Cristianismo

Fé inexplicável

Há já algum tempo que venho pesquisando e lendo sobre Teologia, aquela curiosidade que tinha começado na Apologética foi crescendo e se desenvolvendo de maneira a passar pela História da Igreja e outros questionamentos mais intrínsecos ao ser humano.

Não é como se eu possuísse alguma expertise no tema, pra falar a verdade, de toda uma lista de livros que ainda quero ler e outros arquivos que coloquei no tablet, até agora só consegui ler três (neste ano). Sei que por certo tantas outras pessoas conseguiriam, e já conseguiram, escrever sobre o assunto com propriedade muito maior que a minha, mas me atrevo a tentar porque não sei se de algum outro modo eu conseguiria explicar mais claramente os fundamentos da minha fé.

Já pensei, já perguntei e li antes de chegar a esta premissa, mas ainda não encontrei uma alternativa mais convincente de que a própria fé não se explica muito bem. Não que isso torne a fé mentirosa, vou dizer o porquê: já tentou convencer um corintiano de que o seu time não é o melhor, ou mostrar a um extremista político, e isso vale tanto pra esquerda quanto pra direita, que nem todas as coisas são do jeito que ele pensa ser? Caso já tenha tentado saberá que, em ambos os casos, não adianta muito comparar a quantidade de títulos conquistados por outros times ou mostrar todas as teorias político-econômicas e sua aplicação mais próxima com suas respectivas falhas e acertos. Aliás, na maioria das vezes é até inútil tentar explicar alguma coisa, sou do tipo que argumenta mas se cansa muito rápido – apesar de que em alguns casos continuo gostando de questionar esperando uma resposta satisfatória. Acho que esse é um grande defeito meu.

É claro que não quero, com este exemplo, resumir a fé e a espiritualidade a tópicos como preferência política ou futebolística, porque obviamente tudo é muito mais complexo que isso. As questões, eu digo. O ser humano é complexo também, mas por ser tão repetitivo, independente do tema sugerido, acaba nos permitindo fazer algumas comparações previsíveis quanto a seus pensamentos e comportamentos, e é por isso que usei as duas categorias citadas como referência.

Já falei, em outro post, que deixei de ser anticorintiana quando percebi que isso era coisa muito inútil de minha parte, mas simplesmente deixar de torcer contra não me torna, de maneira nenhuma, apta a compreender esse fascínio, essa paixão e orgulho tão grande que sentem sendo corintianos, maloqueiros e sofredores, e ainda agradecer a Deus por isso! É algo incompreensível demais para mim, e com o tempo percebi que algumas pessoas à minha volta se encontram no mesmo nível de incompreensão sobre a minha fé.

É claro que não quero, com este exemplo, resumir a fé e a espiritualidade a tópicos como preferência política ou futebolística, porque obviamente tudo é muito mais complexo que isso. As questões, eu digo. O ser humano é complexo também, mas por ser tão repetitivo, independente do tema sugerido, acaba nos permitindo fazer algumas comparações previsíveis quanto a seus pensamentos e comportamentos, e é por isso que usei as duas categorias citadas como referência.

Já falei, em outro post, que deixei de ser anticorintiana quando percebi que isso era coisa muito inútil de minha parte, mas simplesmente deixar de torcer contra não me torna, de maneira nenhuma, apta a compreender esse fascínio, essa paixão e orgulho tão grande que sentem sendo corintianos, maloqueiros e sofredores, e ainda agradecer a Deus por isso! É algo incompreensível demais para mim, e com o tempo percebi que algumas pessoas à minha volta se encontram no mesmo nível de incompreensão sobre a minha fé.

Na minha humilde opinião, não que eu seja alguém melhor ou pior para dizer isso, é só um pensamento meu mesmo que pode estar certo ou não; mas penso que todo ser humano tem fé em alguma coisa, seja de um jeito ou de outro. Fé no Corinthians ou na política como já citei, mas também na Ciência, na Arte, no antropocentrismo (alguns no egocentrismo também), no pensamento positivo, na astrologia, no dinheiro, na Filosofia, na Psicologia… É uma lista sem fim. Nessa minha óptica a diferença entre um cristão e aquele que diz não crer seria justamente onde essa fé está depositada. E nada mais.

A fé no antropocentrismo e no egocentrismo são as que eu acho mais estranhas, não no todo, mas em um único aspecto: desde o Renascimento tornou-se comum o pensamento de transferir o que acontece na Terra à responsabilidade humana, desprezando a “ignorância” que levou a Idade Média a ser conhecida como Idade das Trevas pelo seu notável Teocentrismo. Não estou aqui tentando entrar no mérito de qual dos dois períodos tenha tido um pensamento mais civilizado, primeiro porque acho muito desumano quando ouço alguém usar este termo ao fazer comparações entre épocas ou lugares distintos que apresentam crenças diferentes; e segundo porque também tenho vários pontos de discórdia com muitas coisas que regiam o pensamento medieval. No entanto o que me intriga não é isso.

Suponha que eu concorde com as afirmações de Nietzsche, por exemplo. Já vi gente que concorda, mas quando questionada sobre sua decisão de não crer na existência de Deus aponta todas as tragédias e desastres do mundo como as razões para duvidar dEle ou de Sua bondade e todos os outros atributos. E eu não me sinto no direito de querer interferir na fé (ou ausência dela, apesar de ter o pensamento que já descrevi há pouco) de ninguém porque não dou a ninguém o direito de interferir na minha, mas sempre que ouço algo desse tipo me pergunto mentalmente porque nós, seres humanos, temos uma mania estranha de nos orgulharmos e querer o crédito por tudo o que dá certo ao passo que culpamos Deus pelo que saiu errado. Pelo menos para mim isso é algo muito difícil de compreender.

Também descrevi a crença na Ciência como fé, ainda que eu entenda que perfeitamente que os mais céticos discordarão de mim. Digo que é fé pelo o único motivo de eu não ter presenciado, e também não conhecer ninguém que tenha, o momento exato onde todos os levantamentos apontados pela Ciência teriam ocorrido. É aí que eu descubro outra incompreensão minha. Repito que não estou querendo ofender ninguém, mas alguns pensamentos me confundem bastante. Tipo, quando sou criticada ou questionada sobre a minha crença na Bíblia frequentemente argumentam que esta foi escrita por homens que talvez tenham se movido por interesses distintos e até mesmo duvidosos, passíveis de engano, etc… Mas o que foi Charles Darwin senão um homem? Fred Hoyle, Georges Lemaítre, Galileu, Newton, Einstein e todos os outros grandes cientistas não foram homens também?

Eu não preciso crer no avanço da tecnologia ou na criatividade humana porque o vejo sempre que mexo no meu notebook, no meu celular ou assisto o jornal e descubro uma nova invenção. Posso até tocar. Mas para aquilo que não vejo, para o que tecnicamente não haveria nenhuma prova tida como concreta e só pairam cada vez mais incertezas, a menos que eu decida ignorar por completo tudo o que não posso compreender perfeitamente, não me resta alternativa senão a fé.

Quando eu estava lendo Teologia é poesia?, do C.S. Lewis, em um domingo anterior vi algo que define bastante a visão que eu também tenho:

Acredito no Cristianismo como acredito que o Sol nasceu, não apenas porque eu o vejo, mas porque por meio dele eu vejo todo o resto.

E é exatamente como me sinto, não sei se eu saberia descrever melhor.

Outras vezes ouvi dizer “Eu até posso acreditar em Deus se Ele me provar que de fato existe, não sou antiteísta não!”, mas o Deus em quem creio não precisa me provar nada porque eu não sou nada. Porque se eu acredito que a vida na Terra não pode ser explicada exclusivamente pela Ciência e que o Criacionismo me ajuda a compreendê-la melhor, me acharia no mínimo muito imatura se acreditasse que esse Deus que criou todas as coisas precisasse parar qualquer outra coisa importante que esteja fazendo só para me provar algo. Volto aqui a citar Nietzsche dizendo “Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo” porque sempre que leio ou ouço algo do tipo me pergunto se as pessoas imaginam que Deus tenha sérios problemas de carência e dependa totalmente da adoração dos seres humanos para existir, quando na verdade Ele nem sequer precisa de mim para qualquer coisa, inclusive para crer nEle.

Crer ou não crer na Bíblia e no Cristianismo só faz diferença na minha vida e na vida das pessoas que me cercam à medida que eu decido praticar ou não os princípios que permeiam a minha fé, porque Deus não precisa da minha crença para existir. A Trindade se basta, essa dependência toda que conhecemos é uma coisa humana e não divina.

Ainda que seja difícil crer, não falei em momento algum que seria porque a fé e a facilidade são razões inversamente proporcionais. Acho que, conhecendo a natureza do ser humano, talvez jamais tenha sido. Mas no que tange ao Cristianismo, sempre me lembro de uma música que ouvia bastante na infância, a única que conheço da Joan Osbourne, onde em um dos versos ela diz “If God had a face, what would it look like? And would you want to see, if seeing meant that you would have to believe in things like Heaven and in Jesus and the saints, and all the prophets?” (Se Deus tivesse um rosto, como se pareceria? E você gostaria de ver, se ver significasse que você teria de crer em coisas como Paraíso e Jesus e os santos, e todos os profetas?).

Todo mundo antes de decidir crer ou não no Cristianismo se encontra nesse mesmo impasse, sobre o qual C.S. Lewis também escreveu:

Uma vez que se aceita o Teísmo, não se podem ignorar as declarações de Cristo. E, quando se examinam essas declarações, parece-me que não se pode adotar nenhuma posição intermediária. Cristo ou era um lunático, ou era Deus. E Ele não era lunático.

Gosto bastante do Lewis porque, diferentemente de mim que tinha mais dúvidas sobre ser a minha fé verdadeira ou não, ele era ateu e ao escrever falando tão claramente de suas dúvidas e tudo o quanto pensava antes e depois de se converter me dá uma perspectiva bem mais ampla das coisas. O cristão não só acredita em todas essas coisas como também na graça, que por vezes consegue parecer ainda mais incompreensível que a fé, mas este é um tema tão amplo que talvez eu tente escrever sobre isso depois.

O fato é que eu sei muito bem quais são os fundamentos da minha fé: creio em um Deus que criou a Terra e toda a natureza, e a despeito de eu merecer ou mesmo querer, me amou ao ponto de entregar Jesus para que eu tivesse vida plena e esperança. Creio porque sempre que me vejo encantada com a quantidade de detalhes que encontro em cada flor, árvore ou animal da natureza me recuso a acreditar que uma explosão ou evolução possam ser as verdadeiras responsáveis por tamanha perfeição, e isso me basta.

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