Textos

Aqui dentro

Olhar pra dentro de mim é uma das coisas que menos gosto de fazer. Porque é muito mais fácil olhar para outras coisas e situações, além de que, em algumas vezes que decido fazer uma análise interna começo a pensar demais, o que no meu caso pode facilmente levar a alguma paranoia estranha: tudo o que estou tentando evitar neste ano.

Acho estranho falar dessa irracionalidade tão intrínseca e ao mesmo tempo tão feminina, que já duas amigas me advertiram sobre eu tê-la negligenciado por tempo demais. Até então, não digo que me considerava uma mulher estritamente racional porque conhecia os meus pontos de sensibilidade ou pelo menos sempre achei que sim para não ignorá-los por completo, mas pensei que essa sensibilidade não impedia que eu baseasse minhas decisões e atitudes em algo que, na minha cabeça, se assemelhava a um raciocínio lógico. Aí descobri que esse meu suposto “raciocínio lógico” é bem diferente do que eu creio que na verdade a lógica deva significar, e muito mais emocional do que eu jamais perceberia sozinha ou gostaria de admitir – e  foi assim que percebi que é mais fácil lidar de vez com os problemas dessa minha dificuldade em vez de tentar transformá-la em algo misto de racionalidade à minha maneira, e também foi depois disso que compreendi a zoeira por trás de alguns memes que vi citando a tal lógica feminina.

Mas com toda essa crise interna sem data definida para acabar venho descobrindo umas coisas que acho legais, e outras nem tanto. Para as coisas que eu não gosto tanto (ou nada, para ser sincera), ando procurando conselhos e maneiras sobre como tratá-las e me livrar de vez, e só agora estou começando a sentir os resultados bons de enfrentar essa parte desagradável.

Já as coisas boas são como um sopro no rosto em pleno o sol forte desse verão, como um oásis. É redescobrir a arte de se surpreender com coisas simples e óbvias, percebendo a necessidade da repetição de tudo aquilo que já foi aprendido mas que, com as preocupações e correrias do dia, vai ficando cada vez mais esquecido até o momento em que se resolve abrir o baú e relembrar quantas lições tão boas já foram aprendidas e não podem ficar para trás. É o recomeço em sua mais pura essência.

A melhor parte de todas, para mim, tem sido perder meus medos. Porque essa minha linha estranha e já descrita de pensamento me dizia que me manter longe de tudo o que me apavorava era o melhor modo de sentir-me segura; mas aí Deus vem e me diz que a solução é me livrar da raiz do medo, e não dos seus galhos. E eu sei que a força para isso não está nas good vibes, no pensamento positivo ou na minha própria força de vontade, mas sim no Deus Poderoso que, apesar de ter tanta coisa mais importante com o que se preocupar, sempre encontra tempo para cuidar de mim mesmo que eu seja tão pequena e falha assim.

Quando penso em tudo isso, reencontro o desapego; desapego das minhas vontades, dúvidas e tudo o que a longo prazo fazia com que eu me sentisse tão ruim. O peso cai das minhas costas, e mesmo que à minha volta as coisas não me pareçam tão diferentes assim, eu sei que tem algo novo surgindo aqui dentro de mim. E ainda não me sinto totalmente bem como quero estar, mas sei que um dia estarei e isto já me é mais que o suficiente.

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