Textos

Compreender política é preciso sim!

Tiro da gaveta mais uma ideia há tanto arquivada, e outro tanto delicada de ser desenvolvida, por achar necessário.

Não tenho pretensão de fazer nenhum manual de Política porque existem vários melhores que qualquer coisa que eu poderia escrever, e até porque além de ser trabalhoso demais, pouca gente tem paciência de ler o que escrevo, rs. O que quero mesmo é fazer um texto de reflexão, algo que talvez possa servir como ponto de partida – e não quero, de maneira alguma, impor a minha visão de mundo sobre ninguém, porque detesto quando tentam fazer isso comigo.

Enfim, partindo do princípio, acho válido dizer que, como a maioria das pessoas, um dia achei desnecessário Política, Filosofia, Direito, Economia e todas essas coisas que são tidas por chatas – e muitas vezes me refaço esta mesma pergunta, quando confronto todo o idealismo com a parte real da coisa. Mas tive um start um tanto incomum para pensar nessas coisas.

Meu avô materno é comunista até hoje. Sua preferência não é simplesmente socialista ou centro-esquerda, mas sim da extrema esquerda. Mesmo. Desde muito cedo, meus primos achavam irritante qualquer preocupação que envolvesse estes assuntos de gente grande, e por isso me deixavam sozinha com meu avô quando qualquer tema desses aparecia no meio da conversa.

Eu devia ter uns doze anos quando percebi que não concordava muito com as ideias do meu avô. E não é como se já tivesse me interessado instantaneamente pelo assunto, mas achei que até mesmo para discordar eu precisava de argumentos que me mostrassem o porquê dessa discórdia. Daí surgiu minha visão crítica.

Na escola, minhas matérias preferidas sempre foram História, Literatura, Artes e Geografia; ou qualquer outra coisa que passasse longe das Ciências Exatas, porque para elas o meu raciocínio é ainda mais devagar que a minha lentidão natural. Ainda assim eu não gostava muito de Filosofia, porque até mesmo a Matemática me parecia (um pouco) mais fácil de se entender sempre que eu ficava tonta ao perceber que as respostas para todas as perguntas que eu percebia não estariam sempre ao meu alcance. Até compreendo hoje que isso é inevitável, mas não deixa de ser frustrante.

Até que um dia resolvi ler Eric Arthur Blair, mais conhecido como George Orwell, e além de gostar bastante da Revolução dos Bichos e 1984, achei um tanto intrigante que sua própria preferência socialista não fosse um empecilho à sua visão crítica. Aí sim surgiu, em mim, um genuíno interesse.

Ainda nessa fase da adolescência, queria muito estudar Jornalismo em uma universidade pública e futuramente me especializar nas Ciências Políticas, mas não pretendia sair de São Paulo… Resumindo, perdi alguns anos tentando entrar na USP, e minha mãe é grata até hoje por eu não ter passado – sério mesmo. Mas foi só depois de perceber com meus próprios olhos toda a manipulação por trás das mídias que eu mesma acabei desistindo.

É claro que a visão de mundo que tenho hoje não foi desenvolvida de uma hora pra outra, anos foram necessários. Não gosto de estudar Direito até hoje, geralmente estas são as matérias que mais detesto em minha grade curricular, mas sou obrigada a admitir que algumas de suas premissas foram fundamentais para a formação de opinião que tenho hoje.

Entretanto, não acho que sejam apenas os conhecimentos de uma área ou outra necessários, porque sem a visão crítica não há nenhuma capacidade de questionamento, e sem esta torna-se inviável qualquer mudança.

Junho de 2013 foi, de longe, a coisa mais interessante que aconteceu no Brasil em qualquer aspecto político depois das Diretas Já; e não acho que teria acontecido se as pessoas não questionassem a relação dos discursos que ouvimos com a realidade que vivemos, ou a quantidade de tributos que nos são cobrados com os casos de corrupção.

Outro ponto que acho extremamente necessário tocar é a minha visão apartidária. Porque vejo, muitas vezes, o próprio partidarismo como empecilho à visão crítica. Já ouvi alguns relatos de pessoas partidárias que admitem que a ideia de Fulano ou Ciclano pode até ser melhor, mas que a sabotam por não ir de encontro aos interesses de seus partidos – muita gente desconhece que este é um dos principais problemas na nossa estrutura política, e até hoje não encontro nenhuma razão suficientemente lógica nisso.

Não foi o prazer que me mostrou a importância de me preocupar com todas essas coisas, mas a visão crítica sim. Foi a visão crítica que me levou a questionar a propaganda comunista a qual por muito tempo fui exposta na escola sem perceber, e também foi ela que me levou a buscar outras visões – e questionar também os fundamentos, as fontes por trás dessas outras visões. Foi a visão crítica que me mostrou a necessidade de não acreditar em tudo o que vejo na televisão, e também foi ela que me mostrou que desligá-la pode ser muitas vezes o melhor a se fazer.

Questione! Questione as propostas, mas não pare nelas, cheque também os formadores de opinião. Questione Marx, mas também questione Maquiavel e Adam Smith. Faça bom uso do quote ‘Penso, logo existo’ antes de qualquer coisa, e só vote tendo plena consciência do que está fazendo – porque é verdade que a Política não é a coisa mais importante de sua vida, mas ela certamente vai influenciar boa parte do seu dia-a-dia.

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