Textos

Diferentes

Tem muita coisa sobre o que ando querendo escrever, mas minhas provas acabaram essa semana praticamente e eu ainda não consegui colocar tudo no note/papel. Confesso que, a princípio, minha ideia nem era escrever sobre isso exatamente, mas… É uma das coisas que mais vem me incomodando há alguns dias, e principalmente hoje, então não sei se conseguiria falar sobre outra coisa.

Existe uma coisa muito estranha no comportamento humano, entre várias outras que também não poderiam ser normais. Mas o que muito me intriga, e não poucas vezes vejo, é uma certa incapacidade de não saber fugir das comparações pejorativas com aquilo que costumamos admirar. E isso é uma coisa que eu mesma demorei para aprender, e ainda hoje tomo cuidado para não fazer.

Quando mais nova, até os dezesseis anos mais ou menos, eu costumava muito me comparar com várias pessoas, conhecidas ou celebridades, e sempre me achava inferior de todas as formas formas. Não estou dizendo que hoje me acho muito melhor do que eu era antes, só um pouco menos maluca.

Uma coisa que nem todo mundo que me conhece hoje sabe sobre mim é que, durante a minha adolescência, eu era bem mais gorda do que hoje. E quando digo gorda, falo de uns 68 kg. Considerando que não sou uma pessoa alta, o meu IMC diferia em muito daquilo que era recomendado.

E aí que eu não me sentia nada bem com isso. Não gostava de usar roupas mais largas, me sentia feia perto das minhas amigas etc. Até que nas primeiras férias, de 2009 se não me engano, eu perdi uns 20 kg. E não perdi de uma forma saudável, fitness como agora está na moda chamar. Até hoje não sei se a fase de crescimento me ajudou nisso, mas nunca pensei muito nessa hipótese porque, sinceramente, não sinto que cresci muito ou qualquer coisa desde então. Analisando a forma como emagreci, sem regime nem nada, e passando horas sem comer, foi mesmo um milagre não ter desenvolvido nenhum distúrbio alimentar mais grave.

Me lembro que, quando emagreci, pensei que os meus problemas tinham acabado. Eu nunca mais me sentiria gorda ou diminuída por causa do meu peso, nunca mais ouviria nenhuma piadinha ou nada do tipo. Mas não deu nem muito tempo e as mesmas pessoas que me chamavam de gorda começaram a reclamar da minha magreza. E não estou dizendo que elas estivessem de todo erradas, porque até hoje, com minha massa oscilando entre os 50 e 54 kg, ouço coisas do tipo.

Só que na primeira vez que isso aconteceu, aos meus dezesseis anos, percebi que não interessava muito se eu estivesse gorda ou magra, porque alguém sempre apresentaria queixas. E assim que descobri isso passei a me sentir livre pra comer, emagrecer ou engordar sem me importar com o que as pessoas dizem a respeito do meu peso – exceto quando o médico reclama pra monitorar a anemia.

É estranho pensar que, com mais de 7 bilhões de pessoas no mundo (não sei quantas pessoas a mais, sou de humanas), a gente ainda procure um padrão para o que não existe. Como se houvesse uma cor de pele, um tipo de cabelo, tamanho ou qualquer tipo de formato de corpo mais certo que todos os outros. Nesse sentido, exceto quanto aos cuidados com a saúde e tal, não existe nada que se assemelhe a um “jeito certo”.

Apesar disso se tornar muito mais visível com essas questões físicas, não é a única forma como acontece. Não me lembro bem o site onde li sobre, mas há algum tempo, acho que no ano passado, vi um de meus professores postar um link falando sobre um dos problemas que descobrimos com o boom das redes sociais: o texto mostrava os índices crescentes de depressão na geração Y e apontava a comparação com o “sucesso” alheio em sites de relacionamento, como o Facebook e o Instagram, como uma de suas causas.

Eu, particularmente, acho essa uma questão muito interessante. Ultimamente, eu ando até que meio enjoada do facebook em si, mas há muito tempo acho curiosa a relação das pessoas com o site. Porque, quando tenho paciência pra ler o meu feed, encontro de tudo. Tudo mesmo. Gente descolada, páginas engraçadas, e gente que reclama. Gente que reclama de tudo o tempo todo, pra falar a verdade – como se postar grandes queixas em textos de dez linhas fosse a solução para todos os problemas do mundo.

Mas também vejo pessoas como eu. Eu não gosto de compartilhar um milhão de coisas, mas posto aquilo que julgo interessante. E gosto muito de tirar fotos, mas nunca tive paciência praquelas fotos com legendas do tipo “Saí feia mesmo” e essas carências semelhantes. Não que eu não tenha problemas, tenho vários inclusive. Mas não sinto a necessidade de expô-los dessa forma, como se o meu perfil online fosse uma vitrine panorâmica da minha vida, coisa que muitas pessoas dizem que de fato ser.

Também não sou do tipo que fica querendo esconder os meus defeitos, sabe? Nunca tive saco pra isso, porque ainda que vagamente, me abomina a ideia de passar para alguém qualquer imagem minha que seja mais idealizada do que real – mas acredito que esses defeitos devam ser descobertos off-line, nas pequenas coisas do dia-a-dia.

Essa é a minha visão, pelo menos. Não sei dizer se está certa ou errada, mas continua me parecendo a mais sensata. Insensata, no meu ponto de vista, é a crença de que a vida de outras pessoas é melhor pelo simples fato de não colecionarem reclamações ou críticas em lugares que não foram criados com esse intuito. Nunca vi uma pessoa que teve melhoras significativas de vida por ser rabugenta na internet – ou em qualquer outro lugar.

Um dos resultados disso, tanto em um caso como outro, é gente que “muda” para fingir, ou se auto convencer de, algum tipo de superioridade, ou mesmo um simples avanço e coisas assim. E eu não sou uma pessoa totalmente contrária a mudanças, pelo contrário, acho que muitas vezes elas podem ser sadias; mas só quando são internas, racionais e profundas. Se uma pessoa emagrece porque está preocupada com os comentários alheios e não consigo mesma, como eu fiz, não é o tipo de mudança que valha muito a pena.

Sei que, às vezes, algumas dessas mudanças são benéficas. Mas não consigo acreditar que durem. Porque se eu deixar de fazer algo só por me preocupar com a opinião de fulano ou ciclano, e não por acreditar que realmente é o melhor para a minha vida, o que me impede de voltar a fazer se eu brigar, me decepcionar, ou simplesmente deixar de me importar com essas opiniões? Acredito que mudanças reais precisam de um fundamento mais firme que isso.

Além disso, também acredito que nem sempre mudanças são necessárias. Vai muito da nossa consciência de compreender que as pessoas são diferentes, e sempre vão ser. E é bom assim, o mundo seria um tédio se todo mundo fosse igual.

Só que nem sempre isso fica muito claro na cabeça das pessoas, e em algumas coisas isso consegue ser bem mais evidente. Eu nunca escrevi sobre isso porque tenho medo de ser mal interpretada ou vista como metida, mas já comentei com amigos próximos o quanto isso me surpreende tanto quanto me incomoda, e agora vou me arriscar a escrever aqui.

Se tem uma coisa que me chateia, e muito, é quando às vezes uma pessoa nem fala comigo direito, e até me trata mal, mas de repente começa a me achar “habilidosa” em algo e passa a me tratar melhor  por causa disso. Isso já aconteceu comigo algumas vezes porque acharam que eu escrevia bem, ou então por acharem que canto bem. E não quero ficar aqui concordando ou discordando, mas sei que sendo ou não sendo não sendo verdade, nenhum tipo de habilidade é motivo para me tratar diferente de qualquer pessoa – principalmente se a pessoa em questão for eu, quando desconhecidas essas supostas habilidades.

Eu até entendo, em parte, que isso acontece porque algumas habilidades parecem mais interessantes que outras. Não estou falando que estas habilidades sejam as minhas, que fique bem claro, porque o gosto é muito relativo de uma pessoa pra outra. Eu, por exemplo, se pudesse escolher, gostaria de ser flexível no ballet e saber inventar coisas. Não o conceito das coisas, mas as coisas em si. Engrenagens, funcionamento, toda a parte prática mesmo. Queria inventar coisas úteis que facilitassem e melhorassem a vida das pessoas.

Mas não sou assim, e não acho que um dia vou ser. Nem vou me descabelar tentando ser. Não me sinto mal sendo como sou porque sei que, mesmo sem compreender perfeitamente, fui criada assim com algum propósito específico que não conseguirei cumprir se gastar meu tempo tentando ser de um jeito que não sou. E essa, ao meu ver, é a maior beleza de todas nas diferenças: o propósito da singularidade.

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3 comentários em “Diferentes

  1. Que desabafo, Georgia! Eu sempre fui “a diferente” e em alguns casos “o bichinho estranho”. Me sentia e me sinto bem como sou é isso é importante, porque Deus tem propósitos a cumprir em nossas vidas e através de nossa vida, utilizando essas nossas características tão peculiares. Viva às peculiaridades!

    1. Exatamente! Eu fico maravilhada sempre que percebo que, por trás de cada mínimo detalhe nosso, ainda que não gostemos, existe o dedo de Deus nos moldando para alguma coisa que não compreendemos 🙂

  2. Oi Geórgia. Te indiquei para participar e responder a TAG Bloggers Recognition Award. É fácil participar. Na abertura ponha o nome de quem te indicou. Faça um post explicando por que você começou a blogar e dê algumas dicas;
    Nomeie blogs de seus colegas blogueiros;
    Comente nos blogs deles para que saibam que foram nomeados. Se não puder não tem problema. Sinta-se a vontade para participar ou não. Aqui está o meu post para você ter uma ideia. http://acaixadeimaginacao.com/2015/10/13/tag-bloggers-recognition-award/

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