Textos

Menas

Quando eu estudava Comunicação Visual, nenhum movimento artístico conseguiu me cativar tanto quanto o minimalismo. E não falo isso pelos resultados em si, pois admito que tiveram outras coisas visualmente muito mais interessantes; mas é o conceito por trás do minimalismo que me encanta.

Também me lembro que, quando começamos a desenhar, editar ou vetorizar qualquer coisa, ainda não tínhamos muito essa pegada minimalista, porque quando tudo nos parecia novidade ficava muito fácil criar qualquer coisa com excesso de informação. Nessas mesmas horas, sempre aparecia alguma professora para dizer “Menos é mais” e nos fazer mudar de opinião.

Depois que me familiarizei com a ideia minimalista, descobri que há muito tempo nós, garotas, já lidávamos com o seu conceito sem perceber. É mais ou menos como quando está muito calor e, decidindo vestir um short, acabamos escolhendo uma camiseta, bata ou qualquer coisa mais larga para evitar muita atenção. Ou quando o batom é vermelho ou escuro, e deixamos a maquiagem mais leve na área dos olhos para não parecermos o Ronald McDonald. Porque menos sempre vai continuar sendo mais.

Nessa última semana venho pensando bastante sobre como a sociedade seria um lugar diferente se fossemos mais minimalistas em alguns aspectos. Hoje, na DP que venho fazendo durante algumas tardes desse semestre, estávamos conversando sobre os relatos de como alguns refugiados imaginavam o Brasil antes de chegarem aqui, como outros estrangeiros nos veem e como nós mesmos vemos as demais regiões nacionais. Eu nem sei imaginar direito como é a vida nesses lugares, porque nunca sequer consegui me imaginar fora daqui – e quem é de SP sabe bem do que estou falando.

SP é o lugar mais hype do Brasil, e eu amo minha cidade. Nós temos informação, lazer, opções em excesso, e as coisas não ficam muito diferentes se tratando de tudo o mais. Sendo bem sincera, ainda não descobri algo que não tenha em excesso aqui.

O problema é que, com todo esse excesso de tudo, às vezes fica difícil nos esquecermos de como é ser simples. De um jeito ou de outro, é raro encontrar alguém que não esteja excessivamente focado em sua própria lista de afazeres, ou nos planos que fazemos, ao ponto de não conseguir enxergar o que se passa do lado de fora.

Quando não isso, corremos o risco de nos perdermos naquilo que os outros esperam de nós. Aquilo que o mercado de trabalho espera de nós, para ser mais exata. E não estou dizendo com isso que é errado ter qualificações, acho que já escrevi uma vez aqui que pelo menos um mestrado tenho planos de fazer. Só que, apesar disso, outras vezes me pego pensando se essa busca constante por títulos não nos tira a essência que nos define como humanos à medida que nos apegamos a eles.

Seje menas. Menos mimimis, menos nhénhénhéns, coisinhas sem o menor sentido e medo do que os outros podem ou não pensar. Vá direto ao ponto, sem rodeios. Já perdi as contas de quantas coisas boas eu podia ter feito, e assim devia, mas preferi ficar pensando, maquinando infindas vezes, e nada fiz. E eu sei que nem tudo está em minhas mãos, mas não existe nada que me isente daquilo que está.

A gente é que tem mania de complicar as coisas, mas a verdade é que muito pouco além do que é essencial importa.

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