Crônicas

O que eu sei sobre a vida?

Minha cabeça funciona de um jeito muito doido. Na maioria das vezes é complexo até pra eu mesma compreender esse jeito, quanto mais pra explicar. Acho tão engraçado quando alguém me diz “Nossa, isso deve ser difícil, ainda mais para você que parece ser bem organizada”. Deixa eu contar um segredinho pra vocês: não sou, e também não faço a menor ideia do que leva uma pessoa a pensar que eu seja. Porque pensa bem, e entenda que não estou dizendo isso para me gabar, mas eu escrevo, canto, componho, tento tocar algumas coisas e vez ou outra sai alguma coisa legal quando tento desenhar. Você já reparou que, geralmente, quanto mais criativa uma pessoa é, mais desorganizada ela tende a ser? É claro que existem as exceções, mas até hoje não conheci muitas. Fica aí a dica pra você que costuma se sentir atraído por gente talentosa.

Isso não é algo que eu me orgulhe, pelo contrário. Gostaria de ser uma daquelas pessoas que tem agenda bem estruturada, com horários pra tudo e etc., mas comparando isso à minha realidade agora digo que quando consigo organizar um pequeno espaço do meu quarto, por menor que seja, e seguir o cronograma esperado já fico comemorando cada pequena vitória. E isso se reflete nos meus pensamentos, pois quase sempre eles parecem um monte de spaghetti espalhado, tudo junto e misturado de um jeito que pode ser qualquer coisa, menos linear. Esse é até um dos motivos pelos quais gosto de escrever, botar meus pensamentos em uma folha de papel me ajuda a compreendê-los melhor e me organizar internamente.

Por pensar dessa forma cíclica, vira e mexe alguma pergunta fica martelando na minha cabeça, várias vezes consecutivas, até encontrar uma resposta. E, desde a última sexta, não consigo parar de me perguntar o que eu sei sobre a vida. Talvez porque a resposta não seja uma das que mais me agradam.

Quando criança, costumavam me chamar de nerd. E, admito, eu era mesmo, naquela época gostava bastante de estudar (saudades!). Uma vez ganhei até medalha na escola, acho que na quinta série (guardo essa medalha até hoje, porque quem já me viu tentando jogar qualquer coisa sabe que nunca mais vou ganhar outra medalha na vida), e na sexta série fui a terceira colocada em um provão lá que a gente fez, perdendo apenas para dois caras, um do terceiro e outro do segundo ano. Depois disso, quando me mudei de bairro e escola fiquei muito mais relaxada (ganhei uma coisa chamada vida social, etc), mas ainda assim sempre fui reconhecida como uma pessoa inteligente e blá blá blá. E é muito difícil escrever isso sem parecer orgulhosa disso ou querendo me gabar, mas ainda gosto de estudar – claro que em uma proporção bem menor que antigamente, mas sim.

Só que ninguém nunca me perguntou por que eu gosto de estudar. E tá que ser de alguma forma reconhecida é legal, seria mentira minha se eu dissesse que não, mas nunca foi esse o motivo. Nunca, mesmo. Pode até parecer clichê o que estou para dizer, mas é verdade: sempre acreditei que saber é melhor do que não saber. Não para provar nada para ninguém, e nem pra mim mesma, mas porque toda pergunta merece uma resposta. Nenhuma pergunta existiria se não houvessem sua resposta equivalente, aliás, e é esse processo de descoberta que sempre me fascinou e ainda continua fascinando.

Sabe qual o problema nosso tudo? É uma coisa que já venho reparando há alguns anos, e sinceramente gostaria muito que qualquer pessoa que se considera minimamente inteligente também percebesse. Porque, infelizmente, quanto mais a gente sabe, mais a gente passa a pensar que sabe. E à primeira vista isso pode até parecer um raciocínio completamente lógico, mas não é. Só quando olhamos atentamente, bem atentamente mesmo, conseguimos perceber que quanto mais pensamos saber alguma coisa, menos sabemos no fim das contas. Toda vez que faço alguma descoberta nova percebo que o meu conhecimento é infinitamente menor do que eu julgava ser antes de descobrir, e não o contrário. Eu sei que é uma informação bem confusa de se assimilar, não é como se saber disso me tornasse mais esclarecida quanto a qualquer coisa, na verdade toda vez que essa conclusão me assombra quase sai fumacinha da minha cabeça.

Porque é ruim não saber. Não encontrar todas as respostas desejadas me desagrada, quase mais que qualquer outra coisa, porque eu sei que essas respostas estão por aí em algum lugar, e muitas das vezes eu não posso e não sei se um dia irei encontrá-las. A vida não é como um livro, ou uma boa escola onde você treina todas as respostas certas para acertar na prova. Seria bem mais prático se fosse, e tudo seria mais lindo como unicórnios cor-de-rosa voando e deixando seu rastro de arco-íris. Mas não é assim.

O que me alegra em tudo isso, apesar de eu não saber ainda se é alegria ou conforto, é que saber disso, e mais que isso, reconhecer isso publicamente requer coragem, humildade e outras coisas que muitas vezes são ainda mais importantes que o conhecimento. Eu me entristeço sempre quando vejo alguém que sabe muito pensar que sabe tudo e agir como se assim fosse, não porque é irritante, mas porque fico imaginando o quão triste e decepcionante uma vida assim deve ser.

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