Crônicas

Simples

Tudo é sempre tão difícil quanto parece? Ou, por que a gente complica tanto as coisas? É um tanto estranho falar de simplicidade sendo eu perita justamente no contrário, mas venho pensando muito sobre isso ultimamente.

Já escrevi aqui sobre meus medos, imperfeições e coisas que fogem ao meu controle, tudo que à primeira vista mais parece me complicar do que tornar-me simples; e aí que, sempre que me pego pensando nestas coisas percebo que não sou tão dependente delas quanto penso ser. É claro que sempre estarão presentes as minhas imperfeições e coisas que fogem ao meu controle, mas nem tudo é o monstro de sete cabeças que muitas vezes imagino ser.

Quando estudava Comunicação Visual descobri um pouco mais a fundo a essência minimalista, aquela coisa do “Menos é mais” que a cada dia se reapresenta de uma forma nova e útil, sabe? Tem uma música, da banda Crombie, que gosto muito, e sempre quando ouço, me pergunto o que é de fato essencial na minha vida. Porque às vezes tenho a impressão que, quanto maior a correria dos nossos afazeres cotidianos, mais fácil fica pra eu me esquecer da essência de tudo; e, algum tempo depois de me enrolar com tudo, me pergunto por que insisto na mania de complicar aquilo que é simples.

Já reparou que as melhores coisas são simples? Eu sei que há quem goste de grandes demonstrações públicas, e que tratando-se de afeto elas até podem ter o seu lugar, mas, pelo menos para mim, o encanto reside nas coisas simples. Em notas simples, sorrisos singelos, frases não rimadas e rascunhos rabiscados; talvez um balanço, o céu estrelado, uma boa conversa e nada mais. Ou então um abraço, daqueles bem mudos mas capazes de substituir qualquer palavra; ou um copo de água e pés descalços, uma página de um bom livro riscada e lembretes marcados.

Às vezes me perco imaginando o que preciso fazer e resolver, ou como posso melhorar os meus planos, mas aí me lembro de uma dessas coisas, ou de ainda outras que não descrevi mas tão boas quanto, e percebo que não preciso de muito. Não pelas coisas em si propriamente, mas pelo sentimento que as envolve. É meio que também a percepção de que às vezes não é preciso muito para ser compreendida, ou que em outras vezes simplesmente nada é preciso.

Simples como tudo poderia ser, sem enfeite ou meias palavras, sem medo e vergonha, receio ou sei lá. Simples, apenas. Simples.

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