Crônicas

Águas de Março

O céu se encheu de nuvens, escureceu, e aquele calorão todo aos poucos vai desaparecendo. Guardo os meus vestidos, as calças voltam para a minha rotina junto com o coturno e o guarda-chuva, e à medida que minha voz vai ficando rouca e se tornam cada vez mais frequentes as chuvas percebo, que minhas estação favorita está chegando. Março tem cara de Tom e Elis, eles deixaram essa marca que permanece soando seus acordes como ecos na minha cabeça, ainda que eu esteja ouvindo qualquer outra música ou apenas silenciosa enquanto o verão se despede.

Assim que o sol começa a desaparecer, digo adeus aos minutos de minhas tardes que gasto em frente à janela. O outono tem gosto de poesia, violão e destra suja de caneta; tudo à minha volta me encanta e parece transbordar inspiração. Meu esmalte nas cordas vai se desfazendo, meus livros e listas parecem tão mais convidativos que antes! É tanta coisa que quero fazer ao mesmo tempo, e me sinto muito mais disposta mesmo sem saber por onde começar.

As comidas são mais cheirosas, as palavras saem em forma de verso. Não tem jeito de o vento ser mais gostoso, e nem consigo pensar em época melhor para descer do apartamento e olhar a lua. Sou estranha, não gosto muito de sair de casa ou grandes aglomerações: prefiro sentar e lá fora e olhar a lua, ou ler um livro e assistir a um filme, repetir a mesma música o tanto que for possível sem enjoar e não pensar em nada; essas coisas simples com um preço mínimo e prazer imensurável. E tudo isso parece tão melhor no outono! Não sei o por quê de toda essa afinidade e encanto maior com o outono, só sei que nele me sinto muito mais folk e deixo quase todo o gosto de MPB e surf sessions para trás.

Acho que em alguns casos a perfeição não consiste na ausência de defeitos, mas sim em perceber que mesmo com todos os defeitos visíveis eu não mudaria uma vírgula e aceitaria de bom grado todos os “mas”. Eu fico gripada mais vezes que consigo contar, no quesito excesso de sono só perco para o inverno e nem sempre sinto vontade de trocar minhas sapatilhas pelo coturno ou tênis; mas quando vejo na rua a cor das árvores e suas folhas no chão não consigo imaginar nenhuma outra estação que seja mais perfeita aos meus olhos.

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