Crônicas

Sobre franjas e 2016

Não, esse não é nenhum texto falando sobre moda, tendências pro verão, cortes que estão em alta ou qualquer outra coisa que se encaixe nesses quesitos porque… Sinceramente? Não sinto que tenha vocação, ou paciência, para escrever coisas assim. Mas, no sábado passado, quando já estava quase terminando de me arrumar e as malas já estavam prontas para a minha volta a SP, tive um mini diálogo com minha mãe que me fez repensar o que eu estava preparando para ser o primeiro post desse ano – e também porque não estava nem um pouco a fim de escrever textão sobre recomeço, listas de metas ou falar sobre overdose de castanhas e algumas espinhas.

Era sábado de manhã e fazia muito, mas muito calor mesmo em São Vicente, embora o tempo estivesse mais nublado que ensolarado. No banheiro de minha tia, terminei de arrumar o meu cabelo e prendi, por causa do calor, arrumei um pouco mais para o lado a minha franja e resolvi beber um pouco de água antes de sair até a rodoviária. Enquanto isso minha mãe estava atrás de mim, observando o meu reflexo no espelho.

– Já está na hora de você cortar essa franja outra vez – disse ela, como quem não quer nada. Eu me virei para trás e imagino que a olhei com uma daquelas caras que a gente faz quando não sabe como responder alguém.

Vou explicar o porquê. Desde criança, eu sempre quis ter franja, franjinha para ser mais específica; mas o meu cabelo era super cacheado, louro, e qualquer coisa que lembrasse uma franja não daria muito certo. Aí cresci e ondulei, alisei e pintei, fiz tanta coisa! Fiz franja, e nunca mais tirei. Fico alternando entre franjinha e franja de lado sempre que me canso de qualquer uma das duas, mas planos de largar mesmo a franja, desde os quinze creio que nunca fiz.

E aí que várias pessoas me falam coisas como “Mas por que você não deixa crescer, ou usa o cabelo para trás? Está com essa franja aí há tanto tempo…”, ou “Fica parecendo uma menininha” e etc., mas sempre ignoro porque acredito que cabelo é um assunto pessoal de cada um, e faço questão de eu mesma escolher como cuido do meu. Só que aí, depois de ter cortado franjinha em outubro, eu enjoei de ver o meu rosto emoldurado daquele jeito no espelho e fiz um trato comigo mesma de colocar minha franja de lado e ver por quanto tempo consigo deixá-la crescer – sei que isso parece muito bobo quando falo, mas considerando que a minha mão meio que coça para cortar o cabelo e sempre corro para a tesoura assim que o primeiro fio começa a irritar meus olhos, quatro meses sem encostar na tesoura passa a ser algo a se considerar.

Acontece que minha mãe é uma dessas pessoas que sempre reclama da minha franja, ela prefere que eu use topete. Ou dizia preferir, porque até agora não entendi direito o que foi que aconteceu naquele banheiro.

– Ué, achei que você quisesse me ver sem franja – respondi confusa, e não sei quanto tempo depois de processar as informações dos dois últimos parágrafos.

– Ah, eu achei que queria… Mas você sempre acaba cortando no fim das contas – disse por fim, deu de ombros e saiu do banheiro.

E continuei lá, me olhando no espelho e vendo a minha expressão confusa. Antes disso eu achava a mídia era a principal responsável por dizer às mulheres como se vestir, o tipo “certo” de corpo a se buscar ou qual penteado usar, então descobrir que minha mãe passou oito anos reclamando do modo como ajeitava o meu cabelo antes de descobrir que gostava foi um choque para mim. Mesmo quando já estava subindo a serra, antes de me distrair com o livro que levei na bolsa, fiquei pensando em como a minha mãe se importa comigo e é a pessoa que mais me ama no mundo todo; e ainda assim às vezes não sabe ao certo o que espera de mim, embora não admita isso.

Fiquei estendendo esse mesmo raciocínio a várias outras áreas. Não sou do tipo de pessoa que costuma ignorar totalmente os conselhos porque muitas vezes experimentei através deles ver coisas de ângulos que jamais teria percebido, então sempre os divido em filtros e aplico os que são úteis pro meu crescimento. Mas, enquanto pensava nessas coisas, fiz uma faxina nos meus filtros: a sociedade diz isso, minhas tias dizem aquilo, as mídias dizem aquilo outro e com tanta gente falando tanta coisa às vezes fica fácil me confundir sobre onde está a minha própria voz no meio de tudo isso.

É claro que estabeleci as metas e mudanças que desejo para 2016, e pra ser sincera eu não esperei o ano terminar para colocar em prática algumas dessas mudanças. Mas tenho julgado ainda mais importante esse processo de arquivar e deletar, se for o caso, algumas vozes porque venho entendendo isso como a primeira base para qualquer mudança verdadeira.

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5 comentários em “Sobre franjas e 2016

  1. Bom, mães sempre sabem das coisas, rsrs eu gosto da minha franja e sempre faço isso deixo curta ou de lado, depende muito do meu dia, e as vezes prendo e deixo o testão aparecer haha, mas uma coisa é certa sempre alguém vai falar que franja é mais novinhas e tals, porém franjas como a sua , (se quiser mantê la curta mesmo), o certo é aparar de 3 em 3 meses, vi isso em outro blog :).

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