alguma, é meu Pai quem cuida deles. E vocês são mais importantes que flores e pássaros! Ou acham que Deus não é suficientemente poderoso para cuidar de vocês também?”

Eu imagino que a cabeça deles bugou, porque a minha cabeça também bugou na primeira vez que li isso. E continua bugando até hoje! Como assim, o Deus que criou todas as coisas e tem mais coisas para fazer que o Barack Obama tem tempo para cuidar de cada detalhe da minha vida? Logo eu, que sou tão pequena! E, se mesmo assim Ele cuida de mim, de que adianta eu querer correr atrás de alguma coisa?

Entenda que o texto não está falando especificamente pra ninguém estudar, parar de trabalhar ou coisa do tipo; mas eu sei que vocês são suficientemente maduros para compreenderem isso. Ser comparado a um pássaro, ou a uma flor, fala principalmente de dependência – não dependência emocional ou qualquer coisa do tipo, mas sim de ter a consciência que é o próprio Deus quem me sustenta.

Nem Salomão, que foi um rei riquíssimo, se vestiu com o esplendor de uma flor. Tá, mas o que isso significa? O que você pensa quando vê uma flor, qual a primeira coisa que lhe vem à mente?

Eu penso em beleza, leveza. Perfume, alegria… Na vivacidade das cores que transformam o ambiente.

E o que as pessoas pensam quando lhe veem? Já se fez essa pergunta?

Eu sinceramente não acredito que todo mundo deva necessariamente ser o mais extrovertido possível, até porque eu mesma não sou. Mas também não acredito que acanhamento seja uma desculpa plausível para “poluir” o ambiente. Será que você enche a sua volta de cor e alegria, ou por onde passa tudo continua preto e branco?

Acho muito interessante essa questão da alegria, é algo que tenho não só procurado pra minha vida como também venho pesquisando muito e lendo sobre ultimamente. A Bíblia nos diz que a alegria do Senhor é nossa força (Ne 8:10), e isso tem falado muito comigo ultimamente.

De alguma forma que ainda não sei definir, venho me sentindo mais leve e menos séria (não no sentido de ser negligente, mas sim de saber não me prender tanto as coisas ou a mim mesma, rir e brincar mais), e imagino eu que Deus deseje isso de nós. A Palavra também nos diz que na Presença dEle há plenitude de alegria e prazeres (Sl 16:11), e como é que eu poderia transmitir as pessoas a alegria que é ter Jesus em minha vida se eu mesma não viver essa alegria? Se eu só andar reclamando em vez de florir?

Existem flores de todo tipo, cores e cheiros, o que prova mais uma vez o quanto o Senhor gosta de variedade. Elas são breves, coisa que por vezes nos esquecemos também o ser; simples e dependentes como também devemos ser.

Anúncios

Minha justiça não vale nada

Cristianismo, Reflexões

Oi! Preciso avisar vocês que esse blog passará por algumas mudanças.

Acontece que, apesar de já ter postado alguns estudos bíblicos e coisas semelhantes aqui, por ser um blog pessoal, eles nunca foram muito constantes – e isso vai mudar um pouco a partir de agora.

Na verdade, até pensei em criar um outro blog, para as coisas não ficarem muito misturadas e confusas. Mas, embora não pareça, criar um blog dá trabalho, sabia? É preciso pensar em nomes novos e tantos outros detalhes que não surgem simplesmente de uma hora pra outra, além de conciliar dois blogs com as matérias restantes da faculdade, estágio, cursos, projetos pessoais etc. Se eu fosse levar todas essas coisas em conta e criar um novo endereço mesmo assim, precisaria no mínimo de uns dois meses para me organizar, e isso atrapalharia a urgência que eu venho sentindo em compartilhar algumas coisas.

Isso não quer dizer, entretanto, que vou parar de escrever crônicas e textos sobre assuntos diversos. Só que num primeiro momento isso se tornará secundário, mas com um tempo as coisas vão acabar se alinhando. Pelo menos é essa a minha expectativa.

Ainda não sei bem como definir a categoria desse texto que estou escrevendo, mas pode-se dizer que ele serve como uma introdução para todos os temas semelhantes que serão tratados daqui para frente. E acho que chega de avisos por enquanto.

Indo direto ao assunto, nessa semana estive pensando bastante em umas coisas que costumo ouvir, e é justamente sobre isso que quero falar. Acredito que já falei aqui um pouco sobre minha vida em alguns textos, sobre a minha experiência de ter nascido em um lar cristão, ter me desviado aos quatorze anos e só ter me fixado novamente em uma igreja local quando já tinha dezessete (falei, não?).

O que eu não contei ainda é que nesse período que andei afastada minha vida não era tão interessante quanto as pessoas costumam imaginar, nada que fosse do tipo ‘sexo, drogas e rock’n’roll’, ou parecido com isso. Na verdade, eu sempre tive fama ser a “certinha” dentre as minhas amigas, nerd, a mais ajuizada, decidida, pé no chão etc. Tanto que quando me converti várias pessoas me disseram “Por que? Você nem precisa” e outros discursos semelhantes.

Domingo agora, conversando com uma de minhas melhores amigas, voltei a ouvir esse mesmo discurso, coisa que há anos não acontecia. E durante toda a semana isso não me saiu da cabeça.

Acontece que eu, que me conheço melhor que todas essas pessoas queridas, não penso que eu era TÃO boa assim como eles tendem a acreditar. Eu era rancorosa, não sabia perdoar. Orgulhosa. Infeliz. E vingativa também. Às vezes ficava meio difícil de distinguir o que fazia parte da minha imaginação e o que era realmente verdade, e outras vezes eu era meio estressada, quase grossa; e obviamente estava sempre certa também, as outras pessoas nunca tinham razão… Sinceramente, acho que se fosse para cavar todas as qualidades ruins que eu tinha e as outras pessoas não viam, me faltariam palavras para descrever com exatidão.

Sendo mais sincera ainda, continuo descobrindo coisas em que eu preciso melhorar quase todos os dias – e digo quase não porque nos outros dias eu me julgue perfeita, mas sim porque muito provavelmente deixo algum defeito passar batido. Sabe como é, a gente tende a ser muito compassivo conosco, o problema está sempre nos outros…

O que quero dizer é que, há aproximadamente sete anos, descobri que minha justiça não valia muita coisa; e mesmo hoje não continua valendo. A verdade é que muito me choca quando vejo pessoas supostamente cristãs se autoproclamando “merecedoras” da salvação em um mundo onde todas as demais pessoas têm todos os motivos para arder eternamente no inferno, porque a mensagem da cruz me mostra claramente que ninguém merece coisa alguma, exceto arder eternamente no inferno (TODOS, sem exceção); e aí surge uma coisa inexplicável, incompreensível, chamada Graça, que oferece à todas as pessoas justamente o contrário do que elas mereciam receber.

É de se dar um nó na cabeça, não?

Eu sei que é sim. Mas é fundamental, é a base de tudo o que vivo e acredito. E as demais coisas vou explicando depois.

Faxina

Crônicas

Existe jeito melhor de abrir setembro do que escrever sobre faxina?

Tudo bem, eu também consigo pensar em vários assuntos mais agradáveis. Mas é o que temos para hoje.

Devo começar admitindo com certa vergonha que a faxina passa longe de ser uma das minhas tarefas domésticas preferidas. E sim, eu sei que chega a ser no mínimo irônico uma pessoa que tem mania de limpeza não gostar de faxina; mas nem tudo na vida é da maneira que gostaríamos, não é mesmo?

Tenho meus motivos para isso, e explico: pensei bastante até descobrir que a primeira razão encontra-se no fato de eu gostar muito mais do resultado final da limpeza, que do processo em si. Sei que pode parecer uma coisa muito óbvia quando falada dessa maneira, mas venho percebendo que não é. Por exemplo, cozinhar pra mim é divertido tanto no percurso quanto no resultado. Não que eu seja uma expert ou coisa parecida, porque ainda não sou, mas sempre que cozinho sinto prazer em descobrir as coisas, me encanta o fato de um ingrediente ou tempero poder, sozinho, mudar todo o sabor de uma comida; e é justamente esse encantamento que me falta quanto ao processo de limpeza.

Explicado esse primeiro motivo, tenho outra razão muito legítima para nunca ter me esforçado demais nesse quesito: sou alérgica a quase todos os produtos de limpeza que já inventaram. O jeito mais fácil de me ver com o nariz vermelho e com falta de ar é passando por esse corredor específico de qualquer supermercado. Aí, pensa! Não é como se eu fosse alérgica a todos os produtos existente, mas a preguiça e o desgosto se encarregam de usar minha alergia como uma muleta. E usam muito, aliás.

Por último, e que ao meu ver pesa mais que todos os dois porquês citados anteriormente, conta o fato de eu ser lerda. E não sou um pouco lerda, sou muito lerda! Eu queria muito, de verdade, ser uma daquelas pessoas que conseguem limpar a casa toda em um dia; mas só pra poder limpar e arrumar dignamente o meu quarto levei exatamente uma semana. Uma semana! Um dia inteiro para limpar o nicho, organizar e ver o que podia jogar fora, outro dia só para repetir o mesmo processo em minha penteadeira; e depois as portas do guarda-roupa, outro dia para as gavetas… E ainda estou terminando de cuidar do criado-mudo hoje.

Semana passada eu estava assistindo ao Flash e vi uma cena em que o Flash Reverso bagunça, depois limpa e organiza toda uma casa em questão de poucos segundos. Segundos, e eu aqui precisando de uma semana para arrumar só o meu quarto! Consegue entender que meu preparo é, principalmente, psicológico para ter paciência de não parar tudo no meio do caminho? E sim, naquele momento, vendo aquela cena, eu o invejei.

Ainda assim, mesmo levando tanto tempo para fazer algo que não gosto muito, não pude deixar de perceber a bondade de Deus sobre minha vida. Bondade que primeiro se manifestou em me dar uma mãe que também é doida por limpeza, mas que gosta muito mais do ato em si do que eu, porque já percebi que vou acabar deixando a parte mais pesada da limpeza nas mãos de uma diarista assim que eu sair de casa. Bondade em me ensinar a importância de não desistir de fazer as coisas simplesmente porque não gosto, e também porque obter o resultado desejado sempre faz valer o meu esforço.

Na verdade, eu acho que é até engraçado. Semana passada eu estava pensando comigo “Nossa, quase nem tenho roupa mais, não acredito que vou ter de comprar tudo de novo!”, mas se tem algo que alegremente redescubro toda vez que me proponho a limpar e organizar qualquer coisa é que tenho muito mais do que me lembrava ter. Tenho o suficiente para mim, e ainda sobram coisas boas para quem precisa.

Aí me dei conta de que a vida não é muito diferente de um quarto bem limpo e arrumado, sabe? As coisas fazem muito mais sentido quando estão em seus devidos lugares, e tudo o que não for bom precisa ser jogado fora.

Dá trabalho sim, nos últimos dias me vi adotando vários hábitos que nunca cogitei para não desperdiçar todo o trabalho que tive. Mas não tem sido um peso, as coisas meio que vão fluindo da maneira que deveriam se nos dispomos a mudar o foco. E tem valido muito a pena.